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02/02/2010

ALEMÃO SÓ SAI DO PAÍS SE O BRASIL PAGAR A PASSAGEM

Heinz Muller foi internado no HC da Unicamp há mais de três meses e cada diária custa R$ 345,00 ao SUS (Foto: Leandro Ferreira/29out2009/AAN)

A novela da deportação do alemão Heinz Muller, de 46 anos, que viveu 13 dias no saguão do Aeroporto Internacional de Viracopos e está há mais de três meses hospedado no Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) depende mesmo do governo brasileiro.

O delegado responsável pela comunicação da Polícia Federal de Campinas, Jessé Coelho de Almeida, contou que o Consulado Geral da Alemanha, em São Paulo, informou que não tem como arcar com as despesas de viagem do compatriota e que os pais e irmã dele, que moram na Alemanha, também não têm recursos para pagar sua passagem de volta.

"Encaminhamos solicitação à superintendência da PF em São Paulo para ver a possibilidade do governo brasileiro custear a passagem" , explicou Almeida. Neste caso, ele só poderá retornar ao Brasil se ressarcir os gastos da União.

A estadia prolongado do alemão no HC, já custou em torno de R$ 33 mil reais ao Sistema Único de Saúde (SUS). A diária na ala psiquiátrica do HC é de R$ 345,00. Muller deu entrada no HC em 29 de outubro. Cerca de um mês depois recebeu alta hospitalar, mas por ser paciente psiquiátrico, só pode deixar o hospital acompanhado de um responsável.

Assim, há pelo menos dois meses ele ocupa, sem necessidade, um quarto individual no HC, que sofre de crônica falta de leitos, em função da demanda elevada, já que o hospital é referência regional e recebe pacientes de todo interior de São Paulo e até de outros estados.

"Apesar de se tratar de cidadão alemão e com histórico de problema psiquiátrico, o Consulado se esquivou de assumir qualquer responsabilidade, como se não fosse problema deles" , disse o delegado.

O porta-voz do Consulado em São Paulo, Nico Geide, afirmou que não pode se manifestar sobre a questão nem divulgar as ações do órgão porque atua de acordo com as leis alemãs. "Não tem nenhum novidade sobre este assunto", limitou-se a dizer Geide.

A declaração feita a PF se choca com informações do site da Embaixada Alemã, onde consta que entre as iniciativas que o órgão pode tomar em casos de emergência está o pedido de verbas públicas para o retorno do concidadão ao seu país.



Muller, que veio para o Brasil a procura de uma mulher com quem se correspondia pela internet, está irregular no País desde o dia 2 de janeiro, quando venceu seu visto de turista. No dia 12 expirou o prazo dado pela PF para que deixasse o país. Mas, ele continua aqui, bancado com recursos públicos.

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