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02/02/2010
Um levantamento feito pelo Instituto São Paulo Contra a Violência mostrou que em 2009, o número de denúncias envolvendo crianças no estado registrou um aumento de 20% em relação a 2008. Até novembro de 2009, foram notificados 157 mil casos, contra 130 mil no mesmo período em 2008.
Os casos de abuso físico e sexual ganham repercussão e chocam a população. No domingo (31), uma menina de um ano e nove meses foi espancada pelo padrasto dentro de casa, em Ribeirão Preto. A criança continua internada no CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do Hospital das Clínicas e, de acordo com os médicos, está em coma profundo, respirando com a ajuda de aparelhos.
Ela sofreu traumatismo no rosto e duas paradas cardiorrespiratórias. Ainda segundo os médicos, a menina apresenta ferimentos em 80% do corpo e queimaduras localizadas. De acordo com a Polícia Militar, a vítima também possui sinais de violência sexual e a suspeita é de que os abusos estavam acontecendo há um mês. O suspeito está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ribeirão Preto.
Negligência e abandono
Em Ribeirão Preto, desde 2008, o Fórum abriga 1,3 mil processos envolvendo menores que foram vítimas de negligência, abandono ou violência física e sexual. Atualmente, o Centro de Atendimento da cidade abriga 42 crianças e adolescentes que foram vitimas de violência sexual.
De acordo com a coordenadora do Centro Atendimento à Criança Vitimizada, Valéria Danelon Rocha Macedo, essas situações de violência podem causar traumas. “As crianças chegam ao abrigo muito agressivas e tristes, além de apresentarem dificuldades de relacionamento com outras pessoas. Elas precisam ser acompanhadas por psicólogos e especialistas para que o tipo de violência sofrida não se torne um hábito na vida delas”, diz.
Segundo o juiz da infância Paulo César Gentile, a maioria dos casos têm em comum o fato das mães se relacionarem com homens de quem elas desconhecem o passado. “Álcool, drogas e distúrbios psiquiátricos ou psicológicos são o pano de fundo desse cenário”, afirma.