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12/03/2010
Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde aponta que 34% dos ferimentos são profundos
Levantamento inédito da Secretaria de Estado da Saúde aponta que ocorrem por hora no Estado de São Paulo pelo menos 10 ataques de cães contra humanos. O cálculo leva em conta a média de 85,4 mil ataques anuais notificados pelos serviços de saúde entre 2005 e 2009 por intermédio do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).
Os cães representam 84,4% das agressões de animais contra as pessoas no Estado. Em segundo vêm os gatos, com 8%, seguidos pelos morcegos, com 0,9%, herbívoros domésticos (0,5%) e primatas não-humanos (0,3%).
Do total de agressões registradas, 55% são contra homens. Trinta e quatro por cento dos ferimentos causados pelos cães são considerados profundos. Outros 6% são dilacerantes e 60%, superficiais. Há múltiplos ferimentos em 38% dos casos.
“Se a pessoa for agredida por um cão ou qualquer outro animal, é muito importante que procure um serviço de saúde mesmo se o ferimento não for grave, pois pode haver a necessidade de tomar a vacina contra a raiva”, afirma Neide Takaoka, diretora do Instituto Pasteur, órgão da Secretaria.
O último caso de raiva humana no Estado de São Paulo foi registrado em 2001.
Ituverava
O SUS oferece a vacina contra a hidrofobia em humanos, que pode ser aplicada de forma gratuita em postos de saúde e hospitais públicos. Diferentemente do que ocorria em décadas anteriores, a vacina contra a raiva não é aplicada na barriga. São cinco doses, no braço do paciente.
Em Ituverava, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, no ano passado, foram registrados 179 ataques de cães e gatos. “Infelizmente, a maioria dos pacientes não vê com gravidade o ataque de um animal, valorizando apenas o prejuízo emocional”, afirmou a enfermeira Ione Márcia Mendonça de Castro, que coordena campanhas de vacinação contra raiva em animais.
Ela diz que, no caso de ataques, as pessoas não devem matar o animal. “As pessoas devem saber a procedência do cão. Para se ter uma informação precisa, o animal deve ser observado. SE apresentar modificações em seu comportamento, como agressividade acima do normal, ele pode ser portador da raiva. Muita gente, entretanto, tem o costume de agredir o cão, ou mesmo sacrificá-lo, o que não deve ser feito em hipótese alguma”, concluiu a enfermeira.
O que é Raiva
A Raiva também conhecida como hidrofobia é uma doença causada por um vírus da família rhabdoviridae, gênero Lyssavirus. O agente causador da raiva pode infectar qualquer animal de sangue quente, porém só irá desencadear a doença em mamíferos, como, por exemplo, cachorros, gatos, ruminantes e primatas (como o homem).
O vírus da raiva tem um método de transmissão especialmente interessante, pois a infecção de novos hóspedes por mordida depende da sua capacidade de provocar agressividade no doente. Ele o faz através de infecção dos centros nervosos do cérebro que controlam os comportamentos agressivos.
Todos os anos, cerca de 10 milhões de pessoas recebem vacina após terem sido mordidas por animais selvagens. Cerca de 40.000 a 70.000 pessoas não vacinadas morrem todos os anos.
O vírus está presente na saliva do animal e é introduzido nos tecidos após a integridade da pele ficar comprometida pela mordida. A progressão nos animais é semelhante à dos seres humanos. Os animais selvagens perdem o medo e os mais dóceis animais de estimação tornam-se agressivos. Há casos comprovados, mas raros, de transmissão por aerossóis de dejetos de morcegos que se depositam em mucosas intactas (boca, olho, nariz). Outros casos mais raros ainda foram transmitidos após transplantes de órgãos infectados.
Fases de contaminação
Na fase inicial, há apenas dor ou comichão no local da mordidela, náuseas, vômitos e mal estar moderado (“mau humor”). Na fase excitativa que se segue, surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe com dores excruciantes na deglutição, mesmo que de água. O indivíduo ganha por essa razão um medo irracional e intenso ao líquido, chamado de hidrofobia (por isso também conhecida por este nome).
Logo que surge a hidrofobia, a morte já é certa. Outros sintomas são episódios de hostilidade violenta (raiva), tentativas de morder e bater nos outros e gritos, alucinações, insônia, ansiedade extrema, provocados por estímulos aleatórios visuais ou acústicos. A morte acontece, na maioria dos casos, após cerca de quatro dias. Numa minoria de casos, após esses quatro dias surge antes uma terceira fase de sintomas, com paralisia muscular, asfixia e morte mais arrastada.
Em todo o mundo, somente 3 casos da doença tiveram um desfecho positivo, ou parcialmente positivo: um nos Estados Unidos da América, outro na Colômbia e o terceiro e mais recente no nordeste do Brasil, sendo que os pacientes eram adolescentes entre 8 e 16 anos. Os Sintomas são divididos em incubação, Pródromos, encefalite, cama e óbito.
Em 2004, uma adolescente americana infectada pela raiva foi curada com um tratamento desenvolvido por médicos de Milwaukee (EUA). O tratamento é baseado em coma induzido e utilização de um antiviral. Desde então, o mesmo tratamento foi repetido em outras 16 pessoas no mundo, mas apenas a adolescente de Milwaukee sobreviveu.
Em 2009, o adolescente Marciano Menezes da Silva, obteve o diagnóstico de cura da raiva pelo hospital Oswaldo Cruz. Seu tratamento foi feito através do Protocolo de Milwaukee. Foi a primeira cura comprovada doença no Brasil. O menino contraiu a doença em 2008, após ser mordido por um morcego enquanto dormia.
– O que fazer quando agredido por um animal?
- Lavar imediatamente o ferimento com água e sabão.
- Procurar com urgência o Serviço de Saúde mais próximo.
- Não matar o animal, e sim deixá-lo em observação durante 10 dias, para que se possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva.
- O animal deverá receber água e alimentação normalmente, num local seguro, para que não possa fugir ou atacar outras pessoas ou animais.
- Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, voltar imediatamente ao Serviço de Saúde.
- Nunca interromper o tratamento preventivo sem ordens médicas.
- Quando um animal apresentar comportamento diferente, mesmo que ele não tenha agredido ninguém, não o mate e procure o Serviço de Saúde.