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15/04/2010
O padre José Afonso Dé, de 74 anos, acusado de pedofilia em Franca, voltou a alegar inocência no caso, nesta terça-feira (14).
Acompanhado dos advogados durante uma entrevista coletiva, o religioso que tem nove filhos adotivos e 18 netos, disse que não vai renunciar ao sacerdócio, já que existe uma hierarquia a ser respeitada na igreja. Ele só deve deixar o cargo, caso o bispo Dom Pedro Luiz Stringhini decida por essa opção. É o bispo quem tem a responsabilidade de informar ao representante do papa no Brasil sobre o ocorrido em Franca.
José Afonso Dé afirmou que por ser uma pessoa afetuosa e gostar de abraçar e beijar as pessoas, os carinhos feitos podem ter sido interpretados de uma maneira errada pelos coroinhas. “Eu nunca me aproximei de um menino com a intenção de manifestar desejos sexuais por ele”, disse.
Ele afirmou ainda que, há alguns anos, passou por várias cirurgias na próstata e que exames médicos podem comprovar que ele teve a libido afetada e, portanto, não tem desejo sexual algum. Em nenhum momento da entrevista, ele manifestou nervosismo e respondeu a todas as perguntas feitas pelos jornalistas.
Perguntado sobre as visitas a casa dele, citadas pelos coroinhas nos depoimentos, o padre José Afonso, negou que costumava receber os garotos, mas disse que algumas visitas aconteceram em janeiro deste ano, quando um outro padre esteve na paróquia. “Eu moro aqui há 20 anos e nunca tive o hábito de levar esses jovens para minha casa. O que aconteceu é que em janeiro hospedei um outro sacerdote em minha casa e como os meninos gostaram dele, este convidado comprava doces e refrigerantes para os meninos, que iam para lá conversar”, disse.
O padre explicou ainda o que era a brincadeira do pirulito citada pelos adolescentes. “Como eu sempre gostei do palhaço Pirulito, que sempre levou alegria a todos, eu chego perto das pessoas e digo ‘Olha o pirulito’. Mas não falo isso apenas para os coroinhas, é para todo mundo”, completou.
O religioso está afastado das suas atividades e vive hoje uma espécie de prisão domiciliar.
Inquérito
O inquérito policial que cita o padre José Afonso Dé deve ser encaminhado ao Ministério Público até o final desta semana. Segundo a delegada Graciela Ambrósio, da Delegacia de Defesa da Mulher, a prisão do religioso não foi decretada, porque além de se comprometer a colaborar com a investigação, ele está afastado de suas funções desde março deste ano e não oferece risco às vítimas.
Ele foi indiciado pelos crimes referentes a estupro e práticas sexuais com menores de idade. Sete garotos com idades entre 12 e 16 anos, que afirmam terem sido vítimas do religioso já prestaram depoimento no caso. A defesa tem onze pessoas dispostas a depor a favor do padre.
Ainda segundo a delegada Graciela, as afirmações dos jovens além de convincentes, são muito parecidas. Os garotos dizem que foram beijados na boca à força, mas também há relatos de ex-seminaristas que afirmam ter sido molestados há cerca de 14 anos.