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23/04/2010

SÍNDROME DE TOURETTE FOI DESCOBERTA EM 1825

Kasey Keller, goleiro da equipe e da seleção dos Estados Unidos, que sofre com essa síndrome

Desordem neurológica afeta fala e pode causar tiques, mais freqüentes na infância e adolescência

Síndrome de Tourette é uma desordem neurológica ou neuroquímica caracterizada por tiques involuntários, reações rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorrem repetidamente da mesma maneira. Esses tiques motores e vocais mudam constantemente de intensidade e não existem duas pessoas no mundo que apresentem os mesmos sintomas. A maioria dos portadores é do sexo masculino.

A história da síndrome de Tourette data do início do século XIX. Seu nome vem de Gilles de la Tourette, médico francês. Na verdade, outro médico francês, Jean Marc Gaspard Itard, registrou o primeiro caso da síndrome em 1825. Ele descreveu os sintomas da marquesa de Dampierre, uma nobre de 80 anos, que sofria de movimentos e vocalizações repetitivas desde os 7 anos.

Em 1885, Gilles de la Tourette publicou “Estudo de uma enfermidade nervosa”, no qual relatou o caso de nove pacientes de um hospital francês que se afligiam com movimentos involuntários. Assim, a “doença do tique” se tornou conhecida como a síndrome de Gilles de la Tourette.

Até o século 20, não houve nenhum progresso real quanto à definição e ao tratamento da síndrome de Tourette. Hoje, sabe-se que essa síndrome tem origem genética e geralmente apresenta seus primeiros sinais entre os 6 e os 7 anos e sempre antes dos 18. Os tiques são mais graves dos 8 aos 12 anos e diminuem acentuadamente depois disso. A síndrome é uma herança dominante e tem cerca de 50% de chance de ser passada de pais para filhos.

Também sabe-se que os garotos tendem a ter a síndrome de Tourette três a quatro vezes mais freqüentemente que as garotas. As pessoas que têm o gene não necessariamente sofrem de uma forma perceptível da síndrome de Tourette. Elas podem sofrer de uma forma amena da doença, que acaba passando despercebida, ou podem vir a não desenvolver quaisquer sintomas.

Doença não tem cura

“Não há cura para a síndrome de Tourette, mas existem várias maneiras de controlá-la. Os tratamentos incluem terapia comportamental, medicações diárias e neuroestimulação. O tipo de tratamento depende do quanto a síndrome afeta a vida do paciente”, explica a psicóloga ituveravense Lívia Maria Ferreira da Silva, 26 anos.

Segundo ela, a terapia cognitivo-comportamental pode ser útil em pacientes que sofrem da síndrome. “Mudanças comportamentais incluem técnicas de relaxamento que aliviam os fatores de estresse e podem ajudar a reduzir a freqüência dos tiques”, ressaltou a psicóloga, que é formada pela Universidade Estadual de Londrina em 2006, especialista em Gestão em Recursos Humanos pela PUC, especialista em Psicopedagogia e Educação Infantil, e formação clínica em Análise do Comportamento.

Causas da doença

Os cientistas não têm certeza sobre as causas da síndrome de Tourette e de muitas outras doenças cerebrais. Sabe-se que é hereditária, na maioria dos casos, mas não se conhece o modo exato como ela é herdada. Os cientistas ainda não descobriram um gene específico da síndrome de Tourette, mas em um aspecto eles parecem concordar: os tiques da síndrome resultam de anomalias no cérebro. Especificamente, eles apontaram doenças no tálamo, gânglios da Base e córtex frontal do cérebro e também disfunções nos neurotransmissores entre as células nervosas do cérebro.

Os cientistas suspeitam dessas partes do cérebro em razão de seus papéis na função cerebral. O tálamo atua na transmissão das informações sensoriais e motoras para o córtex cerebral e para o tronco cerebral. O glânglio basal está localizado na base do cérebro e atua na coordenação dos movimentos motores. Portanto, as desordens do glânglio basal geralmente resultam em um paciente cujos movimentos são involuntários e ocorrem inesperadamente.




São vários os sintomas da síndrome de Tourette

Uma grande quantidade de sintomas pode ser atribuída à síndrome de Tourette. Alguns dos mais conhecidos, como os surtos de obscenidades, são, porém, os mais raros. Os sintomas mais comuns geralmente são movimentos normais, como o piscar repetido dos olhos. Alguns sintomas podem ser tão sutis que alguns observadores não os notariam.

“A maioria dos pacientes com síndrome de Tourette precisa de medicação somente se e quando seus sintomas interferem de maneira importante em seu dia-a-dia. Os médicos geralmente evitam receitar remédios por várias razões: efeitos colaterais, grande variação na gravidade dos tiques do paciente e o fato de a maioria dos tiques poder ser controlada com apoio e conscientização”, afirmou Lívia.

A psicóloga ressalta ainda que mesmo não havendo medicamentos específicos para a supressão dos tiques, os médicos podem prescrever vários tipos de remédios, com diferentes graus de sucesso, para o controle dos sintomas da síndrome de Tourette. “No grupo dos medicamentos utilizados no tratamento dos portadores de transtornos de tiques, encontram-se os antidepressivos tricíclicos, usados também no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade associados”, complementou.

Entidades

Já existem entidades que auxiliam as pessoas diagnosticadas com esta síndrome. A Associação da Síndrome de Tourette é uma entidade norte-americana, fundada na década de 1970, que reúne pacientes com ST e seus familiares. Esta associação desenvolve materiais educacionais destinados a professores e se dedica ao desenvolvimento de pesquisas e divulgação científica sobre ST, financia pesquisas, promove congressos e reúne os maiores pesquisadores mundiais da área. Além disso, mobiliza milhões de dólares por ano para pesquisas e tratamento da ST.


Em 1996, foi criada no Brasil a Associação de Pacientes com Síndrome de Tourette, Tiques e Transtorno Obsessivo-compulsivo (ASTOC), que tem como objetivos divulgar e informar médicos e pacientes sobre a patologia, arrecadar doações para a formação de um fundo de pesquisa, que atenda às necessidades e interesses dos portadores da síndrome, incluindo a área de socialização dos pacientes, que é amplamente assistida pela associação.

A ASTOC, localizada em São Paulo, já tem núcleos em formação em outros estados do país.

Pessoas famosas com a síndrome de Tourette

Mahmoud Abdul-Rauf, ex-jogador da NBA


Dan Aykroyd, ator
Pete Bennett, personalidade do reality show “Big Brother”


James Boswell, autor
Brad Cohen, professor e autor premiado
Jim Eisenreich, ex-jogador de beisebol da Liga Profissional


Tim Howard, goleiro do Manchester United Football Club
Samuel Johnson, autor do século XVIII do “A Dictionary of the English Language”


Mozart, compositor (isso foi questionado, mas continua gerando muita especulação)
Michael Wolff, músico de jazz

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