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13/05/2010
Um impasse entre a prefeitura e o Sindicato dos Servidores Públicos de Ribeirão Preto sobre o abono salarial proposto aos médicos e dentistas da rede municipal atrasa ainda mais a solução para a crise nos postos de saúde da cidade.
Segundo o presidente do sindicato Wagner Rodrigues, a proposta de aumento apenas para os profissionais da saúde é injusta, já que eles integram a categoria dos servidores públicos municipais e, portanto, o bônus deve abranger a todos os funcionários.
A prefeitura alega que a proposta não se trata de reajuste salarial. “O que foi enviado à câmara para votação é uma lei geral em que se pretende dar um prêmio incentivo sobre a produtividade. No momento, existe a implantação de um modelo baseado em resultados”, disse o secretário de Administração, Marco Antonio dos Santos.
A demora no atendimento e os postos de saúde superlotados são alvos de reclamação constante da população de Ribeirão Preto. Além disso, a cidade enfrenta a pior epidemia de dengue da sua história, com 16.330 casos confirmados da doença em 2010.
Votação
Na noite de terça-feira (11), a Câmara de Vereadores adiou a votação do projeto por falta de quórum parlamentar. Durante a sessão, o plenário ficou lotado de servidores que se manifestaram a favor do reajuste para a toda a categoria.
A medida que já deveria ter sido votada na semana passada, prevê que a partir de maio, os médicos da rede municipal passem a receber um salário bruto no valor de R$ 4,8 mil. O plano de incentivo ainda prevê uma garantia de prêmio por produtividade de R$ 800 e se os profissionais atingirem a meta estipulada de acordo com a demanda, o acréscimo pode chegar a R$ 1 mil. A decisão ainda prevê o recebimento de R$ 86 para os profissionais que não faltarem ao trabalho.
O projeto continua na pauta da câmara e deve passar por nova discussão.
Crise
A própria Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto afirma que não faltam médicos no pronto atendimento da rede municipal, mas que há uma forma inadequada de trabalho.
Em abril, quando estourou a crise no sistema, especialistas apontaram a falta de gerenciamento como o principal problema nos postos. O professor da faculdade de Medicina da USP José Sebastião dos Santos, que tem vários estudos sobre o atendimento de emergência em Ribeirão Preto, afirmou, com base em números da prefeitura, que não faltam médicos, nem dinheiro e que o recebimento de pacientes da região sempre foi uma característica da cidade, como pólo regional no setor de medicina, se referindo às declarações da prefeita Dárcy Vera, que aderiu a crise ao fato das cidades vizinhas enviarem muitos pacientes para Ribeirão.
“O apoio à região é histórico, é conhecido, tem os seus mecanismos de compensação que podem ser revistos a qualquer momento. O grande determinante da sobrecarga do pronto atendimento no município é a falta de organização nos postos de saúde”, afirmou.
Em Ribeirão Preto, há mais de 600 médicos contratados, índice que está acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que é de um médico para cada mil habitantes. “É preciso organizar o trabalho dos profissionais. Hoje eles fazem o que querem, quando, quanto e como querem. Não há controle”, afirmou Santos.