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15/06/2010

MARINA CRITICA POLÍTICA DE ENERGIA, MAS DIZ QUE ´MANTERÁ AVANÇOS´

Marina Silva, durante entrevista ao programa Roda Viva. (Foto: Reprodução/TV Cultura)

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, declarou em entrevista no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, nesta segunda-feira (14), que “houve avanços nos últimos 16 anos", que eles serão mantidos, mas que ainda "há muito a ser perseguido".

“Não vou fazer o discurso fácil da oposição pela oposição, de atacar o adversário do jeito que der”, disse em resposta a uma pergunta sobre a política de energia do atual governo.

Segundo Marina, é importante reconhecer, por exemplo, que houve avanço na área energética após a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), mas, na sua opinião, ainda falta planejamento para o setor. "Tivemos ameaça de apagão no governo do presidente Fernando Henrique. No governo do presidente Lula, a gente sofre o tempo todo essa ameaça de apagão. Isso tem um nome "falta de planejamento", afirmou.

Apesar da crítica à política de energia, Marina destacou, algumas vezes, pontos positivos dos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, chegando a elogiar ambos. Sobre o primeiro, declarou que o Plano Real só foi possível, pois FHC não assumiu apenas o papel de “gerente” do país. Já sobre Lula, a candidata do PV afirmou que o petista quebrou o paradigma de que era preciso primeiro crescer para depois distribuir. “Ele provou que foi distribuindo que conseguimos crescer”.

Segundo Marina, o seu adversário tucano, José Serra, já sinalizou que terá uma posição oposicionista ao atual governo na corrida presidencial. Já a petista Dilma Rousseff deixa claro que pregará a continuidade. E que ela se colocará como uma terceira via, enfatizando que Lula precisa ter "um sucessor".

Ela chegou a ser indagada se não era, então, candidata da oposição. Em resposta, a representante do PV disse que "não trabalha com rótulos” e que quer estabelecer o diálogo. “Não estamos nem à esquerda, nem à direita. No governo Fernando Henrique, quando havia uma proposta que considerava boa, votava a favor. Foi assim quando foi criada a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira)”, exemplificou.

A candidata verde disse que pretende, se vencer as eleições, construir uma maioria no Congresso com o PT e o PSDB. Segundo ela, essa “construção nunca foi tentada” e que é preciso fazer um “realinhamento histórico” entre os dois partidos. “Nós precisamos acabar com os intermediários políticos. Precisamos dos mediadores políticos, como Cristovam Buarque (PDT-DF) e o Pedro Simon (PMDB-RS)”.

Agenda do governo e temas polêmicos
No programa, Marina falou sobre alguns temas da agenda do governo. Sobre o reajuste dos aposentados, afirmou que sancionaria o aumento de 7,7% “para que haja reparação”. Mas vetaria o fator previdenciário.

Já acerca da atuação do Brasil em relação ao Irã, falou que “não se pode criticar o diálogo”. No entanto, disse que se trata de uma “situação preocupante”, pois o Irã desrespeita os direitos humanos.

A candidata também não fugiu dos temas polêmicos, como o aborto e a união civil dos casais gays. Sobre o aborto, reafirmou que é contrária, mas defende um plebiscito sobre o tema. Porém, voltou a afirmar que é contrária ao casamento de homossexuais, apesar de reconhecer o direito de deles de ter "uma união civil de bens".

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