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ELEIϿ�Ͽ�ES 2010

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18/08/2010

DEBATE: SERRA CRITICA FISIOLOGISMO DO PMDB NO GOVERNO; MARINA SOBE O TOM E ATACA ADVERSÁRIOS

No debate realizado pela "Folha de S. Paulo" e pelo UOL nesta quarta-feira, o candidato do PSDB, José Serra, aproveitou a pergunta sobre cargos no governo para atacar o fisiologismo do PMDB, sem citar o nome do partido, no governo Lula. Em São Paulo, o PMDB apoia a chapa tucana.

- Loteamento chegou em todas as esferas. Na saúde, a Funasa que é tão importante foi praticamente jogada no chão pelo loteamento político, gente que não tem nada a ver, corrupção, um descalabro. Veja agora o que aconteceu com os Correios, tudo loteado, entre partidos e setores e grupos de deputados, da maneira mais clara possível, baixando muito o nível da política brasileira, e desmoralizando a administração pública.

E completou:

- Não vou fazer isso. Não fiz isso no Ministério da Saúde, uma das primeiras coisas que fiz foi limpar a Funasa. É preciso dar um "choque" no Brasil nessa matéria e por fim a esse troca troca desavergonhado.

Marina também aproveitou para fazer nova crítica:

- Estou vendo o debate ir para um caminho que não é bom para o Brasil. É uma discussão sempre para a acusação do que não foi feito. É sempre o passado que está presente como um fantasma, mas devemos discutir o futuro. Eu fui a única que tive liberdade de escolher o meu vice.

Já a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) teve de esclarecer, durante o bloco dedicado a perguntas de internautas, sua posição sobre aborto. A candidata disse defender o cumprimento da legislação do aborto (em casos de estupro ou risco de vida) e da legislação de proteção da mulher.

- Não é questão de foro íntimo. Eu pessoalmente não sou a favor, mas acho que o Brasil tem que ter uma política de saúde pública que permita que a mulher seja protegida - afirmou a petista.

Serra coloca em dúvida promessa de Lula de se dedicar à reforma política após mandato

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, colocou em dúvida nesta quarta-feira, no terceiro bloco do debate promovido pela "Folha de S. Paulo" e pelo UOL, o compromisso feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que, após deixar o governo, ele se dedicará à aprovação de uma reforma política para o país.

- Se o Lula não fez em oito anos a reforma política, você acha que ele vai fazer quando deixar o mandato? De jeito nenhum. Vamos fazer nós, quando eu chegar lá - afirmou o tucano, no encontro realizado no Teatro TUCA, em São Paulo.

A reação de Serra foi uma resposta à pergunta feita pela presidenciável do PV, Marina Silva, que questionou o fato de o tucano ser contra a convocação de uma assembleia constituinte especial para discutir os termos de uma reforma política, defendida por ela e por Dilma Rousseff (PT). A verde disse que nem Dilma, nem Serra, farão uma reforma política porque as composições partidárias que sustentam nesta eleição são as mesmas que fizeram parte dos governos de Fernando Henrique Cardoso e de Lula.

- Essas reformas não sairão do papel se as composições políticas forem as mesmas. A composição da Dilma é a mesma que interditou a reforma política no governo Lula. A composição de Serra é a mesma que interditou a reforma política e a previdenciária nos oito anos do Fernando Henrique

Dilma e Serra trocam acusações sobre vazamentos do Enem e de sigilos

No início do segundo bloco do debate promovido pela Folha/UOL no Teatro TUCA, em São Paulo, nesta quarta-feira, o clima de embate foi mantido, com troca direta de acusações, levantadas por José Serra (PSDB), que usou a questão do vazamento do Enem para tentar emplacar o conceito de que o PT no governo não tem controle sobre dados sigilosos. A partir desse gancho, lembrou e acusou diretamente a campanha de Dilma Rousseff (PT) pelo vazamento de dados fiscais sigilosos de Eduardo Jorge.

- O vazamento nos leva a outra questão, mas na verdade vocês quebraram o sigilo bancário de um vice-presidente do PSDB e mais ainda, passaram esse resultado do seu comitê para a Folha - disse Serra.

Dilma afirmou que isso era calúnia e lembrou que o PT está processando quem espalhou essa acusação.

- Nós processamos aqueles que falavam que nós vazamos qualquer coisa. Não se pode caluniar. Democracia nós conquistamos com muito esforço. Preservá-la significa garantir que quem acusa tem de provar.

Serra falou que o governo permitiu que o Enem fosse "desmoralizado".

- Eu acho um verdadeiro absurdo um candidato a presidente vir aqui dizer que o Enem está desmoralizado porque uma gráfica que está sendo objeto de investigação da Polícia Federal vazou as provas - disse Dilma, que depois se corrigiu e elogiou a gráfica, que pertence ao grupo Folha, que organiza o debate.

- Gráfica essa que é respeitável, que é uma gráfica conceituada, de grande porte.

Dilma também lembrou que até o governo dos Estados Unidos sofre com vazamento de dados, a exemplo dos relatórios que vieram a público sobre a guerra no Afeganistão.

Serra também retrucou, chamando de "mentira" que o governo FHC deixou uma proibição de construção de escolas técnicas - na realidade, uma lei só permitia a construção dessas escolas se estado e município arcassem com custeio.

- É mentira o que vocês estão divulgando o tempo inteiro - disse Serra.

Em debate, presidenciáveis divergem sobre reforma política

No primeiro bloco, os três principais presidenciáveis divergiram sobre como realizar a reforma política, caso sejam eleitos. Questionada por Marina Silva (PV), Dilma concordou, mas não "fechou questão" com a possibilidade de uma constituinte exclusiva.

- Uma constituinte exclusiva seria uma forma de ter um conjunto de pessoas escolhidas e eleitas, sem interesse específico na matéria, porque não continuariam, para legislar sobre a questão eleitoral. Mas não fecho somente nessa questão - disse Dilma.

Marina aproveitou para se contrapor ao PT e PSDB, lembrando que os dois governos, de Lula e Fernando Henrique, não conseguiram executar essa tarefa:

- Com Lula agora, já são dois ex-presidentes que tentaram e não foi possível. Isso não foi possível porque a confirmação das alianças que constituem a base de sustentação dos dois ex-presidentes, que constituem o processo, levam a uma série de benefícios contrários ao interesse público.

Serra aproveitou sua oportunidade de perguntar para opinar sobre a questão também, e atacou a proposta de constituinte:

- Essa história de constituinte especial, a minha experiência mostra que acaba não levando em nada. O que tinha que fazer, se é que vocês estão de acordo, é implantar o voto distrital puro para cidades com até 200 mil habitantes já na próxima eleição. Se der certo, isso vai inocular o vírus benigno do voto distrital no país.

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