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20/08/2010

RIO PARDO MAIS SUJO

Meio ambiente Índice que mede partículas sólidas no rio mais que dobrou de um ano para o outro na região

O Rio Pardo está mais sujo. A quantidade de partículas sólidas na água do rio Pardo mais do que dobrou de 2008 para 2009. O índice de turbidez (que, quanto maior é, mais inibe a produtividade de peixes) passou de 20 para 47 pontos. Isso significa que há mais material inorgânico —areia, argila e sujeira de forma geral— e detritos orgânicos, como algas e bactérias.

O índice é calculado a partir da passagem de luz pelas águas e um dos sinais a serem percebidos é a cor: quanto mais escuro, mais o rio contém partículas sólidas. As informações constam no Relatório de “Qualidade das Águas Superficiais do Estado de São Paulo”, da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgado nas últimas semanas. Os dados ainda apontam que o índice de nutrientes no Rio Pardo foi considerado moderado na média anual de 2009 a partir das medições realizadas durante o ano passado. Isso quer dizer que há crescimento de plantas aquáticas e que o rio suporta espécies de peixes de águas mais quentes.

Segundo o gerente da Agência Ambiental de Ribeirão-Cetesb, Marco Artuzo, ter o índice moderado pode ser reflexo do saneamento nas cidades da região da Bacia do Pardo. “As estações de tratamento de esgoto na região têm melhorado e reduziram os materiais orgânicos dessa origem”, afirmou.

Mas o esgoto não é a única fonte de liberação de partículas sólidas que pode comprometer a qualidade das águas. De acordo com Artuzo, o período da medição também pode afetar os resultados das medições. “Se a coleta é feita em uma Área de Proteção Permanente não recuperada, isso afeta os dados. Além disso, se a avaliação é feita em um período de precipitação grande, pode haver o carregamento de resíduos”, disse.

A quantidade de partículas nas águas e o índice de nutrientes podem ser revertidos a partir de ações da sociedade. Para Artuzo, Ribeirão caminha bem no processo de preservação de seus rios. “Não estamos no desejado, mas caminhamos positivamente com os programas de saneamento que evitam o despejo nos corpos d’água.”

Poluição em uma cidade pode chegar até outra

A contaminação de um rio em uma cidade pode afetar a qualidade de vida em outros locais. Isso porque um corpo d’água deságua em outro e pode levar os resíduos a cidades diferentes. Por esse motivo, a preservação e a manutenção dos rios é fundamental. Para Wilson Jardim, professor do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o aspecto da saúde pública deve ser considerado pelas pessoas para que não poluam as águas. “A cólera se deu justamente porque havia a mistura de esgoto com água. A estrutura de comunidade que deve ser respeitada”, afirmou.

Parte das águas superficiais no País é utilizada para abastecimento público, mas esse não deve ser o único motivo a ser analisado. “Não devemos preservar apenas para suprir a necessidade das pessoas, mas para manter as comunidades aquáticas. Há 56 anos era possível nadar no Ribeirão Preto. Hoje é um córrego e muita gente acha isso normal. Não podemos achar e devemos nos preocupar com as melhorias”, disse Jardim.
Gazeta de Ribeirão

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