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20/08/2010

MÉDICO FALA SOBRE TRANSPLANTE DE MEDULA COM CÉLULAS-TRONCO

Hospital das Clínicas de Ribeirão é o terceiro do interior do Estado a realizar este tipo de procedimento

Neste mês, mais um importante passo na luta pela vida foi dado. A Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), da USP, realizou, dia 3 de agosto, o primeiro transplante não aparentado de células-tronco hematopoéticas de Ribeirão Preto e região.

Foi diagnosticado em um paciente de dois anos e nove meses de idade – um tipo raro de leucemia – ele recebeu as células de um cordão umbilical compatível, encontrado no Banco de Sangue de Cordão do Instituto Nacional do Câncer (INCA), integrante da rede BrasilCord.

O HCFMRP é o terceiro hospital do interior do Estado de São Paulo a realizar este tipo de procedimento. "Intervenções semelhantes já são realizadas no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, e no Hospital das Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), há alguns anos", aponta o médico.

A Unidade de Ribeirão Preto realiza transplantes de medula óssea desde 1991, através de doação de familiares compatíveis; com células-tronco do próprio paciente (autólogo) e mais recentemente de familiares com 50% de compatibilidade (TMO haploidêntico).

Em entrevista exclusiva à Tribuna de Ituverava, o coordenador da Unidade, Júlio César Voltarelli, 61 anos, explicou que o HC foi credenciado para o novo tipo de procedimento no segundo semestre de 2008. "Tanto para a medula óssea como para o cordão nós vamos poder oferecer este transplante que nós chamamos de não aparentado e não familiar", destacou o médico, que é formado na Faculdade de Ribeirão Preto desde 1972, com três estágios de pós-doutorado nos EUA (em 1985, 1987 e 1999). Ele também foi fundador e coordenador da Unidade de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HCFMRP, em 1992.

Voltarelli é amigo e colega do médico radiologista ituveravense José Antônio Hiesinger Rodrigues, que é professor da Faculdade de Medicina da USP e médico-assistente do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e, sempre vem a Ituverava, o que é uma honra para a cidade.

Veja, abaixo, a íntegra da entrevista:

Tribuna – Onde e quando o transplante foi feito? Quais foram os motivos que levaram ao procedimento?
Júlio César Voltarelli – O transplante da criança de 6 meses portadora de imunodeficiência combinada grave foi realizado na Unidade de Transplantes de Medula Óssea do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, há cerca de um mês, devido ao fato da doença ser incurável, e ter ocasionado o óbito de dois irmãos do paciente.

Tribuna – Neste caso delicado, de onde pode vir a doação de medula óssea? Como ela é coletada? De que forma o paciente a recebe? Qual foi a dificuldade em encontrar a medula compatível? Quanto tempo demorou?
Voltarelli – As células-tronco para o transplante podem ser obtidas de doadores familiares ou não-aparentados, ou seja, de bancos de medula óssea ou de células do cordão umbilical. No caso desta criança, foi encontrado um cordão umbilical parcialmente compatível, nos Estados Unidos, após três meses de busca.

Tribuna – De que forma foi feito o transplante? Como foi o procedimento utilizado?
Voltarelli – O procedimento do transplante é muito simples: as células são injetadas dentro do sistema venoso do coração, através de um cateter venoso central.

Tribuna – Por que a técnica foi considerada inovadora?
Voltarelli – Porque foi a primeira vez que transplantamos uma criança tão pequena na Unidade de TMO do HCFMRP.

Tribuna – Com o transplante, qual é o potencial de cura do paciente?
Voltarelli – É bastante alto, entre 80 a 90%, se não surgirem complicações inesperadas.

Tribuna – Quando o procedimento poderá ser utilizado em outros pacientes? Quanto custará para eles?
Voltarelli – Outras crianças pequenas com doenças genéticas curáveis pelo transplante poderão ser tratadas, sem custo nenhum, pois o procedimento, incluindo a busca do cordão umbilical ou da medula óssea do exterior, é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Tribuna – Seria interessante uma campanha intensiva, a nível nacional, para esclarecer a simplicidade da coleta de medula, para que houvesse mais doadores?
Voltarelli – Essas campanhas são feitas periodicamente e surtem bons resultados.

Tribuna – Qual é o estágio atual das pesquisas de utilização de células-tronco, no tratamento de doenças como diabetes, cardiopatias pós-infartos, doença de Parkinson, entre outras?
Voltarelli – Está se procurando, inicialmente, mostrar que as células-tronco têm potencial terapêutico nessas doenças, o que não está, ainda, comprovado.

Tribuna – O paciente readquire condições de vida normal?
Voltarelli – No primeiro caso, da criança com imunodeficiência, sim, mas no caso das outras doenças (diabete, infarto do miocárdio, mal de Parkinson), as respostas ainda são parciais e, muitas vezes, transitórias.

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