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20/08/2010
O papa João Paulo II, que perdoou o turco Mehemed Ali Agca por tentar matá-lo com três tirosEm enquete realizada pela Tribuna de Ituverava, doze pessoas afirmam que se todos perdoassem, o mundo seria melhor
Perdoar é divino! Quem nunca ouviu esta célebre frase? A verdade é que nunca o perdão tem sido tão exercitado pela humanidade, quanto nos tempos atuais. Aliás, pode-se dizer que o perdão hoje é encarado como condição imprescindível de aprimoramento espiritual e intelectual.
Reconhecer os erros é a chave para ofendidos e ofensores afastarem as angústias causadas pelos problemas do passado. Entretanto, para haver perdão, é necessário, primeiramente, ter o arrependimento sincero por parte de quem magoou, e a disposição para apagar ressentimentos, do lado ofendido.
Talvez um dos maiores exemplos de perdão que a humanidade conhece – depois de Jesus Cristo, é claro – foi o papa João Paulo II, que perdoou o turco Mehemed Ali Agca por tentar matá-lo com três tiros, a uma distância de sete metros. Socorrido a tempo o pontífice foi operado e salvo. João Paulo chegou a ir à prisão onde Ali Agca cumpria pena e, num gesto nobre e único, o perdoou.
A transformação pessoal, associada ao ato de perdoar ou de ser perdoado é positiva, não só para as relações humanas, mas também para a saúde dos envolvidos. “A fé me ajudou a acreditar que conseguirei compensar uma parte dos meus erros. Eu procuro desapegar de desejos normais, por exemplo, um dos meus maiores caprichos era ser admirados e ter sucesso. Não tem sido fácil para mim, mas eu tenho lutado muito para abandonar a vaidade”, disse, em entrevista à “Revista Veja!”, o ex-ator Guilherme de Pádua, que com a esposa Paula Thomaz, em 1992, assassinou a atriz Daniella Perez. Hoje, ele é obreiro convertido à Igreja Batista. Entretanto, confessou que sua “grande ambição” é que a mãe de Daniella, a novelista Glória Perez, pudesse lhe perdoar.
Privilégio
“Perdoar é para poucos. Muitas vezes, as pessoas confundem a aceitação de um fato, o que não é necessariamente o perdão total à mágoa, pois, lá no fundo, fica uma rusga, um resquício pequeno daquele fato”, disse a psicóloga ituveravense Ana Silvia Barbosa Sberni, que não recrimina tal aceitação. “Muitas vezes, se ela puder proporcionar uma qualidade melhor de vida e de relacionamento entre as partes envolvidas, já é um grande lucro. Mas é claro que devemos ressaltar sempre que o perdão é um sossego interno, e que existem pessoas que conseguem perdoar em sua totalidade”, complementou
Ana Sílvia aplicou esta filosofia para si mesma. “Muitas vezes, já senti necessidade de perdoar e de pedir perdão. Em uma consegui perdoar, mas em outras, confesso, que aceitei o fato para viver melhor. Também constatei que, teve ocasiões que não fui perdoada. Infelizmente, não temos ainda o controle sobre impulso para poder ser uma pessoa melhor e, então, é preciso estar em constante vigilância”, aconselhou.
Para aqueles que buscam o perdão e não conseguem, Ana faz uma importante ressalva. “A sua parte já foi feita, devido ao arrependimento. Resta agora tocar a vida, tentar não repetir o erro e ‘agüentar’ o que virá do próximo”, concluiu.
Enquete
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas perguntar aos ituveravenses se são capazes de perdoar. Todos disseram que sim. “Acredito que poderia perdoar, e creio que o ato de perdoar traz paz de espírito. Ele é muito bom para quem recebe e se fosse propagado, teríamos mais paz no mundo”, defende o estudante João Paulo de Oliveira Santos, 19 anos.
Veja, abaixo, a íntegra das respostas: