Clique aqui para ver a previsão completa da semana
24/08/2010
Segundo dados federais, número de mendigos aumentou em RP; Prefeitura diz que há ‘oscilação’
A população de moradores de rua em Ribeirão Preto aumentou 25% em um ano. Dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) mostram que em janeiro de 2009 a cidade tinha pelo menos 300 pessoas vivendo nas ruas, ante 400 no mesmo período deste ano.
Em fevereiro deste ano, a Secretaria de Assistência Social informou que Ribeirão tinha cerca 200 moradores de rua. De acordo com a Prefeitura, a população flutuante de mendigos provoca oscilações entre os levantamentos, municipal e federal. “Essa população é nômade. Por isso existe esta diferença em números”, disse a assistente social da Prefeitura Maria Aparecida Ribeiro.
Dados do Central de Triagem e Encaminhamento do Migrante e Itinerante e Morador de Rua (Cetrem) mostram que a situação de vulnerabilidade social está em alta em Ribeirão. No primeiros seis meses deste ano, 1,5 mil passagens foram expedidas a migrantes que vieram à cidade em busca de de trabalho e não tiveram como voltar. “Muitos chegam, não encontram o trabalho que esperavam e acabam pelas ruas”, disse a coordenadora do Cetrem, Rosângela Duzzi Augusto.
Os números de moradores atendidos pelo Cetrem poderiam ser maiores, segundo Rosângela, caso a rejeição à central, por parte dos moradores de rua, não fosse tão grande. O morador de rua D.C, 45 anos, já foi pintor e auxiliar de cozinha. Em 2000, passou a viver nas ruas após ser expulso de casa pela mulher por fazer uso excessivo de álcool. “Sou dependente e não quero mais dar trabalho para ninguém, por isso vivo na rua.” Ele disse que não gosta de frequentar abrigos por não se adaptar a rotina do lugar. “Eles não me entendem e eu acabo saindo. Às vezes vou para outras cidade para não se abordado pela Cetrem”.
O sociólogo da Unesp de Bauru Ricardo Isaac disse que casos como o de D.C, precisam ser encaminhados aos Centos de Atenção Psicossocial e não para albergues públicos sem nenhum acompanhamento.
‘Exportar’ não é a solução
Esta semana a Prefeitura divulgou que enviou, em dois meses, 496 pessoas às suas cidades de origens. A maioria dos migrantes estão na cidade em condições de vulnerabilidade e sem perspectiva de emprego. Para o sociólogo Ricardo Isaac, a ação não é suficiente, uma vez que em pouco tempo parte dos migrantes estarão de volta. “O local de origem dessas pessoas não dá suporte para que eles fiquem lá. As oportunidades estão aqui.” Roberto Monteiro, 30 anos, chegou na Cetrem há quatro dias e já pensa em trazer mulher e dois filhos que estão no ABC Paulista para Ribeirão. “Em dois dias arrumei emprego na construção civil. Não quero sair daqui. Vou trazer minha família para cá”, disse. A assistente social Débora Romão explicou que em situações como esta o município deve orientar o migrante. “O emprego pode ser temporário e muitos gastos podem levar essas pessoas a situação de vulnerabilidade.” (LC)
O NÚMERO
400 mendigos viviam em RP no início do ano, segundo a União.