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15/10/2010
Multidão acompanhou cortejo pelas ruas centrais de Restinga na manhã de ontem: Cerimonial estima que cerca de 15 mil pessoas tenham passado pelo velório de Belão
Belão era um político carismático, irreverente e festeiro. As características que marcaram sua trajetória como prefeito de Restinga se misturaram ao sentimento de tristeza e comoção que se abateu sobre a cidade ontem. Seu velório e enterro tiveram como trilha sonora a música Vencedor, gravada em ritmo de axé pelo grupo Calcinha Preta e usada por ele na campanha eleitoral de 2008. O som de um berrante tocado por um peão amigo também esteve presente na despedida e lembrou a paixão de Belão pelas festas de rodeio. Uma bateria de fogos anunciou a saída do cortejo do ginásio de esportes e voltou a explodir no momento em que o caixão baixou à sepultura. Um caminhão do Corpo de Bombeiros foi usado para transportar as dezenas de coroas de flores - foram 57 no total - enviadas pelo Palácio do Governo, por políticos, amigos e empresas.
Belão e o servidor municipal Celso Cordeiro morreram vítimas de um acidente de trânsito segunda-feira à noite na Rodovia João Traficante, que liga Ibiraci a Franca. O prefeito e o amigo haviam jantado no rancho do vereador Claudinei Magrão, na região do Itambé, e retornavam para Restinga quando o carro oficial em que estavam capotou. As duas vítimas foram jogadas para fora e morreram a caminho do hospital.
Os corpos do prefeito e do servidor chegaram ao ginásio de esporte às 10h40 de terça-feira. Dezenas de pessoas já estavam do lado de fora esperando. O velório terminou às 9h30 de ontem. O cerimonial estima que cerca de 15 mil pessoas tenham passado pelo local para as últimas despedidas. Dezesseis prefeitos, inclusive, de cidades mineiras; o deputado reeleito, Gilson de Souza (DEM), dezenas de vereadores, secretários municipais e empresários se misturaram à multidão de populares que lotou as arquibancadas e a quadra. O cantor Rionegro, da dupla com Solimões, também foi dar o último adeus ao amigo.
Jair Aparecido Avelar, o Dilão, estava com o neto no colo. Com a cabeça completamente careca, lembrou-se do tempo em que usava o cabelo tipo “rabo de cavalo” como promessa. “Fiquei cabeludo por quatro anos. Eu prometi que só cortaria quando o Belão voltasse a ser prefeito. Foi ele quem cortou o meu cabelo em seu gabinete”. Ao lado dele, João Goiaca tocava um berrante e emocionava os presentes. “Eu falo de coração: ele era um verdadeiro amigo. A maior satisfação dele era ver o toque do berrante repicado. É muito triste tocar em sua despedida”.
Enquanto populares choravam e familiares se despediam do prefeito, caixas de som tocavam uma mistura de forró eletrônico com axé que marcou a campanha eleitoral de Belão. Pouco depois das 9 horas, os caixões deixaram o ginásio. “Ele saiu pela porta da frente rumo ao caminho do céu”, disse no microfone o diretor de comunicação da Prefeitura, Erismar Tanja.
Um mar de gente tomou as ruas centrais de Restinga para seguir o cortejo. O berrante repicou um som triste. Uma bateria de fogos anunciou que era hora da despedida. A música Vencedor voltou a ecoar e os populares marcaram o ritmo com palmas. Foi assim, com um clima de comoção e saudade, que Restinga se despediu do prefeito mais popular de sua história.
Fonte: Portal GCN