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22/10/2010

DIABETES DEVE CRESCER 65% EM VINTE ANOS NA AMÉRICA LATINA

Distúrbio compromete todo o organismo, podendo ocasionar infarto, derrame, alterações renais, visuais e outros problemas

Estima-se que 285 milhões de pessoas sofram de diabetes em todo o mundo, e que deve aumentar para 438 milhões em 20 anos. Na América Latina, o número estimado em 18 milhões deve crescer 65%, chegando a quase 30 milhões de casos, conforme dados apresentados no Diabetes Summit for Latin America, em julho deste ano, em Salvador. No Brasil – que junto com o México está entre os dez países com maior incidência do mundo –, a prevalência hoje é de 6,4% da população.

“As pessoas estão cada vez menos ativas, passam cada vez mais tempo no computador e na TV, portanto gastam menos calorias. Em paralelo, o consumo calórico só aumenta, à medida que a alimentação saudável fica mais cara e os itens ricos em gordura e açúcar, cada vez mais baratos”, diz Pierre Lefébvre, presidente do conselho de administração da WDF.

Lefébvre admite que o páreo é duro: “Somos uma voz pequena em comparação com o peso da indústria de alimentos, de computadores e de entretenimento, mas é preciso agir”, acredita. Para ele, o aumento da publicidade contra o tabaco, estimulado por ações governamentais como a restrição ao fumo em locais públicos, traz esperanças de que é possível conseguir avanços.

Diabetes e infecções

Uma das preocupações das autoridades em relação ao diabetes é que a doença abre caminho para uma série de outras enfermidades, especialmente as infecciosas. “O risco de ter tuberculose aumenta até três vezes entre diabéticos”, diz Anil Kapur, médico e diretor da WDF. Segundo ele, muitos pacientes não sabem que têm diabetes até receber o diagnóstico de tuberculose.

Kapur lembra ainda que os profissionais de saúde muitas vezes estão mais preparados para alertar os pacientes sobre o HIV, do que sobre o diabetes. E, inclusive, mais recursos são destinados para a prevenção do HIV, de acordo com o diretor da WDF. “Todo mundo conhece alguém que sofre de diabetes, mas é mais difícil conhecer alguém com Aids”, compara.

Os custos com a doença justificam a necessidade de prevenção: no Brasil, estima-se que os gastos diretos e indiretos totalizem US$ 23 milhões por ano. Para se ter uma idéia do quão mais barato seria investir em programas de prevenção, Kapur cita o exemplo dos cuidados que o diabético deve ter com os pés, para evitar feridas e infecções. São US$ 3 para educar o paciente, contra US$ 550 gastos em uma amputação e outros US$ 650 em uma prótese.

Ocorrência do diabetes atinge números alarmantes

A freqüência do diabetes está assumindo proporções epidêmicas, na maioria dos países. Alimentação saudável, controle do peso corporal e a prática regular de atividade física são a chave para o controle e prevenção da doença.

A endocrinologista Karina Miguel de Moura alerta sobre a importância de uma alimentação saudável. “É muito comum, infelizmente, o brasileiro se alimentar mal, manter o peso inadequado, ser sedentário e sofrer com o stress. Tudo isso, associado à tendência genética, tem aumentado a prevalência do Diabetes Mellitus, Hoje, as pessoas também têm apresentado a chamada síndrome plurimetabólica, onde são detectadas obesidade, aumento da circunferência abdominal, pressão alta, alteração dos níveis de colesterol e de triglicérides e alteração da glicemia de jejum”, observou a médica.

Ela ressalta que o diabetes descompensado pode causar complicações graves particularmente cardiovasculares e cerebrovasculares, que são causas de óbito.

“O diabetes compromete todo o organismo, podendo trazer conseqüências, como infarto, derrame, alterações renais, visuais e outros problemas. Por isso, é importante insistir na boa alimentação, na prática regular de atividades físicas e na manutenção do peso adequado, além de uma atividade de lazer para aliviar o estresse da vida moderna”, concluiu a endocrinologista.

Tipos de diabetes

Tipo 1
No Diabetes Insulino-dependente (tipo 1), as células do pâncreas que normalmente produzem insulina, foram destruídas. Quando pouca ou nenhuma insulina vem do pâncreas, o corpo não consegue absorver a glicose do sangue; as células começam a “passar fome” e o nível de glicose no sangue fica constantemente alto.
A solução é injetar insulina subcutânea (embaixo da pele) para que possa ser absorvida pelo sangue. Ainda não é possível produzir uma forma de insulina que possa ser administrada oralmente já que a insulina é degradada, no estômago, em uma forma inativa.
Uma vez que o distúrbio se desenvolve, não existe maneira de “reviver” as células produtoras de insulina do pâncreas. O transplante de um pâncreas sadio ou, apenas, o transplante de células produtoras de insulina de um pâncreas sadio já foram tentados, mas ainda são considerados em estágio experimental. Portanto, a dieta correta e o tratamento com a insulina ainda são necessários por toda a vida de um diabético.
Não se sabe o que causa a destruição das células produtoras de insulina do pâncreas ou o porquê do Diabetes aparecer em certas pessoas ou em outras. Fatores hereditários parecem ter o um papel importante, mas o distúrbio, praticamente, nunca é diretamente herdado. Os diabéticos ou as pessoas com Diabetes na família, não devem ter restrições quanto a ter filhos.

Tipo 2
Embora não se saiba o que causa o Diabetes Tipo 2, sabe-se que neste caso, o fator hereditário tem uma importância bem maior do que no Diabetes Tipo 1. Também existe uma conexão entre a obesidade e o Diabetes Tipo 2; embora a obesidade não leve necessariamente ao Diabetes. O Diabetes Tipo 2 é um distúrbio comum, afetando de 5 a 10 % da população.
Todos os diabéticos tipo 2 produzem insulina quando diagnosticados e, a maioria, continuará produzindo insulina pelo resto de suas vidas. O principal motivo que faz com que os níveis de glicose no sangue permaneçam altos está na incapacidade das células musculares e adiposas de usarem toda a insulina secretada pelo pâncreas. Assim, muito pouco da glicose presente no sangue é aproveitado por estas células. Esta ação reduzida de insulina é chamada de “resistência insulínica”.
Os sintomas do diabetes tipo 2 são menos pronunciados e esta é a razão para considerar este tipo de diabetes mais “brando” que o Tipo 1. O Diabetes Tipo 2 deve ser levado a sério, embora seus sintomas possam permanecer desapercebidos por muito tempo, uma vez que pode por em sério risco a saúde do indivíduo.

Sintomas do diabetes

Muitas pessoas desconhecem os sintomas que caracterizam a diabetes e por isso demoram para perceber que há algo errado com seu corpo, que precisa ser tratado antes que as coisas piorem.

Os sintomas da diabetes mais comuns são a sede intensa, urinação frequente, fome frequente, cansaço, perda de peso repentina, demora para curar ferimentos, pele seca, formigamento nos pés e visão borrada. Entretanto, algumas pessoas não chegam a apresentar estes sintomas.

A diabetes é caracterizada pelos altos níveis de açúcar no sangue devido à incapacidade do corpo de produzir a insulina, hormônio responsável pelo processamento do açúcar no corpo humano. Os problemas de saúde causados pela diabetes podem ser graves, mas atualmente os diabéticos têm à disposição várias maneiras de controlar a doença.

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