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ELEIϿ�Ͽ�ES 2010

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01/11/2010

DILMA É A 12ª MULHER A CHEGAR AO PODER NA AMÉRICA

Dilma Rousseff será, a partir do primeiro dia de 2011, a 12ª integrante da lista de mulheres a chegar ao Poder na América, uma lista que, apesar de ter crescido de forma considerável nos últimos anos, continua sendo muito pequena em comparação a de homens governantes.

A presidente eleita, uma economista de 62 anos, nunca tinha se candidatado a um cargo de eleição popular, mas teve um destacado desempenho nos últimos anos nos ministérios de Minas e Energia e da Casa Civil.

Ganhou o segundo turno das eleições deste domingo, tendo como troféu as conquistas dos oito anos do Governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que a elegeu como sua sucessora e a apoiou durante a campanha.

No mundo todo são cerca de 20 as mulheres que têm posições de primeiro nível em seus países, desde as rainhas Elizabeth II da Inglaterra, Beatriz de Holanda e Margarida II da Dinamarca, até a chanceler alemã, Angela Merkel, passando pela primeira-ministra croata, Jadranka Kosor, e a presidente da Libéria, Ellen Johnson- Sirleaf, entre outras.

No continente americano três mulheres estão à frente dos Governos de seus respectivos países atualmente, às quais Dilma se somará a partir de 1º de janeiro.

Trata-se das presidentes Cristina Kirchner e Laura Chinchila, da Argentina e da Costa Rica respectivamente, e da primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar. As duas últimas assumiram este ano.

Estas vitórias eleitorais parecem refletir um avanço feminino na política que obedece a "uma nova mudança cultural", declarou a ex-governante chilena Michelle Bachelet.

No entanto, Bachelet, que deixou este ano seu cargo com 84% de popularidade e foi escolhida, em uma pesquisa realizada em setembro, como a melhor governante da história de seu país, disse recentemente que a presença feminina nos mais altos cargos do poder é "uma exceção".

Na América, contando com Dilma, apenas 12 mulheres conseguiram chegar a Presidência. A Argentina é o único país da América que teve mais de uma mulher no comando do país. Em 1974, María Estela Martínez, "Isabelita", assumiu o governo após a morte de seu marido Juan Domingo Perón.

Foi derrubada pelo golpe de Estado de março de 1976, o mesmo que ocorreu com a segunda governante americana, a boliviana Lidia Gueiler, que chegou à chefia de Estado em 1979 e oito meses depois foi obrigada a ir para o exílio.

A haitiana Ertha Pascal-Trouillot, terceira da lista, era juíza suprema quando os militares lhe entregaram a Presidência em 1990 a fim de que convocasse eleições, o que fez um ano e 11 meses depois e passou o poder a Jean Bertrand Aristide.

A nicaraguense Violeta Chamorro chegou à Presidência em 1990 após derrotar nas urnas, com 54,7% dos votos, Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua. Rosalía Arteaga governou o Equador por 48 horas em fevereiro de 1997, após a derrocada de Abdala Bucaram, de quem era vice-presidente.

Como Isabelita Martínez e a também argentina Cristina Kirchner, que acaba de ficar viúva do ex-presidente Néstor Kirchner, a guianense Janet Jagan, presidente de 1997 a 1999, foi primeira-dama antes de se tornar chefe de Estado.

A panamenha Mireya Moscoso, viúva de Arnulfo Arias Madrid, que antes de se casar com ela tinha sido presidente do país em três ocasiões, governou de 1999 a 2004. Mas da mesma forma que na América, no resto do mundo a presença feminina no topo do Poder também é muito pequena e aconteceu em poucos casos.

A lista foi inaugurada em 1960 pela primeira-ministra do Sri Lanka (então Ceilão), Sirivamo Bandaranaike, e nela se destacam figuras como a indiana Indira Gandhi (1966), a israelense Golda Meir (1969), a britânica Margaret Thatcher (1979) e a paquistanesa Benazir Bhutto (1988).

Fora do continente americano, o mais recente caso vivido no mundo de uma mulher a chegar ao Poder ocorreu na Austrália, onde Julia Gillard tomou posse como a primeira chefe do Executivo de seu país.

Ela venceu!
A economista Dilma Rousseff, eleita neste domingo presidente do Brasil, é a primeira mulher a se tornar chefe de Estado do Brasil, cargo exercido por 39 homens em 121 anos de vida republicana.

Dilma, que neste domingo venceu José Serra, do PSDB, chega ao topo do poder em sua estreia como candidata em uma eleição popular e com um desempenho melhor que o de seu mentor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que perdeu as eleições de 1989, 1994 e 1998 e só saboreou o triunfo pela primeira vez em 2002. A presidente eleita é a quarta escolhida por eleições diretas desde 1985, quando o Brasil recuperou a democracia após 21 anos de ditadura militar.

Entre os 39 governantes incluídos pela Presidência em sua galeria histórica estão os interinos e os que integraram juntas militares. Por duas vezes um chefe de Estado foi eleito, mas não chegou a governar, o que aumentaria o número para 41.

Foi o caso de Julio Prestes, eleito em 1930 e que não chegou a exercer porque 22 dias antes de sua posse foi iniciada uma revolução que tirou Washington Luiz do poder e lhe impediu de assumir o cargo. Também não pôde assumir Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito depois da ditadura militar.

Tancredo, que foi eleito em janeiro de 1985 em votação indireta por um colégio eleitoral, devia tomar posse em 15 de fevereiro do mesmo ano, mas um dia antes ficou gravemente doente e morreu em 21 de abril. Seu vice-presidente, José Sarney, governou o país até 1990.

No entanto, a lei número 7.465 de 1986 ordenou que Tancredo fosse honrado como presidente.

Segundo a lei, "o cidadão Tancredo de Almeida Neves, eleito e não empossado, por motivo de seu falecimento, figurará na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais".

No exercício do cargo morreu, em 1909, Afonso Pena, com dois anos e sete meses de um mandato de quatro anos, que foi concluído pelo vice-presidente Nilo Peçanha.

O homem que mais tempo esteve à frente do Poder no Brasil foi Getulio Vargas, quem em meados de século XX governou em quatro períodos que somaram 18 anos, sete meses e três dias, e acabou se suicidando no palácio presidencial no Rio de Janeiro.

O que menos governou foi Carlos Luz, um interino que ficou apenas três dias como presidente, em novembro de 1955, em substituição de João Café Filho, sucessor de Vargas e afastado do cargo por motivos de saúde.

Getúlio chegou ao poder com a Revolução de 1930 e, em 1934, foi eleito presidente por uma Assembléia Nacional Constituinte. Governou até 1937, quando protagonizou um golpe e instaurou o Estado Novo, que acabou com sua renúncia em 1945.

Em janeiro de 1951 voltou ao poder, desta vez por voto popular, mas interrompeu seu mandato de cinco anos na manhã de 24 de agosto de 1954 quando, no meio de uma grave crise política, se matou com um tiro no coração. "Deixo a vida para entrar na História", escreveu em carta de despedida.

O ex-presidente tinha 68 anos quando começou seu quarto período de Governo, se tornando o governante mais velho a exercer o cargo. O mais jovem foi Nilo Peçanha, que chegou ao poder aos 42 anos.

O marechal Deodoro da Fonseca, que proclamou a república em 1889, renunciou em novembro de 1891 por conflitos com o Exército e foi substituído pelo também marechal Floriano Peixoto.

Também renunciou Jânio Quadros, que assumiu em janeiro de 1961 e abandonou o cargo sete meses depois, alegando que "forças terríveis" nunca esclarecidas o obrigavam a isso.


Seu sucessor, João Goulart, também não pôde concluir o mandato porque no dia 1º de abril de 1964 foi derrubado pelos militares, que em 21 anos colocaram cinco presidentes no poder, ou oito se forem levados em conta três Governos tampão.

A renúncia mais recente foi a de Fernando Collor de Mello, que assumiu em 1990 e deixou o Governo em dezembro de 1992 para evitar que o Congresso lhe destituísse por corrupção. O vice-presidente, Itamar Franco, assumiu em seu lugar.

Na galeria de presidentes brasileiros há 19 advogados, 15 militares, um médico, um jornalista, um engenheiro, um sociólogo e um metalúrgico. Dilma é também a primeira economista a chegar ao Poder.

Votação em Ituverava
Dilma - 9.840 votos (46,93%)
Serra - 11.129 votos (53,07%)

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