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23/12/2010

LEANDRO RAMOS - ARTIGO -

As megaturnês e o MP3

O ano de 2010 vai entrar para a história dos amantes de shows: só neste ano veio ao Brasil Metallica, Coldplay, Beyoncé, B.B. King, ZZ Top, Franz Ferdinand, Lady Gaga, Simply Red e até o grande Beattle Paul McCartney. Neste ano, basicamente em todo final de semana existia um grande espetáculo acontecendo em São Paulo, o que castigou ainda mais o já castigado trânsito da cidade e movimentou uma legião de fãs para o Estádio do Morumbi, que hoje mais parece uma casa de espetáculos do que um estádio de futebol. Nada menos que 4,5 milhões de pessoas assistiram a shows em São Paulo este ano.

Mas a pergunta que fica é: por que grandes astros da música que nunca tinham aterrissado em solo nacional, ou que passavam aqui a cada 10 anos, agora descarregam semanalmente aviões lotados de equipamentos para turnês nas principais cidades brasileiras?
A culpa é do MP3. Os astros do show bizz agora precisam suar a camisa em turnês mundiais, cada vez mais longas, para ganhar o dinheiro que ganhavam no passado apenas com a venda de CDs. O MP3 promoveu, na metade da década de 90, a revolução da música digital. Com esta tecnologia, não era mais preciso comprar um CD para ouvir o seu cantor favorito. E mais, com um empurrãozinho inicial do Napster, era possível compartilhar todos os seus álbuns com milhares de pessoas. Tudo sem pagar um único centavo de copyright para as gravadoras e artistas.

O resultado foi que o MP3 mudou para sempre o bilionário mercado da música. Por mais que as gravadoras tenham acabado com o Napster através de um processo milionário, o mercado já estava mudado. As grandes estrelas pops da música tiveram que reinventar a maneira de ganhar dinheiro e a principal forma encontrada foi fazer shows mundo afora. Para as gravadoras, restou o mero papel de agendar shows para as bandas novatas, até porque as grandes estrelas fazem isso com seus poderosos empresários.
A venda de CDs foi enterrada de vez com o surgimento da Apple Store, loja que já vendia no início da década passada músicas em formato eletrônico por um preço muito mais baixo do que os CDs oferecidos pelas gravadoras. Quem quer ouvir uma “música legalizada”, faz um download pago em lojas como a Apple Store e não compra o CD original. Já a grande maioria...não paga nada.
Estimativas do mercado apontam que a oferta de shows internacionais no Brasil deve ser 25% maior no ano que vem. Apenas em São Paulo os grandes shows vão gerar receita de R$345 milhões com a venda de ingressos, com um público estimado de 5,4 milhões. Enquanto isso, no interior do Brasil bandas como a paraense Calypso distribui seus CDs gratuitamente para tornar sua música conhecida e com isso seus shows se multiplicam por cidades da região norte com estádios sempre lotados. São com estes shows que a Calypso comprou até jatinho particular.

Em 2011 as grandes turnês continuam. Já confirmaram presença em terra brasileira U2, Ozzy Osbourne, Cyndi Lauper, Iron Maiden entre outros. O que também deve continuar no próximo ano são os preços extorsivos dos ingressos. Quem quiser ver Bono Vox em abril terá que desembolsar muito dinheiro, com ingressos de até R$ 1.000. Mas pelo jeito, a fórmula encontrada pelos astros funciona, pois o público que baixa uma música ilegalmente, sem pagar nada, é o mesmo que paga uma quantia absurda para assistir sua banda ao vivo. Afinal, qual o preço para ver seu astro de perto? Para muitos, isso não tem preço.

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