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25/12/2010

PEDREGULHO LAMENTA A MORTE DO FILHO ILUSTRE

Cidade decreta luto oficial de três dias

A pequena Pedregulho amanheceu nesta sexta-feira (24) com a notícia da morte de seu mais ilustre representante. O ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, perdeu a luta que travava contra um câncer de próstata, no hospital Sírio Libanês, que o fez desistir da campanha eleitoral deste ano. A Prefeitura da cidade decretou luto oficial de três dias.

Filho de Otávio Quércia e Izaura Roque Quércia, o ex-governador nasceu em uma pequena casa de cinco cômodos no número 34 da rua Professsor Getúlio França, em Igaçaba, distrito de Pedregulho.

A residência, de chão em cimento pintado de vermelho e sem forro, é anexa a um galpão de três portas, onde o Otávio mantinha um armazém de secos e molhados. A responsável pela casa, Maria Aparecida Marangoni, 74, conviveu na infância com o futuro governador e os irmãos dele, Vicente e Maria Alice. "Eu ouvi mesmo dizer que morreu", afirma Aparecida, em frente à casa onde hoje mora sozinha.

"Nós brincávamos no quintal. Fizemos um balanço numa mangueira que ficava lá no fundo", recorda a caseira. A pequena residência ficou na família Quércia até eles se mudarem para Pedregulho. Depois de passar por vários donos, voltou para a família em 1991, quando o filho mais ilustre era governador. "Compraram e me colocaram para morar aqui. No dia 12 de março de 2011 completo 20 anos morando aqui", diz.

Apesar de manter as características originais, segundo Aparecida, a construção passou por reforma assim que foi recomprada. O terreno aos fundos foi completamente limpo, mas Aparecida tratou de recuperá-la. "Plantei a mangueira e a árreira onde ficavam antes", diz a caseira, enquanto cata uvas.

Sobre os amigos de infância, ela lembra que Orestes era tranqüilo e Vicente, sapeca. "Como dava trabalho! Mas é coisa de criança", justifica. Na escola, como estudavam em séries diferentes, Aparecida não sabe quem tinha as melhores notas, mas aposta no ex-governador. "Dá para imaginar, olhando a posição que alcançou", afirma.

Após concluir a quarta série, Aparecida se mudou para Rifaina e perdeu um pouco o contato com a família Quércia, que só foi retomado nos anos 90. A casa, cheia de recordações, era mais visitada pelo pai e Quércia apareceu, pela última vez, há cerca de três anos. "Ele sempre trazia pessoas de Campinas para mostrar onde nasceu e contar sobre a infância. Mas, apesar de ter enriquecido, o trato com as pessoas continuou o mesmo", conta.

Pescaria
Amigo de adolescência do ex-governador, o advogado aposentado pedregulhense Fernando Mendes Biasoli, 75, diz que ele visitava com mais frequência a sede do município, devido aos negócios que mantém na cidade - ele tem várias propriedades rurais e a contabilidade é feita em um escritório localzado na praça Luiz Sávio, no Centro. "Faz pouco tempo que falei com ele pela última vez", diz.

Biasoli recorda que o ex-governador, por volta dos 12 anos, gostava de pescar e dançar - era um exímio dançarino, de acordo com o advogado. Estudavam no mesmo grupo escolar da cidade, apesar de ser dois anos à frente de Quércia.

Para o advogado, a morte do político é ruim para a cidade. Ele e outros moradores atribuem ao período em que foi governador de São Paulo grandes obras para a cidade, como a construção da Santa Casa, de estradas vicinais, o Parque Ambiental Bom Jesus e do trevo de acesso ao município, que homenageia o ex-prefeito Contantino Biasoli. "Cidade pequena como essa não têm um hospital ou um trevo como esses", diz Fernando Biasoli, filho do político.

Homenagens à família Quércia também estão espalhadas por todos os lados, em ruas e praças. "Essa cidade devia se chamar Quércia", opina o empresário Jorge Pereira de Oliveira, 42.

Primo desconhecido
Em frente a um bar em um bairro de Pedregulho, o lavrador José Maurício Castagine, 60, conta que soube a morte do primo pela televisão. Ele viu o anúncio do falecimento de Orestes Quércia, de quem é primo em primeiro grau.

A mãe de Castagine, Benedita Conceição Roque, já falecida, era irmã de Izaura Roque Quércia. Apesar disso, o lavrador diz que não conheceu o primo. "Eram distantes, foram para Campinas muito cedo. Mas é ruim saber disso, né? Afinal, é família", afirma.

Boa índole
O advogado Fernando Mendes Biasoli diz que, ao contrário da imagem que existe do ex-governador como um mau político, seu amigo Orestes Quércia era uma boa pessoa - um humanista, como ele define.

"Foi um homem muito bom. Como político, pode ter feito coisa que desagradou algumas pessoas, mas foi um bom governador. As denúncias contra ele são coisa da grande imprensa", avalia Biasoli.

Fonte: EPTV.com

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