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28/12/2010

ABANDONO LIDERA CRIME CONTRA IDOSOS EM 2010

Idosos abrigados na Casa do Vovô: asilo é a única alternativa para os que não têm abrigo (Foto: Fábio Mello/Gazeta de Ribeirão)

Pelo segundo ano consecutivo, o abandono ao idoso foi apontando como o crime mais praticado por familiares

Pelo segundo ano consecutivo, o abandono ao idoso foi apontando pela Coordenadoria de Proteção Especial ao Idoso de Ribeirão Preto como o crime mais praticado por familiares e responsáveis.

Em 2010, 52% (114), de 221 casos atendidos de janeiro a novembro (quando foi feito o último levantamento), foram de abandono e crimes relacionados como negligência e conflitos familiares.

A negligência, seja ela física ou moral - quando o idoso deixa de receber os cuidados necessários mesmo estando em convívio com familiares - aparece em 25% dos casos, 3% a mais do que no ano passado, quando o crime estava com 22% no total de queixas.

A violência verbal está em terceiro lugar com 12%, à frente da violência física, com uma parcela de 11%, ou seja, 24 casos de 221 registrados.

Embora a violência física contra a terceira idade puxe a lista de boletins de ocorrência na Delegacia de Polícia de Proteção ao Idoso de Ribeirão. “A violência física é silenciosa. O medo de denunciar faz com que essas estatísticas apareçam mais em casos de polícia", disse o delegado da Delegacia de Idoso, Norberto Bocamino.

Na opinião da coordenadora da Coordenadoria do Idoso de Ribeirão, Dulce Sakamoto, os índices de abandono são maiores porque as famílias não estão preparadas para conviver com os idosos. “As pessoas estão vivendo mais e o idoso precisa de cuidados que se chocam com a correria da vida moderna.”

Sakamoto afirmou que muitos abandonos estão ligados à exploração financeira dos idosos por parte dos filhos. “Há casos onde o filho se apropria da casa e da aposentadoria do idoso e depois o expulsa de casa.”

Dados da coordenadoria mostram ainda que 10% dos idosos que sofrem algum tipo de violência não registram ocorrência.

Para a assistente social Patrícia Telles, os idosos não querem acreditar que a violência vem do próprio ente querido. “É difícil para alguém na terceira idade ir à delegacia denunciar um filho, por exemplo.”

Ela disse que apenas com a intervenção da polícia ou com a denúncia de pessoas próximas é que os casos são solucionados e os agressores, punidos.

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