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18/03/2011
Tropas que apoiam Muammar Gaddafi avançaram em direção à cidade de Brega, enquanto continuam os bombardeios promovidos pelo regime líbio sobre a vizinha Ajdabiya, a última cidade em poder dos insurgentes antes de Benghazi
O governo da Líbia anunciou nesta sexta-feira um cessar-fogo imediato no país em resposta à resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovada na noite de quinta-feira. O ministro líbio das Relações Exteriores, Moussa Koussa, afirmou diz que o país suspendeu as operações militares.
"(A Líbia) tem grande interesse em proteger os civis ", disse ele, acrescentando que o país também proteger todos os estrangeiros na Líbia.
França, Reino Unido, Qatar e Noruega anunciaram na manhã desta sexta-feira (18) que participarão das intervenções militares na Líbia. As operações internacionais, que incluem ataques e a implementação de uma zona de exclusão aérea, acontecerão "rapidamente... em algumas horas", segundo o porta-voz do governo da França, François Baroin.
Em resposta, o ditador líbio Muammar Gaddafi disse nesta sexta-feira (18) que transformará em um inferno a vida de qualquer um que atacar o país, depois que a ONU autorizou ataques aéreos contra as forças do governo. "Se o mundo ficou louco, nós também ficamos. Responderemos. Suas vidas se transformarão num inferno", disse ele à rede de TV estatal RTP. "O que é este racismo? O que é este ódio? O que é esta loucura?", afirmou.
Já Saif al Islam Gaddafi, um dos filhos de Gaddafi, afirmou hoje que a Líbia não tem medo da intervenção militar. "Venham! Não vão ajudar o povo se bombardearem a Líbia para matar líbios. Destruirão nosso país. Ninguém está feliz com isso", disse ele, de Trípoli, ao programa News Nightline, do canal americano ABC.
Segundo o correspondente da BBC em Paris Christian Fraser, a França pode enviar à Líbia jatos Mirage que estão posicionados em bases militares na ilha da Córsega. Outros aviões franceses posicionados na costa do Mediterrâneo, com ajuda de sistemas aéreos de alerta e controle, têm sido enviados a missões específicas 24 horas por dia desde quinta-feira da semana passada. Ainda segundo Fraser, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, já defendia ataques "cirúrgicos" nos bunkers de controle e nos sistemas de radar de Gaddafi e não descarta realizar bombardeios contra forças líbias em terra.
A Royal Air Force britânica também se prepara para agir. O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, disse que a resolução constitui uma "resposta positiva à chamada da Liga Árabe" e que "é necessário tomar essas medidas para evitar um maior derramamento de sangue".
Segundo fontes ouvidas pela BBC, é improvável que os Estados Unidos participem da ofensiva no início, que devem ter apoio logístico de nações árabes.
Já a Itália está disposta a ceder três de suas bases militares no sul do país para a intervenção. Por enquanto, o governo de Silvio Berlusconi, segundo a imprensa local, descarta a possibilidade de aviões italianos participarem das ações, porque a Itália era antiga metrópole da Líbia, país com o qual assinou um Tratado de Amizade em 2008. Mas, sempre que seus aliados da Otan solicitarem, o governo italiano prometer estar disposto a permitir que os aviões da Aliança operem desde suas bases no sul do país, as mais próximas do território líbio.
O Conselho de Segurança aprovou na noite de ontem uma resolução que permite "todas as medidas necessárias" para proteger áreas civis e exige um cessar-fogo de Muammar Gaddafi, que anunciou uma ofensiva militar contra Benghazi, a principal cidade dos rebeldes. O texto foi aprovado com 10 votos dos 15 membros do Conselho.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deve debater nesta sexta-feira seu papel nas operações em uma reunião do Conselho do Atlântico Norte, que reúne os embaixadores dos 28 países aliados. Já Alemanha, China e Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança, se abstiveram da votação e não pretendem participar das ações.
Em resposta, a Líbia fechou por completo seu espaço aéreo. "Trípoli não aceita mais tráfego (aéreo) até nova ordem", informou a Eurocontrol, agência que administra o tráfego aéreo na Europa.
Conflitos no oeste
Enquanto a intervenção não acontece, os violentos conflitos entre os insurgentes e as forças leais a Gaddafi foram registradas durante a manhã em duas cidades do oeste da Líbia sob controle da oposição, Nalut e Zenten. "Gaddafi está enviando jovens sem experiência e que não conhecem esta região montanhosa. Estas forças sofreram baixas importantes", disse uma fonte à AFP. Em Nalut, os rebeldes atacaram uma posição do governo e tomaram posse de armas e munições.
Segundo o porta-voz rebelde Sadun al Misraty, as tropas de Gaddafi bombardeiam na manhã desta sexta-feira posições dos rebeldes nas estradas que conduzem a Misrata e há muitas vítimas. "Há pelo menos 25 tanques e vários blindados e veículos para o transportes de tropas nos arredores de Misrata", disse.
Além disso, o porta-voz previu que as tropas de Gaddafi tentarão "invadir" Misrata e as cidades sob controle rebelde "o mais rapidamente possível para instalar-se nos centros das cidades e tomar seus habitantes como escudos humanos, para evitar assim bombardeios aéreos" de tropas estrangeiras. Misrata é a terceira maior cidade da Líbia e a única que permanecia sob controle insurgente no oeste do país.
Há dias são travados intensos combates Misrata e os porta-vozes do regime afirmaram em várias ocasiões que a cidade fora recuperada. Os rebeldes desmentiram essas informações. No entanto, o porta-voz insurgente Tareq Ali Ejhaui assegurou à Agência Efe na quinta-feira que as forças do regime haviam cortado a provisão elétrica e de água à cidade e que os franco-atiradores disparavam indiscriminadamente a partir de alguns edifícios.