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21/03/2011

ARTISTAS ELOGIAM DISCURSO DE OBAMA NO THEATRO MUNICIPAL

No discurso, Obama tratou o Brasil como igual. Disse que a nossa democracia é exemplo para o mundo árabe.

Não havia tapete vermelho, mas na plateia que se dirigia ao Theatro Municipal tinha muita gente famosa.

“Não só pela importância do cargo como pela figura do Obama. Acho que foi uma mudança importante de postura, comportamento, de política internacional. Acho que eu sou fã”, elogiou Luciano Huck.

“É um momento histórico. Dá um orgulho assim vir com a família. Um dia bonito, um dia bacana para a gente. O meu filho Joaquim é o mais interessado da família”, acrescentou a apresentadora Angélica.

“É pela história que ele representa e pela história que nós representamos. A história acontecendo. Tem que estar ao vivo, vendo”, disse a atriz Christiane Torloni.

“Primeiro presidente negro dos Estados Unidos, cabeça aberta, conectado com a atualidade. Ele estar no Brasil é importante. É um momento especial para a gente”, observou o maestro Silvio Viegas.

Em frente ao teatro, com certa distância mantida pela segurança, havia muitos curiosos. Grupos de protestos e fãs do presidente Barack Obama.

“Eu acho que o Obama pode mudar a visão que a gente tem da prepotência dos americanos. Ele é diferente”, disse uma mulher.

As pessoas queriam ver ao vivo: não foi possível. Esperavam acompanhar o discurso do presidente americano por telões montados na praça da Cinelândia: não teve.

“Cadê o telão para o povo ver?”, perguntou um homem.

“Eu vim de Brasília só para isso, fiquei frustrada”, lamentou uma mulher. “De qualquer maneira, é uma festa democrática e o Rio de Janeiro é a síntese disso.”

Dentro do Municipal, Obama mostrou que pretendia conquistar os brasileiros já no início do discurso.

“Olá, Rio de Janeiro. Alô, cidade maravilhosa. Boa tarde, todo o povo brasileiro”, discursou o presidente, em português.

“Desde o momento em que chegamos, o povo deste país mostrou a mim e à minha família o calor e a generosidade do espírito brasileiro. Obrigado. Quero agradecer especialmente a todos vocês por estarem aqui esta tarde, porque eu sei que haverá jogo do Vasco daqui a pouco. Botafogo e Vasco. Eu sei que os brasileiros não abrem mão do futebol muito fácil”, brincou Obama.

“Obama vindo aqui, ele, mulher e dois filhos, mostra que a unidade familiar é a chave para o negro crescer no Brasil”, opinou Frei David, coordenador da ONG Educafro.

Além de trazer a família ao Brasil, o presidente Barack Obama fez referência à mãe ao justificar a visita dele à comunidade Cidade de Deus.

“Uma das primeiras lembranças que eu tenho do Brasil foi um filme que eu vi com a minha mãe quando eu era muito jovem. Chama ‘Orfeu negro’, que se passava nas favelas do Rio durante o carnaval. A minha mãe amou o filme. A música, as danças e aquela beleza do Rio, e foi lançado como uma peça aqui no Municipal. A minha mãe não está mais entre nós, mas ela jamais imaginaria que a primeira viagem do seu filho ao Brasil fosse como presidente dos Estados Unidos. Ela nunca imaginaria isso”, contou o presidente, que foi aplaudido em seguida.

Os elogios ao Brasil continuaram.

“Eu também nunca imaginei que este país seria até mais bonito do que aparecia no filme. Vocês, como Jorge Ben Jor, cantam o país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”, disse.

“Eu achei interessante alguns dados que ele deu, mostra que alguém da equipe estudou alguma coisa do Rio”, avaliou a economista Cecília Peçanha.

“O Brasil é um país que mostrou que uma ditadura pode se tornar uma democracia. O Brasil é um país que mostra que a democracia entrega tanto a liberdade quanto a oportunidades para o seu povo. O Brasil é um país que mostra como uma chamada pela mudança que começa nas ruas pode transformar uma cidade, transformar um país, o mundo. Ha décadas, justamente do lado de fora desse teatro, na Cinelândia, quando o chamamento pela mudança foi ouvido no Brasil. Estudantes e artistas e líderes políticos se uniram com cartazes, dizendo ‘abaixo à ditadura, dê poder ao povo’”, discursou Obama.

O presidente também destacou a importância da democracia para o crescimento econômico brasileiro:

“Quem argumenta o contrário, que a democracia atrapalha o progresso econômico, tem só que olhar o exemplo do Brasil. As milhões de pessoas desse país que subiram da pobreza para a classe média não fizeram isso em uma economia fechada, controlada pelo estado. Vocês estão prosperando como pessoas livres, com os mercados abertos e um governo que responde ao cidadão. Vocês estão provando que a meta de justiça social e inclusão social pode ser melhor atingida através da liberdade.”

Ele aproveitou para falar da situação no Oriente Médio:

“Hoje nós vemos essa luta por esses direitos no Oriente Médio, no norte da Ásia, nós vimos uma revolução que surgiu a partir do desejo de uma dignidade básica na Tunísia. Vimos pessoas protestando pacificamente na praça Tahrir. Homens e mulheres, jovens e velhos, cristãos e mulçumanos. Pessoas com coragem para lutar contra um regime na Líbia. Em todas as regiões, nós vimos jovens se levantando para exigir o direito de determinar o próprio futuro.”

“Quando pensamos as jornadas dos EUA e do Brasil, começaram de formas semelhantes. Os nossos países são ricos pela criação do Deus. A descoberta foi feita por pessoas que queriam expandir fronteiras. Nos tornamos colônias, de coroas distantes, mas logo proclamamos nossa independência e demos boas vindas à onda de imigrantes. Com o tempo, abolimos a escravidão da nossa terrra”, disse o presidente.

“Gostei principalmente da parte que ele fala das favelas. Para a gente não olhar para as favelas com pena, mas como um celeiro de oportunidades”, apontou o intérprete Carlos Alves.

“Pela primeira vez, a esperança volta a lugares onde o medo por muito prevaleceu. Eu vi isso hoje, quando eu visitei a Cidade de Deus”, disse Obama, aplaudido. “Mas é uma mudança também na atitude, como um jovem disse hoje. As pessoas têm que ver as favelas não com pena, mas como uma fonte de presidentes, médicos, advogados, artistas e de pessoas com soluções.”

O presidente Barack Obama disse ainda que pretende voltar ao Brasil na época dos jogos olímpicos. Foi bem humorado ao comentar a vitória do Rio:

“Bom, vocês talvez já tenham ouvido falar que essa cidade não era a minha favorita para os jogos olímpicos. Mas, já que os jogos não puderam ser realizados em Chicago, então não tem nenhum outro lugar para realizá-los que não seja o Rio de Janeiro. Eu quero voltar em 2016 para assistir ao que vai ser essa Olimpíada aqui.”

“Tem pessoas que têm o dom da oratória, do magnetismo, do carisma, e o Obama é assim. Cada pessoas ali presente deve ter achado que ele tava falando para si próprio”, elogiou José Júnior, coordenador do Afroreggae.

“Todos nós buscamos a verdade, todo nós buscamos ser livres e todos desejamos viver sem medo e discriminação, mas queremos poder escolher como seremos governados e queremos, é claro, criar o nosso destino. Não só americanos, brasileiros, ocidentais, são direitos universais. Nós temos que apoiar esses direitos em toda a parte. Muito obrigado e que Deus abençoe nossas duas nações”, concluiu Obama.

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