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11/04/2011
Os contratos futuros de juros abriram em alta, em um dia em que a volatilidade deve continuar no mercado. As divergências sobre o impacto da nova medida anunciada ontem pelo governo na desaceleração da expansão do crédito, no consumo e no comportamento da inflação prosseguem. Na noite de ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 1,5% para 3% ao ano nas operações de crédito para pessoa física. Agora, o mercado também discute as implicações desta medida para o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), no dia 20 de abril.
Para uma corrente, a medida é mais um escudo para evitar a elevação da Selic (a taxa básica de juros da economia) em 0,50 ponto porcentual. Essa foi a tônica que pautou a queda nas taxas de juros futuros no fim do dia de ontem. Mas há correntes defendendo que a medida é a admissão de que a inflação está surpreendendo o governo e o Banco Central (BC), o que pode fazer com que seja impossível driblar o aperto de 0,50 ponto porcentual. Enquanto isso, o governo luta contra o aumento da gasolina.
"Apesar do recuo que já havia antecedido o anúncio (da medida de ontem) antes fechamento do mercado (futuro de juros), ainda parece haver algum prêmio nos vencimentos curtos, principalmente, porque ganhava corpo um cenário alternativo de retomada da alta da Selic ainda no fim deste ano", comentou Flávio Samara, economista da LCA Consultores. O analistas afirma, porém, que um recuo nas taxas curtas não necessariamente significa confiança na convergência da inflação.
Outra fonte considerou que os últimos desdobramentos mostram que o governo não tem estratégia definida. "No discurso do Mantega, ele mostrou o susto da equipe com a inflação de março. Portanto, acho que o (juro) curto pode até fechar um pouco, mas acho que os (juros) longos abrem", avaliou essa fonte, ponderando que o mercado vai acabar trabalhando com 0,50 ponto porcentual de expectativa para elevação da Selic no próximo encontro do Copom.
O objetivo da medida sobre o IOF é conter o crescimento do crédito para algo entre 12% e 15% neste ano, um patamar considerado mais adequado pelo BC, que já anunciou outras medidas para atingir essa meta de expansão do crédito. O intuito dessas ações é conter as pressões inflacionárias, embora elas não devam ter efeitos no segmento de serviços, segundo os analistas, um foco importante para a recente pressão dos preços.
Em relação à preocupação sobre as pressões vindas dos combustíveis na inflação, hoje o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que o preço da gasolina se estabilizará, sem necessidade de reajustes. Ele afirmou ainda que solicitou ao presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, que a companhia produza mais etanol. "Instrui o presidente da Petrobras para que avance bem mais nessa direção, para que a Petrobras se torne uma "reguladora" do mercado", disse. Segundo Lobão, a presidente Dilma Rousseff não quer o aumento do preço da gasolina.
Ontem, Mantega fez questão de ressaltar que a inflação não está fora de controle no Brasil. "Está mais controlada do que em outros países". O ministro trabalha com a projeção de inflação do BC, que é de 5,6% para este ano. Mas as casas econômicas seguem revisando para cima suas expectativas de inflação para o curto prazo. Hoje, a MCM elevou as projeções de curto prazo para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). "Elevamos o IPCA de abril e maio de 0,55% e 0,35% para 0,7% e 0,4%, respectivamente", observaram os analistas.
Mais cedo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou que o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de até 8 de abril (primeiro prévia do mês) subiu para 0,89%. Esta é a quinta semana consecutiva de alta na taxa do indicador. A maior contribuição para a alta foi do segmento Alimentação, que passou de 0,98% para 1,50%, com destaque para hortaliças e legumes, que tiveram alta de 7,03% para 8,86%.
Às 9h51 (horário de Brasília), o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2012 registrava taxa de 12,22%, ante 12,20% do fechamento de ontem. Já o contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2013 apresentava taxa de 12,68%, ante 12,64% do fechamento anterior.