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26/04/2011
Representantes dos postos afirmam que já não conseguem receber a totalidade do combustível encomendado
O alto consumo de gasolina causado pela migração de donos de carros flex que deixaram de abastecer com álcool deve gerar nos próximos dias um novo reajuste no derivado de petróleo.
A avaliação é de representantes dos postos. Segundo eles, os pedidos de gasolina às distribuidoras não são entregues em sua totalidade.
Ontem, em Ribeirão Preto, a maioria dos postos de bandeira (marca) vendia a gasolina a R$ 2,699. O vice-presidente da Brascombustíveis (Associação Brasileira dos Revendedores de Combustíveis), Renê Abbad, disse que, nos próximos dias, o preço deve subir até R$ 0,20.
"Está faltando álcool anidro para misturar na gasolina", afirmou Abbad.
Na última quarta, segundo o Cepea, da Esalq/USP, o litro do álcool anidro atingiu R$ 2,7257 nas usinas, sem impostos -13ª alta seguida do produto. O aumento é de 119% em relação a janeiro, e 10,2%, se comparado com a semana anterior.
Esse crescimento refletiu na alta da gasolina, que teve aumento médio de 9,8% em seu valor mínimo entre janeiro e a primeira quinzena de abril, segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo).
O presidente regional do Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo), Oswaldo Manaia, disse que os pedidos de gasolina estão sendo entregues pela metade. "Isso tem acontecido com todas as bandeiras", afirmou.
No posto dele, apesar da encomenda de 20 mil litros, só 10 mil foram entregues.
Na região, há cidades onde, na semana passada, a gasolina passou dos R$ 3 -caso de Guaraci.
MOAGEM
Manaia diz que o valor do álcool tende a cair nas próximas semanas, devido ao início de produção de mais usinas. Isso reduziria a pressão sobre a gasolina, já que, caso fique competitivo, o etanol voltará a ser opção. Ontem, o litro era vendido em Ribeirão de R$ 1,999 a R$ 2,199.
Segundo o Sindicom, que reúne as distribuidoras, a migração do consumo para a gasolina causou uma queda de 70% no consumo de etanol em março e abril. Já a gasolina teve alta de 25%.
De acordo com o representante da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) na região, Sérgio Prado, a expectativa é que cerca de 200 usinas do centro-sul iniciem a moagem até o fim do mês -eram 130 até quarta.