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02/05/2011
Feira, que começa hoje e vai até sexta-feira, terá 22 novas empresas -a maioria vem do país asiático e da Itália
As empresas chinesas aumentaram sua presença na Agrishow (Feira Internacional da Tecnologia Agrícola em Ação) deste ano, evento que começa hoje e vai até sexta-feira em Ribeirão.
Segundo a organização da feira, a 18ª edição terá ao menos 22 novas empresas estrangeiras -a maioria delas chinesas e italianas- tentando vender seus produtos.
A organização não divulgou o número de empresas por nacionalidade no evento deste ano e no do ano passado, mas informou que houve aumento das chinesas.
O crescimento ocorre mesmo contra a vontade da indústria nacional.
De acordo com o presidente da feira, Cesário Ramalho, a rejeição aos asiáticos ocorre por uma guerra de mercado influenciada pela queda no preço do dólar e a alta carga tributária brasileira. Com preços mais competitivos, os chineses são uma ameaça à indústria nacional.
"A Agrishow não vai atrás [das empresas]. Elas é que vêm e não temos como limitá-las, já que cumprem corretamente com as regras da feira, no pagamento do espaço", disse Ramalho, que também é presidente da SRB (Sociedade Rural Brasileira).
Segundo ele, a indústria brasileira protesta contra a entrada dos estrangeiros. "O governo [federal] tem deixado o dólar cair para conter a inflação e assim acaba prejudicando a indústria brasileira, gerando desemprego", disse o presidente da feira.
Ramalho citou que a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) já chegou a propor a taxação de máquinas e equipamentos chineses ao governo brasileiro, mas ele acredita que nenhuma decisão deverá ser tomada.
Ele lembrou, por outro lado, que a China é o principal país consumidor da soja brasileira. "É uma felicidade ter a China como compradora de soja, mas tê-la vendendo equipamentos aos produtores brasileiros é muito difícil", disse Ramalho.
Procurada, a Embaixada da China no Brasil informou que não sabe dizer quais empresas participam da feira. "Eles vêm sem nos avisar. Temos muitas empresas na China", disse Hong Lei, porta-voz da embaixada.
ITÁLIA
O analista Emilio Pelizzon, do ICE (Instituto Italiano para Comércio Exterior), órgão ligado ao governo italiano, disse que o agronegócio brasileiro não é só interessante para a Itália, mas para o mundo todo.
O ICE participa da feira neste ano com 32 empresas, o dobro do ano passado. A exposição é estratégica: as empresas ficarão agrupadas num espaço de 900 m2 no centro da feira.
Pelizzon afirmou que 80% dos negócios fechados na feira referem-se a peças e acessórios de alta tecnologia agregada. "O país tem potencial e queremos participar desse crescimento", disse.
Além de vender, as empresas italianas vêm em busca de relacionamento com a indústria brasileira para reforçar o desenvolvimento de parcerias técnicas, tecnológicas e comerciais, afirmou o analista do governo italiano.
Fonte: Folha de S.Paulo