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03/06/2011

ABICALÇADOS CONSTATA RECUO DE 10,4% NA PRODUÇÃO DE CALÇADOS

Situação caminha com perspectiva para novo choque nos níveis de emprego e produção por causa do mercado chinês

A Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) divulgou nesta semana uma triste realidade para o setor calçadista, o recuo de 10,4% na produção de calçados nos primeiros 4 meses de 2011. O presidente do Sindifranca - Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca - , José Carlos Brigagão revelou à reportagem do Diário que a situação é triste. "Infelizmente nossas apreensões sobre a dinâmica negativa da indústria brasileira de calçado neste ano vão se confirmando, tornando mais provável a perspectiva de um novo choque nos níveis de emprego e produção".

Dados divulgados pelo IBGE relativos à produção industrial mostram uma queda de 12,4% na produção de calçados do mês de abril, comparada a abril/2.010. Com este dado já são 7 meses ininterruptos - desde outubro de 2010 - de queda na produção em base interanual, como se nota:
É evidente que, não obstante o caráter otimista dos fabricantes de calçados, estes patamares de atividade provocam já um arrefecimento no emprego. Os dados do CAGED mostram claramente um declínio no nível das contratações líquidas do setor:
Este comportamento dos indicadores da indústria não encontra justificativa no comportamento do varejo. De fato os índices de volume de vendas do comércio varejista de calçados e vestuário, coletados pelo mesmo IBGE, demonstram que o mercado interno permanece aquecido:
As maiores correlações de causas para este desempenho negativo voltam-se novamente para as importações e exportações de calçados, afetadas profundamente pelo comportamento da taxa de câmbio e pelas operações de triangulação nas importações, como se nota:
Milton Cardoso, presidente da ABICALÇADOS, tem denunciando tais práticas ao Governo Federal desde janeiro deste ano, mas não temos conseguido combater tais práticas elisivas - que são evidentes - devido às negativas do Ministério da Fazenda em permitir que os investigadores do Departamento de Defesa Comercial do Brasil (MDIC) tenham acesso aos dados de importação para iniciar o processo de investigação.

As operações de triangulação - registrar importações de calçados chineses como se fossem produzidos em terceiros países - estão evidentes nas estatísticas oficiais. Os dados relativos ao ano de 2010 obtidos junto ao governo chinês mostram exportações para o Brasil de 24,4 milhões de pares de calçados sujeitos à tarifa anti-dumping. Entretanto as estatísticas do Governo brasileiro mostram o ingresso de apenas 9,4 milhões de pares destes mesmos calçados com certificados de origem da China.

A inércia do Ministério da Fazenda em avaliar corretamente as importações de calçados e sua relutância em permitir a investigação do MDIC provoca danos não apenas à indústria nacional, como à própria arrecadação federal.

EMPREGO

O reflexo da entrada do calçado chinês é sentido pela indústria francana. As contratações estão retraídas nos quatro meses deste ano. Mas, segundo o Sindifranca a situação ainda não chega a ser tão preocupante, visto que entre 2009 e 2010 a indústria conseguiu absolver mais de 11 mil empregos por causa da crise mundial de 2008.


Mesmo com as dificuldades, a indústria calçadista francana deverá apresentar uma evolução entre 7 a 10% com uma produção de calçados estimada em mais de 28 milhões.
Fonte: Diário da Franca

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