Clique aqui para ver a previsão completa da semana
07/07/2011
Quem assume interinamente o Ministério dos Transportes é o atual secretário executivo, Paulo Sérgio Passos, um técnico respeitado na área dos transportes que pode até ser efetivado se o PR, que quer continuar no comando do Ministério dos Transportes, concordar. Os primeiros sinais não são animadores para o secretário. Parlamentares do partido falam que o ideal para o cargo seria uma pessoa com perfil mais político, de preferência um senador ou deputado do próprio PR.
O governo evitava comentar o assunto. “Não vou falar nada. Estou muda e calada”, declarou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. O silêncio do Planalto continuou depois que Alfredo Nascimento entregou o cargo. Mas no Congresso não se fala em outra coisa. Fica a pergunta ainda sem resposta: quem vai entrar no lugar dele? “Tem muitas especulações, até porque nomes já tem mais de 20”, afirmou o senador Magno Malta (PR-ES), líder do PR no Senado.
Por enquanto, há só uma solução provisória: o secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, assumiu o cargo. Nem tudo deve mudar por lá. O Partido da República (PR) negocia para continuar no comando. Não admite perder espaço na Esplanada.
“O ministério é do governo. Agora é claro que se me perguntar se o PR deseja continuar nesse ministério, claro. Não seria hipócrita se dissesse o contrário”, afirmou o deputado Lincoln Portela (PR-MG), líder do PR na Câmara.
“A presidenta Dilma também está dando sinais de que quer recompor o ministério, discutindo e dialogando com a bancada de deputados e com a bancada de senadores do PR, o que nós reforçamos e reafirmamos como sendo uma atitude inteligente”, acredita o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS).
A avaliação do governo é que é melhor evitar briga com o PR para não atrapalhar as votações no Congresso e evitar que a crise se prolongue. “O governo não tem nenhum interesse de tirar o PR da sua base”, garantiu o senador Humberto Costa (PT-PE), líder do PT.
Alfredo Nascimento reassume a presidência do partido e quer participar da escolha do novo ministro. Ele volta para o Senado, onde a oposição insiste em investigar as denúncias de corrupção, mas já admite. “Não gero falsa expectativa. A queda do ministro dificulta a instalação da CPI”, prevê o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), líder do PSDB.
“A CPI nós vamos ainda tentar buscar as assinaturas, mas é obvio que, quando acontece a queda, muitos daqueles que assinaram retiram as assinaturas”, disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), líder do Democratas.
O PSOL diz que vai pedir que o conselho de ética investigue Nascimento. “Se o senhor Alfredo Nascimento não reúne condições de ser ministro, então não terá condições de cumprir o mandato público de senador”, declarou a senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
“Eu desconheço qual é a motivação para a entrada no conselho de ética. Acho que as investigações no Ministério dos Transportes continuam e vão ser feitas até o final. Essa é orientação do governo”, afirmou o líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PT-RR).
Os senadores da oposição querem que o Ministério Público siga com as investigações para apurar irregularidades no Ministério dos Transportes. Já a presidente Dilma Rousseff não tem um prazo para escolher o novo ministro. Nesta quinta-feira (7) ela cumpre agenda no Rio de Janeiro.