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03/08/2011

GOVERNO QUER ALUNOS MAIS TEMPO EM ESCOLAS

Sala de aula: carga horária mínima anual poderá passar de 800 para 960 horas

Dois projetos em tramitação visam uma maior permanência do estudante nas unidades escolares

O governo quer ampliar o tempo de permanência na escola dos alunos matriculados nos ensinos Infantil, Fundamental e Médio. A finalidade é que eles obtenham um melhor aproveitamento dos ensinamentos.

De acordo com o projeto do senador Wilson Matos (PSDB-PR), suplente do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a carga horária mínima anual poderá passar de 800 para 960 horas.

O aumento da jornada mínima poderá ocorrer de duas formas: a primeira é por uma elevação do turno diário nas escolas de 40 minutos; a segunda forma é através da ampliação do calendário anual das escolas em mais 20 ou 40 dias no ano – o número de dias varia conforme a escala de atividades adotada em cada escola.

Qualquer que seja a opção do estabelecimento de ensino, afirma o autor da proposta, o aumento da presença dos alunos em sala de aula assegura aos professores o tempo necessário para oferecer mais informações e trabalhar melhor os conteúdos previstos pelo currículo.

Outro projeto
Na mesma sessão, realizada em maio deste ano, a Comissão de Educação do Senado aprovou um segundo projeto, também de autoria do senador suplente, aumenta de 75% para 80% a freqüência mínima exigida para aprovação de alunos dos ensinos Fundamental e Médio.

Na proposta inicial a freqüência mínima era de 85%, mas os senadores a consideraram exagerada, alegando que ela prejudicaria os alunos que trabalham, podendo se converter em motivo de evasão escolar. O suplente diz que elaborou o projeto com base em três indicadores – o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Sistema de Avaliação da Educação Básica e o Programa Internacional de Avaliações de Alunos. Os projetos seguem agora para a Câmara.

Opinião pública recebe os projetos com ‘reserva’

Os dois projetos foram recebidos com reservas pelos especialistas em Pedagogia. Eles consideram importante o aumento do tempo de permanência dos estudantes na escola, mas advertem que esse tempo adicional poderá ser inútil, se não for utilizado de forma criteriosa pelos professores.

Os especialistas também lembram que, segundo as análises comparativas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o país em que os docentes gastam mais tempo com atividades não diretamente relacionadas ao ensino.

Para os diretores e coordenadores pedagógicos, além disso, o aumento da freqüência na sala de aula vai aumentar gastos, pois haverá a necessidade de adaptar a estrutura física das escolas para receber alunos por mais tempo, além de rever os turnos escolares e contratar mais professores e servidores administrativos.

Nas escolas particulares, por exemplo, os docentes ganham por hora trabalhada. A estimativa é de que, com o aumento da jornada, as mensalidades poderão ser majoradas em até 35%.

Nesta semana, a Tribuna de Ituverava concluiu uma pesquisa feita entre autoridades de ensino, para saber se há vantagens reais no aumento da estadia maior do aluno na escola.

“Eu concordo com os projetos, pois ampliarão o tempo de permanência da criança na escola contribuiria muito, principalmente, no nosso distrito de São Benedito da Cachoeirinha, onde a maioria das crianças fica em casa sozinha, quando não estão em aula. A escola passaria a dar mais oportunidades aos alunos de aumentar seus conhecimentos, contribuindo de forma efetiva, elevando a auto-estima e a motivação da comunidade escolar, desenvolvendo talentos, habilidades e competências”, defende a diretora Sandra Aparecida Luz Pinheiro, diretora da Escola “Trajano Francisco Borges”, do distrito de São Benedito da Cachoeirinha.

Entretanto, há quem conteste o aumento de tempo em escolas. “Tudo é muito relativo. O fato de ampliar a carga horária do aluno na escola não vai necessariamente melhorar o aprendizado, pois não é questão de "quantidade", e sim, de "qualidade". Acho ainda que, para a Educação melhorar, é necessário um engajamento maior do professor, autoridades do setor e da própria família. Sinceramente, aumentar a permanência do aluno na escola não é uma medida prioritária para melhorar a Educação”, afirma Ofélia Nascimento Machado, vice-diretora da Escola “Antônio Josino de Andrade”.

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