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05/08/2011

EDIÇÃO 2.938-ENQUETE

Jovens acessam a internet: estudos apontam que sites de buscas prejudicam a eficácia da memória

Estudo mostra que sites de busca afetam memória

Participantes logo pensavam em sites de busca para encontrar a resposta, ao invés de tentar puxar pela própria memória a resposta certa

uem nunca recorreu a um site de busca para obter uma informação? O que a princípio é utilizado apenas para trazer informações adicionais ou esclarecer dúvidas, pode se tornar indispensável, fazendo com que os usuários de internet recorrem cada vez mais a esse tipo de site sempre a procura por informações.

Estes sites têm hoje um papel muito importante na sociedade, pois o cotidiano das pessoas é sempre muito agitado, com muitos afazeres e pouco tempo. Dessa forma, existe a impressão de que o dia está cada vez menor. Neste caso eles são uma excelentes ferramentas, pois possibilitam que as pessoas ganhem mais tempo, obtendo de forma rápida, as informações necessárias.

Porém, o problema é quando eles se tornam um vício. Muitas pessoas buscam todas as informações na internet e dessa forma não armazenam nada na memória. Até mesmo coisas mais simples ficam de lado, como números de telefones, datas importantes e elencos de filmes, fazendo com que o usuário seja um dependente do site de busca.

Um trabalho publicado na revista norte-americana, Science revelou que as pessoas, ao saberem que terão acesso fácil à determinadas informação, tendem a ser mais “preguiçosas” na hora de memorizá-las. A conclusão veio após um grupo de testes que, no total, envolveram cerca de 200 participantes, em provas de perguntas e respostas e também de memorização.

Os pesquisados foram universitários, que recebiam informações que deveriam memorizar. Algumas poderiam ser pesquisadas na internet, já outras não poderiam ser encontradas em sites de busca. As que não poderiam ser encontradas foram memorizadas, já as outras, não.

A pesquisa também observou que, ao se depararem com uma pergunta, os participantes logo pensavam em sites de busca e outras ferramentas para encontrar a resposta, ao invés de tentar puxar pela própria memória a resposta certa.

Por exemplo, para lembrar se um ator ou atriz faziam parte do elenco de um filme, eles não tentavam se lembrar da produção. Pensavam logo no Google ou no IMDb (Internet Movie Database), site que reúne um banco de dados gigantesco de boa parte das produções cinematográficas.

Enquete
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas ouvir a opinião dos ituveravenses, se os sites de busca afetam a memória. “Concordo, pois hoje as pessoas consideram mais fácil fazer pesquisas em sites de busca, do que realmente aprender o que deveriam”, disse a atendente de farmácia, Daiana Coronato.

O diretor da Faculdade Doutor Francisco Maeda (Fafram), Márcio Pereira, 52 anos, defende os sites. “Acredito que depende da maturidade de cada pessoa. Esse tipo de site facilita muito e é uma ótima ferramenta para a elaboração de trabalhos e pesquisas bibliográficas. Porém, para isso, os sites devem ser utilizados de modo adequado, para não prejudicar a eficiência da memória”.Veja, na íntegra as respostas:

Internet se tornou memória externa
Para a líder do trabalho, Betsy Sparrow, professora da Universidade Columbia, as mudanças não são necessariamente ruins, e a memória estaria se adaptando a essa nova realidade. Ela acredita ainda que os resultados sugerem que a internet se tornou uma espécie de memória externa das pessoas.
Segundo ela, entender como a memória funciona diante da realidade das ferramentas de busca pode ajudar a melhorar tanto o ensino, quanto o aprendizado.
Conforme o próprio trabalho mostra, desde a invenção da escrita e com o posterior advento dos livros e da imprensa, as pessoas já têm ferramentas externas para complementar a memória. O que acontece de diferente é que elas nunca estiveram tão presentes e tão fáceis de ser acessadas quanto hoje.
Na opinião de Martín Cammarota, neurocientista da PUC-RS, a pesquisa é bastante válida, mas exagera ao dizer que o Google e outros sites foram os responsáveis pelas mudanças.
“O trabalho mostra como as pessoas estão se portando diante das informações, mas não pode provar que o Google é o responsável por essas mudanças. Eles não usaram, por exemplo, um grupo controle, que nunca tivesse tido contato com o buscador”, afirmou o professor.

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