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09/08/2011
A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou em primeiro turno um projeto que promete causar polêmica. Ele proíbe o uso de camisas com siglas de clubes de futebol ou de torcidas organizadas em eventos que tenham mais de 300 pessoas. Blusas de seleções também serão vetadas.
Autor do projeto de lei, o vereador Reinaldo Preto Sacolão (PMDB) explica que o objetivo é coibir a violência entre torcidas rivais. “Fizemos um levantamento estatístico e percebemos que as grandes brigas que acontecem em alguns estabelecimentos envolvem pessoas com camisas de clubes” afirma o vereador.
A proibição vale para todo o tipo de camisetas que tenham siglas de times de futebol e torcidas organizadas. Nem as seleções se livraram da medida. Isso pode ser um grande problema para a cidade, já que na Copa do Mundo pessoas de outros países virão para Belo Horizonte torcer para suas seleções e, consequentemente, usarão as camisas da seleção de seus países. “A lei vai valer para a Copa do Mundo. Por enquanto não tem brecha nem exceção. A lei é feita para todos e o poder público que dê a segurança para o evento”, afirma o vereador.
O uso de camisas com siglas de clubes de futebol ou de torcida organizadas serão permitidas apenas em eventos realizados pelos próprios clubes e organizações de futebol.
Críticas e elogios
Rivais dentro dos estádios, as duas maiores torcidas organizadas do Cruzeiro e do Atlético concordam que a camisa não é o principal motivo para as brigas. “Não é uma vestimenta que vai fazer uma pessoa cometer ou não a violência”, afirma o vice-presidente da Galoucura, Willian Palumbo, mais conhecido como Ferrugem. “Cara que gosta de briga vai causar confusão. Normalmente as pessoas que têm rixas se conhecem e vão brigar independentemente da camisa”, diz o Diretor de Patrimônio da Máfia Azul, Francisco de Souza, conhecido como Chiquinho.
“Eu acho um absurdo essa medida, pois a pessoa que sai de casa com o intuito de cometer o mal, já sai para isso”, protesta Ferrugem. “Acho que pode amenizar a violência. Certo eu não acho, pois se a pessoa comprou a camisa, ela tem o direito de usar onde quiser”, afirma Chiquinho.
O projeto de lei já vem deixando algumas pessoas insatisfeitas, como é o caso de Frederico Jota, que coleciona camisas há quase 20 anos e tem mais de 800 camisetas de times de futebol em casa. “Acho que impede o direito de ir e vir das pessoas. Ela não vai coibir de jeito nenhum a violência. Nem todas as pessoas que gostam de confusão estão ligadas ao futebol”, reclama. Para ele, a proibição na Copa do Mundo também será um problema. “As pessoas vão se reunir em várias partes da cidade para assistir aos jogos e não vão poder usar camisas de times. Isso é totalmente incoerente. Quem quer fazer tumulto não precisa de camisa de times para isso”, completa.
Sem punições
O projeto, que precisa ser aprovado em segundo turno e depois segue para ser sancionado pelo Prefeito Márcio Lacerda, não prevê nenhuma medida punitiva aos estabelecimentos que deixarem as pessoas entrarem com as camisas. Perguntado pela reportagem, o vereador Reinaldo Preto Sacolão disse que o projeto ainda pode sofrer modificações durante a tramitação. “Fica a critério do poder público criar uma penalização. Nós também podemos fazer uma emenda para que o estabelecimento recorrente, perca o alvará de funcionamento”, explica Reinaldo.