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19/09/2011

PRESIDENTE DILMA É CRITICADA POR ACEITAR NOVO AFILHADO DE SARNEY

Gastão Vieira, que substituiu Pedro

Ao dar o Ministério do Turismo para outro nome indicado pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o mesmo padrinho político do demitido Pedro Novais, a presidente Dilma Rousseff mostra estar refém de um processo atrasado de presidencialismo de coalizão, segundo analistas políticos e líderes da oposição.

Para eles, paralelamente ao processo de demissão, Dilma deveria romper com os apadrinhamentos que fogem a critérios de profissionalismo para dar um caráter mais técnico do que político aos ministérios.

“Se permanecidas as condições atuais, a presidente corre risco de se tornar mais refém do que protagonista de seu governo”.

A presidente, na avaliação dos analistas, precisaria ter dito publicamente que os postos seriam ocupados por gestores compromissados com a probidade na administração dos recursos públicos e credibilidade - como fez no Dnit, por exemplo.

Mas, ao aceitar a indicação de um ministro feita por Sarney, a presidente teria adotado a linha “mudar para não mudar”.

“A entrada de Gastão Vieira mostra a fragilidade na montagem dos ministérios e, pior, não dá sinais de uma mudança positiva no horizonte.

Falta adotar, do ponto de vista da governança democrática, medidas transparentes e claras.

O que existe hoje é um déficit de explicação”, diz o cientista político da USP José Álvaro Moisés.

Novo ministro



Gastão Vieira substituiu Pedro Novais, que perdeu o cargo após denúncias de que havia contratado uma governanta e um motorista para sua mulher com recursos públicos.

Em outro escândalo, Novais pediu à Câmara dos Deputados o ressarcimento de R$ 2,1 mil gastos numa festa realizada num motel em São Luís, no Maranhão.

Com a ressalva de que não é de responsabilidade da atual presidente o padrão de loteamento espúrio, Moisés lamenta a falta de explicação sobre procedimentos que deveriam ser adotados contra ministros que deixaram o governo por conta de denúncias: “o que aconteceu com (Antonio) Palocci, com o ministro da Agricultura ou com o ministro do Transporte? Ninguém sabe”.

“Não parece ter havido ao longo do dia (de quarta-feira) qualquer consulta para encontrar um nome técnico que pudesse substituir Novais. (A escolha) demorou tantas horas porque o governo ficou refém dos nomes do PMDB, que não levou em conta currículo de gestão, mas de conveniência política.

Ou seja, decidiram mudar para não mudar - disse David Fleischer, da Universidade de Brasília (UNB).

Demandas técnicas A presidente Dilma, na avaliação de Fleischer, pouco levou em conta se o novo ministro poderia suprir as demandas técnicas do posto.

“Ao contrário do que aconteceu nos (Ministério) Transportes, que ela sabia que o galinheiro estava podre e lançou mão de um nome mais técnico, dessa vez a nomeação foi extremamente política”, diz.

Para o professor de gestão pública da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Rui Tavares Maluf, a presidente só tem conseguido agir mediante acontecimentos por conta do governo de cooptação que manteve, principalmente na relação com o PMDB.

“Se permanecidas as condições atuais, a presidente corre risco de se tornar mais refém do que protagonista de seu governo”, disse Rui Tavares, com a ressalva de que a situação não pode ser aplicada neste momento por se tratar do primeiro ano de gestão.

Para ele, mais do que uma mudança de fundo na política institucional, o país precisaria ter o engajamento maior da sociedade para tentar minimizar esses problemas.



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