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21/10/2011
Após um jogo sofrido, as jogadoras brasileiras fazem a festa no pódio em Guadalajara
O fantasma de quatro anos atrás estava lá de novo para assombrar a seleção feminina de vôlei.
O adversário na final desta quinta-feira, em Guadalajara, era a mesma Cuba do Pan do Rio, quando o Brasil viu evaporar meia dúzia de match points e amargou uma derrota dolorosa no Maracanãzinho.
Era hora da revanche, e ela não foi nem de perto tranquila como o confronto da primeira fase.
Em cinco sets como no Rio, as meninas comandadas por Zé Roberto Guimarães resolveram mudar o roteiro no tie-break.
Com cinco pontos de vantagem no set desempate, cravaram os 3 a 2 (25/15, 21/25, 25/21, 21/25 e 15/10).
De uma só tacada, foi-se o fantasma cubano e veio a medalha de ouro que faltava para esta geração.
A conquista não vinha desde 1999, em Winnipeg.
E começou com um susto de verdade a lesão de Jaque na estreia, ao bater cabeça com Fabi.
Coube justamente à líbero pendurar duas medalhas no pescoço durante a cerimônia de premiação.
Vestindo a camisa da ponteira e com uma bandeira brasileira nas costas, Fabi comandou a festa no pódio.
Vingança contra as rivais? Não para Zé Roberto, que prefere ver o título como um marco.
Ganhar o Pan é muito importante para o nosso país e para esta geração.
Foi um jogo difícil, Cuba mostrou que vai crescer muito até os Jogos de 2012.
Não é vingança, mas era uma responsabilidade que a gente tinha desde que chegou aqui.
Desde que pisamos na Vila, falávamos que tínhamos que tentar.
Até aprendi um verbo em espanhol “intentar” – afirmou o treinador.
Para Zé, a vitória no Pan é um sabor novo.
Quando ainda era um promissor levantador, em 1975, ele sequer teve a chance de “intentar”, cortado pouco antes da competição.
Agora, já com currículo de bicampeão olímpico, festeja a conquista com suas meninas.
Em quatro anos, o time cubano se desmantelou.
Ainda assim, era um fantasma que parecia assustar antes mesmo do início do jogo.
A torcida era forte, e ganhou reforço na equipe masculina de vôlei.
Os mexicanos, esses sim se juntavam aos brasileiros no ginásio.
A cada manifestação, porém, eram abafados pelos gritos de “Cuba, Cuba”.
A pressão que vinha das arquibancadas diminuiu nos primeiros pontos.
No primeiro tempo-técnico, a vantagem brasileira já era de 8 a 3.
E aumentou para dez um pouco antes do segundo, com Sheilla pela diagonal.
Palacio deu uma pancada e encarou as brasileiras.
Queria sim, esquentar o jogo.
Mas precisaria de muito mais do que isso para evitar a derrota no set.
Silie ainda salvou um set point, mas Mari fechou em 25 a 15.
Cleger comanda, e Cuba esboça reação
Carcaces e Cleger, numa sequência de ataques, abriram 4 a 1, e a torcida, morna depois da derrota na parcial anterior, voltou a gritar.
Mari errou um ataque e viu Cuba ampliar para 8 a 3.
Na volta do tempo-técnico, a ponteira chamou a bola e acertou o braço.
Na sequência, subiu em um bloqueio junto com Thaísa.
E Dani Lins diminuiu para dois pontos a diferença.
As cubanas não afrouxaram e, num bloqueio duplo sobre Mari, abriram cinco pontos e comemoraram.
Muito.
Um toque de rede do time brasileiro fez a diferença subir para seis antes da segunda parada.
A esta altura, a torcida arriscava até uma “ola”.
Palacio voou pelo corredor e, ao marcar o 18º ponto, balançou os braços pedindo apoio.
Silie também parecia querer ânimos exaltados.
Paula Pequeno, ao bloquear Cleger, se controlou para não comemorar na frente da adversária.
O Brasil conseguiu cortar quatro pontos e encostar em 21 a 20, mas um ataque de Carcaces e dois erros de recepção de Fabi deram o set point às cubanas.
Fabiana ainda salvou um pontinho.
Cleger fechou em 25 a 21.
Paula comete erros, e Garay ganha chance
Paula Pequeno acertou uma e errou três bolas nos primeiros oito pontos do set.
E coube a Thaisa, com dois pontos seguidos – e um de bandeja, em erro de posicionamento cubano -, deixar em vantagem na parada-técnica: 8 a 5. Carcaces, com uma medalhada no saque, empatou o jogo.
E Cuba passou à frente em um erro de posicionamento das brasileiras.
Zé Roberto trocou Paula por Fernanda Garay, estreante no Pan, e Mari comandou a virada.
Palacio caiu sobre as placas ao tentar salvar uma bola.
Não conseguiu.
O jogo parecia de volta aos eixos.
No segundo tempo-técnico, uma folga de cinco pontos.
Cleger soltava o braço, Palacio comemorava cada bola que, por erro brasileiro, dava ponto a Cuba.
E, numa bola para fora de Mari, ali estavam as cubanas de novo na cola - 19 a 18. E foi de Fernanda o ponto, pelo meio, que fez o Brasil voltar a respirar: 21 a 18. Silie sacou na rede, e deu o set pont em 24 a 20.
Thaísa fez o mesmo, mas Palacio resolveu imitá-la.
Brasil sofre apagão e Cuba força o tie-break
O quarto set foi tenso desde o início, com as duas equipes se alternando na frente do placar.
Sheilla atacou no corredor para deixar o Brasil na frente no primeiro tempo técnico (8/6), mas Cuba respondeu rápido.
Nervosas, as brasileiras reclamavam com a arbitragem e cometiam erros.
Enquanto isso, as adversárias aproveitamvam para abrir cinco pontos de distância (14/9).
A seleção brasileira sentiu o golpe e viu as cubanas dominarem o jogo e abrir nove pontos (22/13) depois de bom saque de Carcases.
Apenas quando cuba chegou ao set point foi que o Brasil acordou.
Foram seis pontos para diminuir a diferença para três, mas não foi o suficiente.
Cleger soltou a pancada para fazer 25/21 e forçar o tie-break.
Enfim, o ouro!
A tensão no último set era inevitável, mas a qualidade brasileira começou a fazer diferença.
Dani Lins acertou uma grande bola de segunda, e Sheilla explorou o bloqueio cubano para abrir dois pontos de vantagem (8/6).
A distância aumentou para três com o toque de rede cubano (10/7), que fez com que o técnico pedisse tempo.
Para o Brasil, bastava virar os pontos, mas as jogadoras fizeram mais.
Fabiana abriu o caminho, Paula Pequeno acertou uma diagonal no fundo da quadra, e Tandara soltou a pancada no corredor para deixar a líbero cubana no chão.
Fechar em15/10 e fez a seleção explodir em alegria.