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28/10/2011
Cemitério “Ariró Procópio dos Santos”, no Centro da cidadeCemitérios já passam por reformas para receber visitantes; celebrações religiosas também estão previstas
Na próxima quarta-feira, 2 de novembro, feriado nacional, fiéis católicos participam dos ritos de Finados. Em Ituverava, cerca de 14,5 mil pessoas são esperadas nos cemitérios “Ariró Procópio dos Santos”, no Centro, e “Bom Pastor”, na Cohab/Cecap.
“Para o Finados, foram iniciada as podas da grama e das árvores. Também será feita a pintura das guias das ruas e limpeza de alguns túmulos antigos”, disse o secretário de Obras e de Serviços Urbanos, José Carlos da Costa Miranda Filho.
Segundo ele, os reparos nos Cemitérios são feitos, como parte da verba enviada pelo governo estadual de R$ 250 mil, que inclui também a reforma do Velório Municipal. Segundo ele, o município já recebeu R$ 125 mil para a primeira parte das obras.
“No Velório, a última das quatro salas do local já foi interditada nesta semana e as obras deverão começar imediatamente. Já nos cemitérios, até agora, foram reformados banheiros. O projeto ainda inclui iluminação e asfaltamento das ruas. A segunda etapa deve ser iniciada assim que chegar o restante dos recursos”, complementou o secretário de Obras.
Fluxo
O administrador dos cemitérios, João Miguel Marques, ressaltou que, neste ano, o número de visitantes deverá se manter no mesmo patamar dos anteriores.
“No ano passado, apenas 11 mil pessoas estiveram nos Cemitérios, em Finados, pois se tratava de um feriado prolongado e muitas pessoas viajaram. Este ano, entretanto, a data deve ‘cair’ em uma quarta-feira, impossibilitando muita gente de viajar. Então, elas devem ir ao cemitério”, disse.
De acordo com Marques, o Cemitério “Ariró Procópio dos Santos” possui 29 mil pessoas enterradas, enquanto que o “Bom Pastor” tem 2,8 mil.
Cemitérios terão missas para homenagear os que se foram
Os dois cemitérios terão missas para celebrar o Finados, segundo os escritórios das paróquias “Nossa Senhora do Carmo” e “São João Batista”.
No Cemitério “Ariró Procópio dos Santos” (Centro), a missa acontece às 8h, na própria capela, e será celebrada pelo pároco Vilmar Volpato.
“A missa será uma importante eucaristia, pois lembrará dos que já se foram. Ela celebra a passagem para a vida eterna e, por isso, neste dia, devemos é nos alegrar e não entristecer”, afirmou o pároco.
No Cemitério “Bom Pastor”, na Cohab/Cecap, a missa será celebrada às 8h, pelo pároco Antônio Marcos da Silva. “É celebrar essa vida eterna. Pois, a vida cristã significa comunhão com Deus, agora e para sempre”, ressaltou.
Finados marca o início da vida eterna com Deus
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o Finados pode ser visto como uma celebração. Não se trata do Dia dos Mortos, mas sim, o dia de celebrar a vida eterna das pessoas queridas que já se foram. Pode ser traduzido como o Dia do Amor, porque amar é sentir que o outro não morrerá jamais.
Desde o século 1º, os cristãos rezam por seus falecidos; costumavam a visitar os túmulos dos mártires nas catacumbas para rezar pelos que morreram sem martírio. No século 4º, já encontramos a Memória dos Mortos na celebração da missa.
Desde o século 5º, a Igreja dedica um dia por ano para rezar por seus mortos. Desde o século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVIII (1009) e Leão IX (1015) obrigaram a comunidade a dedicar um dia por ano aos mortos. Desde o século XIII, a celebração acontece em 2 de novembro.
Devoção popular elege
milagreiros de Ituverava
Ituverava também tem seu milagreiro. Durante o Finados, um dos túmulos mais visitados do Cemitério Municipal “Ariró Procópio dos Santos” é do funcionário público municipal, Pedro Augusto Zune (“Tio Pedro”), falecido na década de 30. A ele, católicos de toda a região atribuem curas e até milagres.
De acordo com histórias populares, depois de ser exonerado da Prefeitura, ele teria passado a cuidar de pessoas, principalmente andarilhos. Portador de hanseníase (lepra), “Tio Pedro” perambulava pela cidade visitando doentes e promovendo sua cura.
Dizem que seus dedos foram enterrados em algum trecho na então Avenida Dr. Francisco Glicério, hoje Avenida Dr. Soares de Oliveira.
“Fui curada de uma doença”, afirma a enfermeira Ana Calixta Augusto, 69 anos, que se diz devota de “Tio Pedro” há 20 anos. “Cheguei a ser desenganada pelos médicos. Aí, eu me ‘apoiei’ na fé e pedi a ‘Tio Pedro’, que já havia feito tantos milagres em Ituverava. Então, fui atendida: um mês depois melhorei bastante e, no ano seguinte, estava curada”, relatou.
Outro jazigo bastante visitado no Finados é o do monsenhor João Rulli, padre que chegou a Ituverava em 1925 e, com seu espírito de empreendedorismo e dinamismo, construiu a Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo e iniciou movimento para fundação da Santa Casa de Misericórdia de Ituverava.
João Rulli – que possui uma estatura em tamanho natural na frente da Santa Casa – foi um líder religioso extremamente bondoso e é, até hoje, lembrado por sua fé e perseverança.
Além destes dois, também são bastante visitados os túmulos de crianças e de pessoas que faleceram de forma prematura e inesperada.
Floriculturas esperam aumento entre 10% e 11% nas vendas
O Finados pode ser considerado o “Natal das floriculturas”, devido ao grande número de pessoas que compram flores, para homenagear seus mortos. Crisântemos e margaridinhas ainda são os grandes responsáveis pelas vendas. Entretanto, as floriculturas também estão se especializando em arranjos mistos, com flores do campo, a preços bastante acessíveis.
A Floricultura da Irani, no bairro Parque Monte Alegre já fez seu estoque para as vendas de Finados. “Nos últimos anos, com os supermercados vendendo flores também, as floriculturas tiveram uma baixa. Entretanto, isso vem mudando ao longo dos anos. Agora, por exemplo, estamos esperando uma modesta melhora nas vendas de 10%, em relação ao ano passado”, disse o administrador Benedito Acir Barbosa.
Já a floricultura Art Flor, no Jardim Modelo, aposta em um crescimento de 11% nas vendas. “Embora o Finados seja uma data boa para nós, que temos o comércio baseado na venda de flores, há os oportunistas que querem tirar proveito da data, como é o caso dos supermercados, que também comercializam plantas para a data. Isso acaba sendo ruim para nós e até para eles, pois a clientela se divide”, afirmou o proprietário Márcio Pereira.
Comércio informal também
lucra com o Finados
Também lucram com o Finados o comércio informal. A dona de casa Geralda Gonçalves Chaves, 64 anos, e sua filha Cleuza Regina Leite, são algumas das várias pessoas que fazem limpeza de túmulos nos Cemitérios. O trabalho ainda conta com o auxilio da amiga Edilene Maria Aparecida.
“Durante o ano, cuido de uns 20 túmulos em que faço a manutenção e limpeza. Cobro uma mensalidade entre R$ 15 e R$ 20. Nesta época do ano, tenho muitos pedidos extras. O dinheirinho ajuda no orçamento da família”, afirmou a dona de casa.
Ela ressaltou ainda que “o movimento este ano está fraco”. “Com a aproximação do Finados, mais pessoas deveriam já estar trabalhando. Creio que este o ‘movimento’ deve melhorar no final de semana”, concluiu Geralda.