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02/12/2011
Pátio da Sitran – Sinalização de Trânsito Industrial, próximo ao Posto 2000, onde está um grande número de veículos recolhidos
Inquérito da PM apura as denúncias; policiais atuavam em cinco cidades
Dezessete policias militares rodoviários presos. Este foi o desfecho de investigação feita pela Corregedoria da PM do Estado, que recebeu denúncias de Corrupção Passiva ocorrida na área do 3º Pelotão de Policiamento Rodoviário, sediado em Franca. Os policiais são suspeitos de fazer parte de um esquema de recebimento de propina. Eles apreendiam veículos, que eram transportados para o pátio de Ituverava.
Segundo a Agência Estado, as denúncias contra o grupo surgiram há três meses. As empresas de guincho pagariam aos policiais para intensificar a apreensão de veículos nas rodovias da região. Neste ano, o pátio de recolhimento de veículos foi transferido de Franca para Ituverava, a cerca de 70 km de distância.
Desde então, motoristas passaram a reclamar que a fiscalização nas rodovias passou a ser muito rígida. O custo do guincho e da estadia são elevados, sem contar a burocracia e os gastos para liberar o veículo apreendido.
Escutas telefônicas
O esquema teria sido descoberto depois de denúncia e interceptação de escutas telefônicas, que teriam confirmado que os policiais recebiam de ‘guincheiros’ um percentual sobre o valor do serviço de reboque. Os PMs acusados pertencem ao 3º Batalhão de Polícia Rodoviária (3º BPRv).
Mediante à denúncia, os 17 policiais que atuavam nos municípios de Franca, Pedregulho Brodowski e Ituverava, cumprem prisão cautelar e devem ficar presos por cinco dias no batalhão da PM em São Paulo. Enquanto isso, a corregedoria avança nas investigações, reúne provas e ouve os envolvidos. O pelotão de Franca viu seu efetivo em atividade cair de 22 para apenas 5 homens. Para suprir a ausência desses policiais, estão sendo deslocados para a região integrantes de outros pelotões.
Eles deverão permanecer recolhidos em São Paulo pelos próximos cinco dias ou até que os fatos sejam apurados. No ano passado, 168 policiais militares foram expulsos, no Estado de São Paulo, envolvidos em diversos crimes. Este ano foram 196, um aumento de 17%.
Defesa
O advogado dos policiais, Bruno Aguiar, que está acompanhando o caso, disse que ainda não entrou com recurso dos seus clientes porque eles foram detidos de forma administrativa. “Ainda não cabe defesa, mas estou acompanhando o desenrolar do caso”.
Entre os indícios contra os acusados, haveria o caso de um policial que, em média, fazia duas apreensões de veículos por dia e passou a fazer mais de dez. Também são apuradas outras denúncias, como a de que um guincho recolhia vários veículos de uma vez, mas não dividia o preço, cobrando o valor de cada (de R$ 350 a R$ 700 por veículo).
A empresa Sitram, responsável pelo pátio para onde os carros eram levados, decidiu afastar os donos de caminhões guincho investigados.
Pátio
O pátio que recebe os veículos apreendidos na região é particular e fica em Ituverava, enquanto não é inaugurado um novo do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Prometido para setembro, até hoje não foi entregue.
O novo pátio será no km 43 da Rodovia Fábio Talarico SP 345 (Franca e Barretos), e terá cerca de 20 mil m² e capacidade para 1.200 veículos. A nova data de inauguração ainda não foi informada.
Reclamações sobre valor alto da estadia eram freqüentes
Há dois anos, o pátio da cidade recebe os veículos retidos por documentação irregular ou por falta de manutenção. Freqüentemente, reportagens publicadas na imprensa regional mostraram a insatisfação de motoristas que, por algum motivo, tinham seus veículos multados, retidos e encaminhados para o pátio de Ituverava.
Moradores de pelo menos oito cidades da região se sentiram prejudicados com as modificações. Quando os veículos ficavam em Franca, os valores do guincho eram de R$ 70 para carros, R$ 59 para moto e R$ 129 para caminhões. O valor da estadia tinha R$ 16,74, como valor máximo.
Com a mudança, a taxa mínima desembolsada pelos motoristas com veículos apreendidos passou a R$ 141,37 e mais R$ 4,59 por quilômetro rodado do guincho. No caso de caminhões, o valor passou para R$ 284,06 mais R$ 10 por quilômetro. A estadia para carros no local custa R$ 36,78 e de caminhão R$ 110,34.
O pátio é administrado pela empresa Sitran – Sinalização de Trânsito Industrial. Na tarde de quinta-feira, a equipe da Tribuna de Ituverava tentou falar com algum porta-voz da empresa sobre as denúncias. Porém, ninguém foi encontrado.
Caminhão Volvo gasta R$782 para ser liberado
O motorista José Joaquim Franco, que conduzia um Caminhão Volvo, teve de desembolsar a quantia de R$ 782,32. “Foi uma viagem que ficou muito cara para mim. Além da multa e das custas do veículo no pátio, tive de pagar por hospedagem e alimentação na cidade”, explicou. Franco pagou R$ 234,52 de estadia, R$ 218 de guincho e mais R$ 329 por quilômetro rodado, perfazendo o total de R$ 782,32.
Os fatos causam, no mínino, perplexidade, pois o valor é escorchante, para estadia, guincho e transporte, além de o motorista arcar com o valor da multa.
Valor pago para Sitran Sinalização de Transportes Industrial
Motoristas prejudicados procuram jornal reclamando do abuso dos custos
No mês de junho, motoristas que transitavam pela Rodovia Anhangüera tiveram seus veículos recolhidos ao Pátio da Sitran, também chamado de Pátio do DER. Marcelo Resende Barbosa vinha de Araguari (MG) para São Paulo e, logo ao entrar no Estado de São Paulo, teve seu veículo apreendido devido a irregularidades.
O Chevrolet Monza foi encaminhado para o Pátio administrado pela empresa Sitran. Marcelo arcou com as despesas de guincho e duas diárias gastando R$ 365,86: foram cobrados dois dias de estadia, no valor de R$ 78,16, o guincho por R$ 119,48 e 42 quilômetros rodados, perfazendo R$ 168,42. “É um absurdo. Não reclamo da multa. Se fui multado é porque estava errado. Porém, meu carro ficou cerca de catorze horas no pátio e tive de pagar duas diárias, ou seja, R$ 365. Não tem condições”, reclamou o motorista.
Em outra reportagem divulgada nesta semana pela imprensa, um motorista de caminhão (que pediu para não ser identificado) relatou que teve seu veículo recolhido por um problema que, normalmente, é resolvido no próprio local, sem a necessidade da apreensão. Ele conta que gastou mais de R$ 1,5 mil entre guincho, estadia e taxas para ter o veículo de volta.
Despesas cobradas do automóvel Monza
