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19/12/2011
Pais ou responsáveis devem levar seus filhos para vacinar contra a doençaDoença, que antes era considerada extinta no Brasil, é confundida com resfriado no Brasil
Depois de mais de trinta anos erradicada, a coqueluche – quem diria – voltou a fazer vítimas na região Sudeste do Brasil. Altamente contagiosa, a infecção causada por bactéria pode trazer sérias complicações, como a pneumonia.
A volta da coqueluche é mesmo uma surpresa, depois de ter sido praticamente erradicada. No Brasil, o Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan) registrou 427 casos no ano passado – 80% deles em bebês menores de um ano.
O Estado de São Paulo teve aumento de 83%, entre os anos de 2006 e 2010. Na América Latina, o número de casos da infecção pela bactéria Bordetella pertussis cresceu quase cinco vezes entre 2003 e 2008, segundo a Organização Panamericana de Saúde. Em todo o mundo são 50 milhões de casos por ano, com 300 mil mortes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Dezembro e janeiro exigem atenção às tosses, pois em meses de calor mais elevado, é maior a incidência da coqueluche. Para os adultos, os sintomas são mais brandos e, muitas vezes, a doença é confundida com resfriado. Tal engano pode causar a transmissão da doença às crianças, mesmo simplesmente ao se falar. Em 75% dos casos, recém-nascidos são contaminados por alguém da família.
As 15 mortes registradas no Brasil de janeiro a agosto deste ano foram de menores de 2 anos de idade. Nesses oito meses, houve 595 casos, contra 291 do mesmo período do ano passado. Mas os números verdadeiros são maiores, justamente pelas vezes em que a doença não é identificada.
Em Ituverava, a última suspeita de coqueluche foi notificada há três anos, pela Secretaria Municipal de Saúde. “Graças a Deus, é mais uma doença que as pessoas só ouvem falar, por ter sido erradicada. Entretanto, alguns cuidados devem ser tomados para que ela não volte. O principal deles é a vacinação”, diz a enfermeira Ione Márcia Mendonça de Castro, da Secretaria Municipal.
Ione chama atenção dos pais. “Infelizmente, alguns pais e responsáveis são totalmente displicentes com a saúde dos filhos, não os levando às campanhas de vacinação gratuitas, promovidas pelo governo. Isso faz com que estas doenças do passado voltem e façam vítimas”, completou.
Maior incidência
“Não é doença de verão, é um risco o ano inteiro. Mas aumenta mesmo em dezembro e janeiro, por motivos biológicos da bactéria”, afirmou o presidente da Associação Brasileira de Imunizações (Sbim), Renato Kfouri.
Humberto Costa (PT-PE), presidente da Subcomissão de Saúde do Senado e ex-ministro da Saúde, acredita que a doença continua sob controle, mas garante que o Congresso está atento à questão.
Exame para detecção é rápido e eficaz
No Brasil, apenas o Instituto Adolfo Lutz em São Paulo faz, de rotina, o exame de PCR (sigla em inglês de Reação de Polimerase em Cadeia), mais sensível, rápido e eficaz no diagnóstico da coqueluche. O melhor mesmo é se proteger com a vacina tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche, comum ou acelular ou inativada, que traz menos reações), disponível nos postos de saúde ou em clínicas particulares.
A vacina é indicada para bebês de dois, quatro e seis meses, com reforço entre 15 e 18 meses e entre 4 e 6 anos, segundo a SBIm. Adultos (inclusive grávidas) devem ser vacinados e consultar seus médicos quanto às doses. Além da vacina tríplice bacteriana, foi lançada a Adacel Quadra, de reforço, que previne coqueluche, tétano, difteria e inclui poliomielite.
Dúvidas que devem ser solucionadas
O que é a coqueluche?
A coqueluche é uma doença altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, cujo sintoma marcante é tosse severa. Em todo o mundo há entre 30-50 milhões de casos de coqueluche e em torno de 300 mil mortes anualmente.
Apesar da alta cobertura geral com vacinas, a coqueluche é uma das principais causas de morte por doença prevenível por vacina no mundo.
A maioria das mortes acontece em crianças pequenas que, ou não foram vacinadas ou sofreram vacinação incompleta. Três doses da vacina são necessárias para proteção completa contra a coqueluche.
Crianças tendem a sofrer de coqueluche mais do que adultos e 90% dos casos da doença acontecem em países em desenvolvimento.
Qual é o quadro da doença?
Depois do período de dois dias de encubação, a coqueluche em bebês e crianças pequenas é caracterizada inicialmente por sintomas de infecção respiratória moderada como tosse, espirros e nariz escorrendo.
De uma a duas semanas o padrão de tosse muda, ficando mais forte e seguido por sons ao inspirar. Os acessos de tosse podem ser seguidos a vômito, devido à sua violência.
Em casos severos, o vômito induzido pelos acessos de tosse pode ocasionar subnutrição e desidratação. A tosse gradualmente diminui depois de um ou dois meses durante o estágio de convalescença.
Outras complicações da doença podem incluir pneumonia, encefalite, hipertensão pulmonar, e super-infecção bacteriana secundária.
Quais são os sintomas da coqueluche em
adultos e adolescentes?
Já que nem a vacinação e nem a infecção, conferem imunidade em longo prazo, as infecções em adultos e adolescentes também acontecem. A maioria dos adultos e adolescentes que ficaram doentes com coqueluche foram vacinados ou infectados previamente.
Quando há imunidade residual de infecção ou imunização prévia, os sintomas podem ser mais moderados, como tosse prolongada sem os outros sintomas clássicos da.
Entretanto, adultos e adolescentes infectados podem transmitir a bactéria a indivíduos susceptíveis.