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01/01/2012
Em 2011, bloco econômico enfrentou desconfiança do mercado. Economista vê sobrevivência da moeda no longo prazo.
Há exatos dez anos, europeus de 12 países pegavam em mãos as primeiras notas da divisa que deveria significar a união do continente e a criação de uma “moeda forte” e comum para países de economias tão distintas. Trazia a promessa de mais desenvolvimento e integração para os países da Europa, por meio da moeda que seria capaz de fazer frente ao poderoso dólar norte-americano.
(Veja no vídeo acima, divulgado pelo BCE: como as notas de euro são fabricadas.
Atualmente, a moeda corre riscos. Mais de 332 milhões de pessoas usam o euro – são cerca de 870 bilhões de euros em notas e moedas em circulação, segundo o Banco Central Europeu (BCE). Ao longo de seus dez anos de existência, outros cinco países o adotaram: Eslovênia (2007), Chipre (2008), Malta (2008), Eslováquia (2009) e Estônia (2009).
A falta de confiança na eurozona e no próprio euro, no entanto, colocou em dúvida sua viabilidade e ameaça sua sobrevivência.
As dúvidas são alimentadas pelos augúrios sombrios de analistas, agências de medição de risco e personalidades europeias, como o primeiro presidente da Comissão Europeia e um dos arquitetos do euro, Jacques Delors, chegou a afirmar que a eurozona e sua moeda estão à beira do precipício.
Para funcionar direito, o euro precisava de um regime fiscal, impostos, cobranças e penalidades parecidos, o que não existe até hoje. Alguns países europeus já estavam enormemente endividados quando o bloco foi criado e, em maio de 2010, uma crise de endividamento soberano eclodiu na Europa e terminou em ações de ajuda financeira para Grécia, Irlanda e Portugal.
Os investidores reduziram sua exposição à zona do euro e se cansaram das inúmeras cúpulas europeias. Comissão Europeia, FMI, Banco Central Europeu e com força cada vez maior, a Alemanha, vão moldando um novo modelo de salvação que, apesar das contínuas reuniões, ainda parece muito nebuloso.
Preocupação com a Grécia
O maior risco de “deserção” parece vir da Grécia. O país tem hoje uma dívida equivalente a cerca de 142% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, a maior relação entre os países da zona do euro. O volume de dívida supera, em muito, o limite de 60% do PIB estabelecido pelo pacto de estabilidade assinado pelo país para fazer parte do euro. E a impossibilidade de desvalorizar a moeda e, assim, favorecer as exportações do país, dificulta a recuperação grega.
A Grécia vem sendo pressionada para colocar suas contas em ordem, e tem recebido sucessivas ajudas bilionárias dos demais países do bloco. O temor é que um calote da dívida grega estimule outros países também altamente endividados, como Irlanda e Portugal, a fazerem o mesmo, abalando a confiança no euro e tornando mais cara a rolagem de dívidas dos países que usam a moeda.
Um fim do euro seria uma catástrofe para os bancos europeus, e faria com que, por sua vez, a inflação e o desemprego disparassem, advertem os economistas. No caso de um país como a Grécia decidir sair da união monetária, sua própria moeda, neste caso o dracma, registraria imediatamente uma forte desvalorização. E os detentores da dívida grega sofreriam grandes perdas. O mesmo ocorreria em cada país que abandonar o euro.
O "fim do euro seria o fim da Europa", advertiu o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Futuro da moeda
Na avaliação de Roberto Padovani, economista-chefe da Votorantim Corretora, o medo sobre o possível fim da moeda única pode refletir apenas uma ansiedade do mercado financeiro, que trabalha com análises de curto prazo. Para ele, de uma perspectiva histórica, o que se vê é um avanço para a moeda, não um retrocesso.