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16/01/2012
O médico veterinário do Hospital-Escola mantido pela Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Edmilson Rodrigo Daneze; no destaque, com animal do canilClima quente pode causar doenças e trazer muito sofrimento ao animal
Não são apenas os seres humanos que sofrem nos dias de calor no Verão. Altas temperaturas, abafamento e sol, mexem com a rotina de animais de estimação, que passam precisar de mais cuidado e atenção, nesta época. O clima quente pode causar doenças e muito sofrimento ao animal.
Por isso, é importante que o dono siga algumas recomendações que promovam o conforto e bem-estar de cães e gatos nessa época do ano. O médico veterinário do Hospital-Escola mantido pela Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), Edmilson Rodrigo Daneze – que faz parte do curso de Aprimoramento em Clínica e em Cirurgia Veterinária da Fafram – enumera algumas dicas para que o Verão seja “amigo” e não o vilão da saúde do animal.
“A falta de cuidados pode predispor o animal a um quadro de insolação ou estresse térmico, que ocorre quando ele perde a sua capacidade natural de regular a temperatura corporal”, afirmou o médico veterinário, em entrevista à Tribuna de Ituverava.
Segundo ele, os sinais de estresse térmico mais comuns incluem respiração rápida e ofegante, olhos vidrados, pulso rápido, vômitos (por fezes com sangue), gengivas secas e pálidas, aumento de produção e espessamento da saliva, língua muito vermelha ou roxa e, em alguns casos, depressão, fraqueza, tonturas, diarréia, convulsões podendo chegar ao coma e levar o animal a morte”, explica o veterinário.
Ele recomenda que, caso o proprietário do animal perceba algum desses sintomas, o animal deve ser levado para a sombra. “Deve-se passar água ao longo do seu corpo, começando pelas patas e, gradualmente, pelo restante do corpo. Em seguida aplique toalhas frias ou bolsas de gelo na cabeça, pescoço e peito. Deixe que o animal beba pequenas quantidades de água e procure um veterinário imediatamente”, alerta.
Veja alguns cuidados importantes com o animal
Água
Quando está muito calor, o ser humano precisa ingerir uma quantidade considerável de água para se manter saudável. Com os cães não é diferente: ele precisa de água fresca à vontade, deixando disponível um volume maior do que o habitual.
“Se perceber que a água está acabando muito rápido, opte por um bebedouro maior. Lembre-se sempre de deixar a vasilha na sombra e trocá-la várias vezes durante o dia, mesmo que ela pareça limpa”, recomenda o veterinário.
Segundo ele, quem costuma levar animais em viagens de férias não deve permitir que ele beba água de piscina. “O cãozinho pode tentar fazer isso por conta do calor, mas não é aconselhável, pois a água tem produtos químicos que podem causar vômitos e até gastrite”, recomendou.
Apetite
Não se assuste se houver alguma alteração de apetite do animal. Em dias muitos quentes, alguns animais podem comer menos que o habitual, preferindo se alimentar, quando as temperaturas estão mais agradáveis.
“Procure deixar uma vasilha com ração disponível para que ele se alimente quando achar conveniente”, explicou o veterinário.
Banhos
Aumentar a freqüência dos banhos também é uma boa medida para o conforto do bicho, segundo o veterinário do Hospital-Escola da Fafram. Segundo ele, os que estão acostumados a tomar banho uma vez por semana, por exemplo, podem passar a tomar dois.
Em dias em que a temperatura ultrapassa os 30°C os banhos deverão ser com água fria, nos horários mais frescos do dia e a secagem do animal deverá ser com a temperatura mais fria do secador.
“O abafamento e a umidade favorecem a proliferação de fungos e bactérias que podem levar a problemas de pele. Adote produtos neutros, que não irão agredir a pele ou retirar em excesso a oleosidade natural. Além disso, tome todos os cuidados para não entrar água nos ouvidos”, afirma Daneze.
Calor excessivo
Naturalmente, as raças mais peludas são as que mais sofrem com o calor. “Se a raça permitir, o ideal é tosar com freqüência, pois o animal terá mais conforto”, recomendou Daneze. Ele diz, entretanto, que caso não seja possível, o animal deve ser mantido em local mais fresco.
“Cachorros que possuem focinhos longos como os Bulldogs, Pugs, Boxers, Shitsus, Lhasas Apso, Boston entre outros, também sofrem bastante com o aumento da temperatura, já que a própria anatomia do animal causa certa dificuldade na respiração, o que se agrava com o calor”, disse.
Cães dentro do carro
Em dias de tempo bom, a maioria dos donos pode querer levar o animal no carro, enquanto for viajar. Porém, jamais deixe um cão dentro do carro com os vidros fechados no calor, mesmo que seja para um afazer rápido.
“A temperatura dentro de um veículo sobe rapidamente, principalmente quando as portas e janelas estão fechadas. Animais que são deixados em carros quentes mesmo brevemente podem sofrer de calor exagerado, insolação, danos cerebrais, e podem até mesmo morrer. Por isso é tão importante que ele esteja sempre em um local bem ventilado”, afirmou o veterinário da Fafram.
Uma pequena abertura no vidro do carro também não é suficiente para a temperatura interna do veículo se manter adequada. “Caso você veja um animal de estimação sozinho dentro de um carro fechado, alerte alguém próximo onde o carro está estacionado ou chame alguma ajuda rapidamente”.
Cães sob sol forte
Edmilson Daneze também recomenda que o animal nunca deve ficar preso ao sol. “Isso equivale ao mesmo que deixá-lo preso dentro de um carro, sem nenhuma ventilação”, enfatizou.
Segundo ele, no sol, o animal sofre muito, pois necessita fazer muito esforço para manter a temperatura do corpo estável, diferente de estar deitado num ambiente sombreado. Além de que, assim como nós, os cachorros também podem sofrer queimaduras solares.
“Os animais mais afetados pela exposição ao sol são os de pelagem branca ou pele rosada. Eles são mais suscetíveis aos raios UV. Nestes casos, é bom conversar com o veterinário e verificar a necessidade de aplicação de algum protetor solar no animal. Atenção especial às áreas mais expostas: focinho, ponta das orelhas, abdome e patas”, indicou o veterinário.
Caminhadas
“As caminhadas são extremamente importantes para os cães, diferentemente dos gatos”, disse Daneze. Ele recomenda também que, em dias quentes, é necessária maior atenção, principalmente ao horário em que o animal será levado para passear.
“Evite atividades físicas e passeios em horários de sol alto e forte. Se necessário, mude a rotina do bicho. Assim, prefira sair com ele pela manhã, até as 10 horas, ou à tarde, após as 16 horas. Isso porque o calor excessivo do asfalto e pisos pode queimar os coxins (almofadinha da pata)”.
Ele aconselha para que o dono tenha cuidado com terrenos muito acidentados, “principalmente se o seu animal costuma viver em um ambiente com piso liso”, afirmou. “É provável que a patinha dele seja muito mais sensível do que se imagina”, acrescentou Daneze.