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23/01/2012
Supermercado Liberdade que utiliza sacolas biodegradáveis desde a inauguração de sua nova lojaRede Liberdade de Ituverava foi a pioneira a implantar “sacolinhas verdes” na região
A partir do dia 25 de janeiro, as sacolinhas plásticas deverão ser banidas dos supermercados. A medida obedece à Lei Estadual e determina que as tradicionais sacolas plásticas sejam substituídas por retornáveis – feitas com matéria-prima de fonte renovável.
Em Ituverava, algumas empresas já se adéquam à modificação. É o caso da rede de supermercados Liberdade que, preocupada com a sustentabilidade, utiliza sacolas biodegradáveis desde a inauguração de sua nova loja, em agosto deste ano. “O meio ambiente sempre foi uma preocupação constante da nossa empresa. A substituição das sacolinhas comprova nosso comprometimento som a sustentabilidade”, afirmou o empresário Bassim Tannous, proprietário da rede.
Segundo ele, a rede de supermercados coloca em circulação na cidade cerca de 150 mil unidades por mês. “A substituição, entretanto, não foi a única. Também optamos pela embalagem de nossos pães em sacolas de papel, que são politicamente corretas e não trazem conseqüências severas ao meio ambiente”, acrescentou empresário.
Repercussão
O Grupo Pão de Açúcar – que é proprietário das redes populares de supermercados Extra e CompreBem – iniciou um pacote de ações ambientais para reduzir o impacto de emissões de carbono e também diminuir o volume de resíduos ambientais. A substituição das sacolinhas plásticas é a primeira das medidas de grande impacto.
Segundo o vice-presidente-executivo de Relações Corporativas do Grupo, Hugo Bethlem, as sacolinhas serão totalmente banidas dos 700 supermercados, hipermercados e drogarias do Estado de São Paulo e os preços das sacolas retornáveis será reduzido.
Sacolinhas plásticas biodegradáveis confeccionadas de amido de milho. Na avaliação de Bethlem, entretanto, a expectativa é que o consumidor a escolha apenas para emergências.
“Será uma revolução em nossa loja, pois as novas sacolas são elaboradas à base de amido de milho, um material muito inovador. Este produto se deteriora em até três meses no meio ambiente”, afirma a líder de Frente de Caixa do Extra, Eliana Gonçalves Costa Nunes.
“Nossa intenção é contribuir para o consumo sustentável e reduzir o impacto ao meio ambiente. Mudanças como estas são muito importantes, e a população ituveravense deve se conscientizar disso”, acrescentou Eliana.
Supermercados da cidade
O supermercado Fartura também deve aderir à decisão, embora não tenha informado qual medida deverá optar. “Estamos aguardando uma resolução mais objetiva sobre a abolição das sacolinhas. Porém, sabemos que temos de fazer nossa parte e ajudar a preservar o meio ambiente”, afirmou a proprietária do supermercado, Iracema Ribeiro.
Entretanto, nem todos concordam com a medida. “Eu acho que a substituição pode até ajudar, mas não trará grandes resultados para o meio ambiente”, afirma o gerente da loja ituveravense do Grupo Cecílio, Júlio César Ferreira. “Não sabemos se a medida será tão eficaz assim e, por isso, vamos aguardar para ver se o impacto ambiental será reduzido. Afinal, as sacolinhas plásticas também têm outras utilidades para consumidor”, observa.
opiniões
“A medida é muito boa, pois as sacolinhas comuns demoram muito a se decompor e, por isso, causam muitos danos ao meio ambiente”.
Maria Ângela dos Santos, comerciante
“Considero a medida excelente, pois trará muitos benéficos ao meio ambiente. Já que a sacola biodegradável se decompõe em pouco tempo, e desta maneira deixar de poluir rios e ruas”.
Lázaro Moreira de Freitas, comerciante
“Acho a substituição positiva desde que seja por biodegradável, pois caso seja retornável, trará um problema, já que deixaríamos de ter sacolas para colocarmos o lixo que produzimos.
Silvério Lima Neto, agropecuarista
“Aprovo a medida, pois tem o objetivo de zelar pelo meio ambiente, fazendo com que as sacolinhas deixem de ser jogadas nas ruas, entupindo bueiros e acusando estragos ao meio ambiente”.
Paulo Eurípedes Marques, policial Militar Rodoviário da Reserva
Brasil produz 500 mil toneladas
anuais de plástico para sacolinhas
O país produz mais de 500 mil toneladas anuais de plástico filme (matéria-prima das sacolinhas plásticas). Elas são resultantes de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD), gerando 135 bilhões de sacolas anuais.
Calcula-se que cerca de 90% desse material, com degradação indefinida, acaba servindo de lixeiras ou viram lixo. Em São Paulo, o consumo mensal está na casa dos 2,4 bilhões, o que corresponderia, em uma conta simplificada, a 59 unidades por pessoa.
No mês de maio do ano passado, a Tribuna de Ituverava antecipou o assunto e realizou Enquete sobre o tema. Na ocasião, doze pessoas opinaram sobre a eliminação das sacolinhas plásticas. A maioria se colocou a favor da medida. “Concordo, pois hoje se discute muito sobre o meio ambiente, e esse tipo de medida com certeza vai trazer grandes benefícios à natureza”, afirmou a professora e comerciante Eurípedes Maria Costa Barbosa, 59 anos.
O professor Roberto Nascimento, do Núcleo de Estudos de Varejo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), disse que na polêmica entre os interesses do varejo e da indústria, o consumidor foi deixado de lado. “Nós somos a favor da preservação do ambiente, mas também poderiam pensar em campanhas que beneficiassem o cliente”, observou.
Substituição
As tradicionais sacolinhas plásticas oxibiodegradáveis de supermercados, serão substituídas por sacolinhas produzidas com resina baseada em amido de milho. Enquanto as tradicionais demoram de 300 a 400 anos para se decomporem – prazo que pode ser maior, dependendo da qualidade e estrutura do aterro sanitário –, as produzidas com a resina de amido de milho se decompõem em 90 dias.
Polêmica instalada
A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) é contra a iniciativa. “Essa campanha é um engodo para o consumidor”, afirmou o presidente, Alfredo Schmitt. Segundo ele, o setor vai perder 30 mil postos de trabalho em todo o país com a substituição das sacolinhas descartáveis, seis mil só no estado de São Paulo. Além disso, as sacolas reutilizáveis são importadas, reduzindo as oportunidades da indústria nacional.
O presidente da Apas, João Galassi, contesta o argumento e diz que muitas indústrias estão se adaptando e produzindo sacolas reutilizáveis. “Algumas empresas já mudaram o pensamento, pois sabem que o reutilizável veio para ficar”, afirmou.
A empresária Gisele Barbin, da Extrusa-Pack, disse que teve de reduzir a produção de sacolas descartáveis para começar a fabricar as retornáveis de polietileno e a “verde”, feita com etanol da cana-de-açúcar.
“Eu me adaptei à necessidade do mercado. Não tive prejuízo porque substitui a minha produção, mas acredito que se outras indústrias não se adaptarem, vai haver desemprego, pois o consumo das descartáveis vai cair bastante”.