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23/01/2012

SÃO PAULO O TEM PRIMEIRO CASO DE RAIVA EM 30 ANOS

Izabel, dona da gata que morreu diagnosticada com raiva

Felino morto com a doença, na capital, coloca Saúde Estadual em alerta máximo

D epois de quase 30 anos sem casos de raiva em animais domésticos na cidade de São Paulo – o último foi notificado em 1983 –, a capital registrou, no fim do ano passado, a morte de uma gata por causa da doença. O felino tinha aproximadamente 10 anos e pertencia à artesã Izabel Bonifácio da Cruz, que mora em Moema (zona Sul da cidade).

O bicho havia morrido em outubro, mas a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) do Município de São Paulo foram comunicadas apenas em dezembro. A demora na notificação teria sido atribuída a uma confusão em diagnosticar a causa da morte do animal.

A proprietária do animal relatou, em entrevista à imprensa, que a suspeita inicial era de que a gata tinha sido envenenada, já que em maio do mesmo ano outros animais tinham sido mortos dessa forma. Entretanto, após fazerem diversos testes para detectar intoxicação, todos com resultado negativo, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP) enviou, no fim de novembro, material para teste de raiva, que deu positivo.

A notícia pôs em alerta a comunidade de Saúde em todo o Estado de São Paulo, pois a raiva – também chamada de hidrofobia – é uma doença extremamente letal (veja texto, nesta página).

O último caso fatal de raiva humana no Estado de São Paulo foi registrado em 2001, na cidade de Dracena. Na ocasião, um morcego também infectou um gato, que depois transmitiu a doença a sua proprietária. Como não procurou ajuda a tempo, Iracema Milanez, de 52 anos, acabou morrendo.

Doença se manifesta até três meses

após contato com animal infectado.

O período de incubação da doença (intervalo entre a exposição ao vírus e o início da doença) é em média de 1 a 3 meses, nunca sendo menos de 3 semanas e podendo ir raramente até dois anos.

O vírus da raiva multiplica-se inicialmente de forma localizada no músculo ou tecido conjuntivo onde foi introduzido pela mordida ou arranhadela. Ele se alastra rapidamente através dos nervos periféricos ao resto do organismo, atingindo glândulas salivares – o que possibilita a excreção viral na saliva de animais com a doença –, fígado, músculos, pele, glândulas supra-renais e o coração.

Os danos causados pela doença ocorrem devido à grave encefalite (inflamação no cérebro) que ocorre drasticamente. A raiva tem a maior taxa de mortalidade de casos de todas as doenças infecciosas, superando outros vírus temidos como o HBV, HCV, HIV, Ebola e os agentes da dengue e febre-amarela.

Não há tratamento estabelecido para a raiva. Até o momento, todas as terapias antivirais falharam, assim como o uso de cetamina e indução de coma terapêutico. As chances dos infectados aumentam quando ainda não há inoculação do vírus.

Sintomas
Na fase inicial há apenas dor ou comichão no local da mordida, náuseas, vômitos e mal-estar moderado ("mau humor"). Na fase excitativa que se segue, surgem espasmos musculares intensos da faringe e laringe com fortes dores na deglutição, mesmo que de água.

O indivíduo ganha por essa razão, um medo irracional e intenso aos líquidos, motivo pelo qual é chamado de hidrofobia (hidro- água, fobia - medo). Logo que surge a hidrofobia, a morte já é certa.

Outros sintomas são episódios de hostilidade violenta (raiva), tentativas de morder e bater nos outros e gritos, alucinações, insônia, ansiedade extrema, provocados por estímulos aleatórios visuais ou acústicos. O doente está plenamente consciente durante toda a progressão.

A morte se segue na maioria dos casos depois de quatro dias. Numa minoria de casos, após esses quatro dias surge antes uma terceira fase de sintomas, com paralisia muscular, asfixia e morte mais arrastada.

Em todo o mundo, somente 3 casos da doença tiveram um desfecho positivo, ou parcialmente positivo: um nos Estados Unidos, outro na Colômbia e o terceiro e mais recente no nordeste do Brasil, sendo que os pacientes eram adolescentes entre 8 e 16 anos.

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