Clique aqui para ver a previsão completa da semana
27/01/2012
No local, psicólogos dão apoio às famílias de desaparecidos. O prefeito determinou que fiquemos aqui 24 horas por dia, diz secretário.
Parentes dos desaparecidos passaram a noite e a madrugada desta sexta-feira (27) em vigília na Câmara dos Vereadores à espera de notícias dos desaparecidos no desabamento de três prédios comerciais localizados no Centro do Rio. O acidente ocorreu na noite de quarta-feira (25).
Na Câmara Municipal foi montado um ponto de apoio para as famílias com a presença de psicólogos e assistentes sociais. No local, os parentes aguardam notícias sobre as buscas nos escombros.
O secretário municipal de Assistência Social, Rodrigo Bethlem, Bethlem disse que representantes de 26 famílias procuraram notícias de desaparecidos. Entretanto, não foi divulgada uma lista oficial ou até mesmo o número de pessoas procuradas. "Pode haver gente sendo procurada que não esteja aqui nos escombros", afirma.
Número de mortos
Até o começo desta manhã, sete corpos foram resgatados. Segundo a Polícia Civil, quatro vítimas foram identificadas. Foram relacionados como vítimas da tragédia Celso Reanato Braga Cabral, Cornélio Ribeiro Lopes, Margarida Vieira de Carvalho e Nilson de Assunção Ferreira.
Além das pessoas listadas oficialmente pela Polícia Civil, parentes também dizem já ter identificado o corpo do catador de lixo Moiséis Moraes da Silva. Celso Renato será enterrado na manhã desta sexta, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio.
Entre os desaparecidos, dez faziam cursos no prédio de 20 andares, que ruiu meia hora antes do fim da aula. Eles são funcionários da maior empresa do prédio, a TO - Tecnologia Organizacional, que tinha salas nos andares 3, 4, 6, 9, 10 e 14.
Entre os desaparecidos estão Bruno Gitahy e Kelly Meneses. Bruno chegou a falar com a mãe, avisando que não o esperasse para o jantar. Com 24 anos, uma das mais novas do grupo, Kelly trabalhava no local desde os 19 anos.
Flávio Porrozzi, também funcionário da empresa, chegou a falar com a noiva Tatiana durante a madrugada, após o desabamento, mas só disse duas palavras: “Oi, amor”. Seu celular perdeu a conexão.
Atendimento
O secretário municipal de Assistência Social, responsável por coordenar o atendimento às famílias e aos amigos dos desaparecidos, disse que o reconhecimento das vítimas é feito em etapas.
“Assim que a Defesa Civil avisa que encontrou corpo ou sobrevivente, informamos às famílias. As características do corpo são dadas, e se algum parente identificar alguma semelhança, conduzimos ao Instituto Médico Legal para que ela possa realmente fazer o reconhecimento”, disse.
"O que o prefeito Eduardo Paes determinou é que fiquemos aqui 24 horas por dia acompanhando essas famílias no sentido de dar a elas todo o conforto, toda orientação, e todo o apoio possível. Muitos dormiram na Câmara, estamos provendo comida, água, café para dar o mínimo de todo o conforto para quem está vivendo esse momento de tanto sofrimento", disse Bethlem.
Buscas por mais 48 horas
Também na madrugada desta sexta, o secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou que as buscas vão continuar por mais 48 horas na área dos escombros do desabamento.
"A gente corre contra o tempo. Eu trabalho com uma margem de 48 horas. Esse é um prazo que eu estou me impondo para encerrar as buscas", disse o coronel, acrescentando que, após esse prazo, o trabalho de retirada dos escombros será de competência da prefeitura.
Para Simões, o modo como o desabamento parece ter ocorrido dificulta ainda mais as buscas. "É essa nossa estimativa (de mais dois dias de trabalho) em razão da dificuldade que a gente está encontrando. O volume de material é muito grande. A essa altura já era para nós termos encontrado mais corpos, mas a sobreposição das lajes efetivamente é um dificultador", avaliou.