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30/01/2012

ANIMAIS PRECISAM DE CUIDADOS COM A VISÃO

Médica veterinária do Hospital-Escola da Fafram, Valéria Fardin

Diagnóstico das oftalmopatias se baseia no histórico da saúde do animal, obtido através do proprietário

Ela tem olhos de águia”. Quem nunca ouviu esta expressão, referindo-se à visão privilegiada de uma pessoa? Pois, saiba que, como os humanos, os animais também possuem complexas estruturas de visão e – como não podia ser diferente – vários problemas detectados nelas.

Atualmente, a Oftalmologia constitui um importante ramo da Medicina Veterinária. Afinal, é comum – e até freqüente – a ocorrência de afecções oculares nas espécies domésticas.

“Comece a prestar atenção nos olhos de seu animal de estimação”, recomenda a veterinária Valéria Fardin, do Hospital-Escola mantido pela Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram).“Qualquer alteração, como lacrimejamento excessivo, coceira nas pálpebras ou mudanças de coloração leve-o imediatamente para uma consulta”, afirmou Valéria.

Segundo ela, o diagnóstico das oftalmopatias se baseia no histórico completo da saúde do animal, obtido através das informações relatadas pelo proprietário. “Além disso, são elaborados exames sistêmico (geral) e oftálmico, bem como aplicação de testes diagnósticos”, explicou a veterinária.

Outra perspectiva
“O nosso amigo cão enxerga o mundo sob outra perspectiva, diferente da nossa. A primeira diferença é a altura e ângulo de visão. Eles estão muito mais próximo do chão e tem assim um outro campo visual. Além disso o visão não é o sentido mais importante e desenvolvido no cão. O olfato e audição são muito mais desenvolvidos e muito mais importante no dia-a-dia”, completou a veterinária.

“Todos enxergam melhor os corpos em movimentos e, por essa razão, pequenos movimentos têm interpretações distintas no cão, desde os bruscos de mãos ou mesmo alterações posturais que acabam significando muito para ele”, completou a veterinária.

Quatro doenças ocorrem com

mais freqüência em cães e gatos





Ceratites
As ceratites caracterizam-se por processos inflamatórios da córnea. Classificam-se, em decorrência da sua etiologia, em: infecciosas, alérgicas, traumáticas, idiopáticas e secundárias a doenças sistêmicas. Relativamente à profundidade da lesão, dividem-se em superficiais, intersticiais ou profundas, podendo, ainda, ser ulcerativas ou não. Existem alguns quadros particulares, como os da úlcera indolente do Boxer e o pannus oftálmico que, geralmente, acomete cães da raça Pastor Alemão. Diminuição da produção lacrimal pode acarretar o surgimento da ceratoconjuntivite seca (CCS).

Os sinais clínicos mais comuns nas ceratites são: perda de transparência da córnea, dor, fotofobia (sensibilidade à luz), blefaroespasmo e lacrimejamento. Nos casos crônicos ocorrem, ainda, vascularização e pigmentação da córnea. Na CCS, há aumento na produção de muco, ressecamento e espessamento da conjuntiva.



Uveíte
A uveíte ou inflamação da úvea que é constituída pela íris, corpo ciliar e coróide, pode ter origem infecciosa, imunomediada, tóxica, traumática ou desconhecida. Na maioria dos casos, o processo é secundário a doenças sistêmicas.

Os sinais clínicos mais freqüentes são: fotofobia (sensibilidade à luz), dor, blefaroespasmo, hiperemia (vermelhidão), lacrimejamento, miose (contração da pupila), edema de íris, hipópio, hifema e diminuição da pressão intra-ocular (PIO).

O tratamento consiste no uso de antiinflamatórios tópicos e sistêmicos e de cicloplégicos. Nos casos de uveíte secundária, é necessário estabelecer e tratar a causa primária. A doença pode promover sequelas.



Glaucoma
O glaucoma não é caracterizado apenas por um aumento na pressão intra-ocular, mas como uma doença com múltiplas etiologias que resulta na destruição da função e estrutura ocular. Pode ser decorrente da má formação ou obstrução do ângulo de drenagem; bloqueio pupilar (nos casos de uveíte) e luxação do cristalino.

Estes fatores acarretam a não eliminação do humor aquoso e conseqüente aumento da PIO (pressão intra-ocular), que é detectada por meio de tonômetro eletrônico. A predisposição para o glaucoma pode ser detectada à gonioscopia (exame do ângulo de drenagem do humor aquoso).

A doença se manifesta por sinais clínicos como edema de córnea, congestão de vasos oculares, dilatação da pupila, aumento da PIO e do bulbo do olho e dor. O glaucoma pode ser classificado em congênito, primário e secundário. Os dois primeiros tipos acometem cães das raças Basset Hound, Dachshund, Cocker Spaniel, Poodle e Schnauzer miniaturas, Husky Siberiano, Fox Terrier, Chiuhahua, Beagle, Border collie, dentre outras.



Catarata
A catarata é a opacificação das fibras ou da cápsula da lente. Pode ser originária de problemas congênitos, traumas, inflamações intra-oculares severas, diabetes, intoxicação por naftaleno ou dinitrofenol, pelo processo de envelhecimento – que deve ser diferenciado da esclerose da lente que ocorre em torno dos 8 anos em todos os cães – ou por um defeito hereditário recessivo, que é a causa mais comum.

No cão, as principais raças predispostas ao desenvolvimento de catarata hereditária são: Poodle, Cocker Spaniel Americano e Inglês, Schnauzer miniatura, Golden e Labrador Retriever, West Highland White Terrier e Afghan Hound. A catarata em gatos ocorre com menos freqüência e está relacionada principalmente com o envelhecimento, inflamações intra-oculares ou diabetes.

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