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06/02/2012
O médico Luciano Borges Santiago e a esposa Dra. Liliam Renata Silveira Santiago, que é ginecologista e obstetraSegundo ituveravense radicado em Uberaba, amamentar protege a mãe contra cânceres e imuniza o bebê contra doenças
Muitas mães não dão o devido valor que o aleitamento materno possui. O sublime ato de amamentar traz importantíssimos benefícios à saúde, tanto da mãe quanto do filho. Entretanto, isso é pouco lembrado por autoridades de saúde, que mal incentivam a amamentação, tampouco explicam sua importância.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o ideal é que 90% a 100% das crianças menores de seis anos se alimentem exclusivamente de leite materno. Porém, no Brasil, este número é de apenas 41%.
A verdade é que amamentar previne contra o surgimento de vários tipos de câncer, entre eles o de mama e ovário. Além disso, a mãe que amamenta por tempo prolongado tem menores chances de desenvolver diabetes e infarto agudo do miocárdio. “A amamentação não apenas protege contra estes cânceres, como a relação de proteção é direta, ou seja, quanto mais amamentar, mais a mãe será protegida”, explica o pediatra ituveravense, Luciano Borges Santiago, 46 anos, radicado em Uberaba (MG).
Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), o médico é professor de Pediatria na UFTM, diretor da Faculdade de Medicina da UFTM, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno, vinculado a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), e presidente da Regional de Pediatria Vale do Rio Grande – afiliada da Sociedade Mineira de pediatria.
Nascido em Ituverava, Luciano Borges Santiago, 46 anos, é filho do empresário ituveravense Carlito Dias Santiago, e da professora Dulcinéia Borges Santiago, radicados na cidade de Barretos, mas que mantêm profundas raízes em Ituverava, mantendo sempre contato com amigos e parentes. Luciano é casado com a médica Liliam Renata Silveira Santiago, que é ginecologista e obstetra.
Tribuna de Ituverava – Em reportagem publicada pela imprensa uberabense, o sr. enumera várias vantagens da amamentação, tanto para o bebê quanto para as mães. Entre elas, está a redução dos riscos de diabetes e infarto. Como isso é possível?
Luciano Borges Santiago – Estes trabalhos mostram a relação direta causal existente entre amamentar e a ocorrência menor de determinadas doenças. Uma das explicações está no fato de que amamentar causa um importante gasto energético para a mãe, o que ajudará na redução do peso ganho durante a gestação. Isso vai favorecer a redução dos índices de obesidade e suas conseqüências, como doenças cardiovasculares e endócrinas.
Tribuna de Ituverava – O sr. também citou que amamentar previne o câncer de mama e também de tumores no ovário. Por quê?
Santiago – Da mesma forma. Milhares de mães, em todo o mundo, participaram de inúmeros estudos e, hoje, não há a menor dúvida: existe relação direta causal. A amamentação não apenas protege contra estes cânceres, como a relação de proteção é direta, ou seja, quanto mais amamentar, mais a mãe será protegida.
Tribuna de Ituverava – Se existem tantas vantagens, por que então as mulheres ainda resistem ao ato de amamentar seus filhos?
Santiago – Após anos de campanhas a favor da amamentação, os índices estão melhorando. O grande problema é que hoje amamentar não é mais instintivo do ser humano; apesar de sermos mamíferos, perdemos esta cultura. Hoje, a mãe, para amamentar, precisa aprender.
Temos cada vez mais profissionais de saúde capacitados para atender as dificuldades de se amamentar. O que acontece muito, é que logo na primeira dificuldade – na maioria das vezes contornável – o médico acaba prescrevendo fórmulas infantis em mamadeira e aí é o fim da amamentação. O bebê percebe que é mais fácil mamar na mamadeira, e larga o peito.
Em nosso Grupo de Apoio às Mães de Amamentam (Gama) – projeto desenvolvido junto à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) – uma enfermeira desenvolveu um copinho colher o leite, para não atrapalhar a amamentação. Ele pode ser utilizado na ausência da mãe que trabalha fora, contrapondo-se à mamadeira, que atrapalha muito. O copo pode ser visto no site www.copobebe.com.
Tribuna de Ituverava – Hoje, cada vez mais mulheres estão aderindo ao ato de amamentar. Entretanto, está longe de ser ideal. Quais são os números almejados pelas autoridades de saúde?
Santiago – Para se ter uma idéia, hoje, apenas 23% das mães amamentam seus bebês até os 4 meses, e somente 10% vão até os 6 meses. O ideal seria que todas as nossas crianças chegassem aos 6 meses mamando só no peito e mais nada – ou seja, tivesse a chamada amamentação exclusiva.
Após este período, elas devem continuar sendo amamentadas de forma complementada por alimentos saudáveis (amamentação complementada) até pelo menos 2 anos de idade.
Isso deveria ser encarado como ‘procedimento estratégico’ para os pais, pois resulta em mães e bebês com mais saúde no futuro e adultos mais inteligentes, pois o desenvolvimento cerebral é otimizado pela amamentação.
Tribuna de Ituverava – Em sua opinião, o que as autoridades podem fazer para reverterem este quadro?
Santiago – Luto há anos para convencer as autoridades que só reverteremos este quadro quando o pediatra for remunerado de forma diferenciada, se ele fizer curso de capacitação sobre amamentação. Eu digo isso para as pessoas, desde que conclui minha da tese de doutorado pela USP – Ribeirão Preto, na mesma área.
Estes profissionais, como eu, tem uma participação privilegiada junto aos pais, na educação alimentar das crianças. O pediatra pode fazer a diferença, tanto a favor ou como contra a amamentação. Os pais ainda hoje dão enorme valor ao que diz o médico desta área. Em meu serviço na UFTM e em meu consultório particular, tenho mais de 90% das crianças em processo de amamentação exclusivo até os 6 meses, como é desejado.
Na Unimed Uberaba, treinei uma enfermeira e uma técnica de Enfermagem para vencer as dificuldades da amamentação e hoje todas as mães gestantes fazem um curso de pré-natal em que aprendem técnicas correta de amamentar. E logo depois do parto, elas são assistidas de perto por nossa equipe para continuar amamentando e têm todo o apoio.
O problema é que orientar amamentação toma muito tempo e os pediatras hoje são mal remunerados em consulta médica (consultório), portanto deveríamos melhorar a remuneração para pediatras com capacitação em amamentação.
Ora, sabemos que os convênios de saúde querem adultos mais saudáveis para gastar menos com doenças. Portanto, deveriam investir em prevenção, nada melhor que a amamentação. Um investimento barato com gigantescos resultados...
Tribuna de Ituverava – De uns anos para cá, as mamadeiras passaram de inocentes acessórios a portadores de grandes males para o bebê. Cite alguns.
Santiago – Todo o desenvolvimento dos ossos da face, dos dentes e da respiração está comprometido, pois o trabalho muscular realizado no uso de mamadeira é completamente diferente do usado para mamar o peito.
A mamadeira é uma das grandes vilãs no desmame. Atualmente, alguns estudos detectaram a presença de substâncias cancerígenas que se soltam do plástico de algumas mamadeiras... Terrível!
Daí vem o motivo de desenvolvermos o copinho da amamentação, que é de vidro e não traz estes problemas.
O copinho do Bebê
Os bebês já podem começar a usar o copinho por volta dos 10 meses, quando já conseguem segurá-los sozinhos. Comece utilizando os copos de transição – aqueles desenvolvidos especialmente para bebês, com tampas e com alças.
Existem alguns copinhos com tampa e válvula de segurança que não deixam o líquido cair quando o bebê vira o copo de cabeça para baixo, mas, por outro lado, dificultam bastante o trabalho do pequeno, porque ele tem que sugar para o líquido sair.
Para aqueles bebês que optaram pela mamadeira, os especialistas recomendam aos pais que a mamadeira seja retirada por volta de um ano. A substituição deve ser feita de maneira leve, mas ainda na infância.