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07/02/2012
Policial de 26 anos realizava abordagens na Ronan Rocha quando foi atropelado por veículo em alta velocidade
Um policial rodoviário morreu na manhã de ontem, depois de ter sido atropelado por um Voyage no quilômetro 27 da Rodovia Ronan Rocha, entre Patrocínio Paulista e Franca.
Eram por volta de 11h quando Jonathan Junio Pezzarezi, de 26 anos, realizava abordagens a veículos na citada rodovia, quando o condutor de um Voyage desrespeitou a ordem de parada obrigatória e atingiu o policial que estava na pista. Com o impacto, Pezzarezi foi arremessado a aproximadamente 3 metros de altura e caiu no canteiro central da pista. "Foi horrível. Ao vê-lo sendo jogado daquele jeito, comecei a imaginar o pior", disse o policial Carvalho, companheiro de Pezzarezi.
Depois de causar o acidente, o motorista do carro fugiu tomando sentido a Franca. O veículo foi visto entrando numa via lateral à Rodovia Ronan Rocha. Unidades de Resgate do Corpo de Bombeiros e da Concessionária Autovias foram acionadas ao local e prestaram os primeiros socorros ao policial, que estava inconsciente.
Com rapidez, a vítima foi levada à Santa Casa de Franca, onde passou por atendimento médico e ficou sob cuidados.O estado de saúde do policial se agravou. Com graves lesões por todo o corpo, inclusive na cabeça, Pezzarezi morreu no período da tarde.
A Polícia Militar foi acionada e realizou um patrulhamento nas imediações. No início, o carro foi encontrado abandonado em uma estrada de fazenda, a aproximadamente 500 metros do local do acidente.
O veículo apresentava danos na parte frontal e até o teto estava amassado devido ao impacto contra o corpo do policial.
A perícia da Polícia Científica foi acionada ao local e conduziu o carro para o Distrito Policial para uma melhor averiguação. Nada de ilícito foi encontrado no interior do carro.
A partir daí, de posse da numeração das placas, a Polícia Militar iniciou o trabalho de identificação do proprietário, chegando até duas pessoas que informaram que haviam vendido o carro a um morador de um condomínio de chácaras que fica localizada na Rodovia Ronan Rocha.
Viaturas da Polícia Militar e Polícia Rodoviária estiveram no local indicado e em contato com familiares foram informados que o pespontador TCV, de 22 anos, estaria na casa de familiares no Jardim Aeroporto II.
O rapaz foi encontrado e conduzido ao Distrito Policial. Em sua defesa, TCV, que não possui carteira de habilitação, alegou que estava no carro em companhia de sua irmã, que está grávida de seis meses e não viu o policial na pista.
A versão do motorista não condiz com a informação do policial rodoviário que estava em parceria com Pezzarezi. Segundo o militar, mesmo com a velocidade excessiva do Voyage, havia três homens no interior do carro.
O caso foi encaminhado para a DIG (Delegacia de Investigações Gerais), onde o delegado Daniel Radaeli elaborou o Boletim de Ocorrência de homicídio doloso com base em dolo eventual, já que TCV assumiu o risco de conduzir um veículo sem habilitação e fugir do local do acidente sem prestar socorro à vítima. "A atitude demonstra que ele jogou o carro contra o policial e assumiu o risco ao fugir", disse o delegado Daniel Radaeli.
O motorista foi recolhido a uma cela do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca, onde aguardará a decisão da Justiça. Se condenado, a pena nestes casos vai de 6 a 20 anos de reclusão.
Choque
O tenente Cláudio Ferreira da Silva, comandante da Base da Polícia Rodoviária de Franca, estava em uma reunião na cidade de Ribeirão Preto quando recebeu a comunicação do acidente. O policial se deslocou a Franca e acompanhou todo o trabalho dos policiais na localização do carro e da apreensão do motorista. Visivelmente abalado com a situação, o tenente Cláudio relatou que Pezzarezi estava há pouco mais de um ano na Polícia Rodoviária do estado de São Paulo e trabalhava na base de Franca há dois meses.
Durante conversa com a imprensa, o policial lamentou o acidente e com a voz embargada tentou expressar a dor. "Perder um colega de trabalho desta forma é muito triste", Ainda com os olhos marejados, o tenente afirmou que pelo local não foi visualizada nenhuma marca de frenagem, sinal que o motorista não esboçou nenhuma intenção de evitar o acidente.
O policial
Policial Militar há um ano e dez meses, Jonathan Junioo Pezzarezi veio trabalhar em Franca há dois meses, depois da transferência de 17 policiais rodoviários.
Segundo familiares, ser policial rodoviário era um sonho de criança e por três vezes ele havia tentado ingressar na corporação, conseguindo sucesso em junho de 2009. Praticante de esportes e com um perfil empreendedor, Pezzarezi era visto como um companheiro pelos demais policiais rodoviários.
Grande parte da corporação compareceu ao local do acidente e também na delegacia para acompanhar o caso. O policial continua morando em Ribeirão Preto e se deslocava todos os dias para a base de Franca. O corpo de Pezzarezi foi removido ao IML (Instituto Médico Legal) de Franca e depois liberado à família, que realizará o sepultamento dele em Ribeirão Preto.
Ao saberem do acidente, familiares vieram a Franca e viveram horas de angústia na porta da Santa Casa, aguardando por informações.
"O que ninguém queria ouvir veio no meio da tarde", disse um tio do policial que esteve em Franca.