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07/02/2012

BAHIA: CRIANÇAS COMEÇAM A DEIXAR PRÉDIO OCUPADO POR GREVISTAS

Nesta segunda-feira, homens do Exército entraram em confronto com grevistas e familiares

Dois casais e quatro crianças deixaram o prédio da Assembleia Legislativa nesta segunda-feira. De acordo com o tenente-coronel Márcio Cunha, oficial de comunicação da 6ª Região Militar, "todos saíram espontaneamente". Na saída do segundo casal, que estava com três crianças, por volta de 21h, houve gritos de protesto dos manifestantes contra os militares do Exército.

"Essas pessoas foram acolhidas, aceitaram nosso lanche e foram para casa com o próprio carro, apesar de oferecermos transporte. Elas também foram examinadas e estão bem de saúde", completou Cunha.

Pela tarde, Waldemar Oliveira, coordenador do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan (Cedeca-BA), esteve reunido com os grevistas. Segundo ele, uma liminar concedida pelo juiz Adenilson Barbosa dos Santos, do Plantão Judiciário, determina a retirada das crianças do prédio.

"Não acredito que eles cumpram a liminar. Mas Prisco (Marcos Prisco, que chefia o motim na Assembleia) disse que, se os pais concordarem, as crianças podem sair de lá. Aquele ambiente é inóspito e traumatizante para as crianças. Já estão sem luz, água e ainda terão que enfrentar a falta de comida. Isso é uma praça de guerra. A presença delas lá não contribui em nada para a greve", advertiu Waldemar Oliveira.

Diante das ameaças de invasão de tropas das forças federais na Assembleia Legislativa, foi o Ministério Público baiano (MP-BA) que solicitou liminar para que fossem retiradas as crianças que estão expostas às situações de risco eminentes no local que vive tensão permanente.

"Ao tomar conhecimento das condições em que as crianças estão submetidas, o Ministério Público entrou com um pedido de uma cautelar inominada, solicitando a retirada das crianças do Centro Administrativo da Bahia (CAB) ", afirmou a promotora de Justiça da Infância e Juventude Mônica Barroso.

A ordem, então, foi deferida pelo juiz Adenilson Barbosa dos Santos. Desde que as tropas chegaram, nesta segunda pela manhã ao Centro Administrativo diversas entidades que atuam com a promoção dos direitos da infância reuniram-se para criar medidas que auxiliem os filhos e mulheres grávidas dos militares que estão no local desde o início da ocupação, no dia 31 de janeiro.

A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.

Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.

Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.

A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

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