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12/03/2012
Entrevistados mostraram-se divididos em relação à proposta de José Mentor (PT)
O deputado José Mentor (PT-SP) apresentou projeto de Lei na Câmara federal que proíbe a transmissão de MMA (lutas das artes marciais mistas, em português) em canais de TVs aberta ou fechada. O projeto prevê multa de R$ 150 mil para as emissoras que desrespeitarem a regra, podendo inclusive perder o direito à concessão pública.
O parlamentar comparou os combates às brigas de galo, que são proibidas no Brasil, e afirmou que o MMA banaliza a violência nos canais da televisão brasileira, podendo, inclusive, influenciar o comportamento de crianças e adolescentes.
“A opinião de todos deve ser respeitada. O projeto que proíbe MMA na TV é de 2009, quando a Rede TV transmitia. Somente agora, após a Globo entrar no mercado, é que a luta ganhou importância”, disse o deputado.
“O Estado de Nova York e a França proíbem essa prática. Os médicos do Canadá (2º maior mercado de UFC) também querem bani-la do país. O Brasil proíbe rinha de galo, de canário e há cidades, como São Paulo, que proíbe rodeio porque ferem os animais. E rinha humana pode?”, contestou Mentor.
Motivo
O MMA já causou três mortes e na última semana, nos EUA um jovem de 20 anos ficou tetraplégico. “É violência pela violência: chutes e joelhadas na cabeça, cotoveladas e socos repetidos no rosto. Mas é verdade, tem muito dinheiro por trás. São poucos ganhando muito dinheiro com o sangue, a desumanidade e o destempero alheios”, enfatiza o deputado.
Uma alternativa viável apontada foi mudar o horário de transmissão das lutas, de modo que elas passassem na TV apenas mais tarde, com o objetivo de impedir que crianças assistam. “Restringir o horário ou mudar de canal não resolve. Depois que a tecnologia possibilitou a gravação simultânea de programas, eles poderão ser assistidos por qualquer criança, jovem ou adulto”, destacou.
Lutador e articulista criticam projeto de Lei
Diante da situação, o lutador Anderson Silva, considerado o maior nome da história do MMA no Brasil, criticou o projeto de Lei. Para ele, o deputado deveria se preocupar com outros assuntos. “É lamentável ter um cara desses no Congresso. Lutador luta, político faz política. Então, ele tem que parar de falar besteira”, afirmou.
“Em vez de se preocupar com isso, ele deveria se preocupar com o dinheiro que está sendo desviado e com segurança”, ressaltou.
Ainda de acordo com Silva, o esporte que ele pratica é tão violento quanto o futebol. “Tem que deixar bem claro para ele (Mentor) que crianças, pessoas com mais idade, jovens, assistem e gostam do MMA. É um esporte que está dominando o mundo. É um esporte de contato, mas não é mais violento que um jogo de futebol”, destacou.
A mesma opinião é partilhada por Hélio Schwartsman. Em editorial publicado no jornal Folha de S. Paulo no dia 6 de março, o articulista defende a luta. “Se dois adultos no gozo de suas faculdades mentais decidem voluntariamente espancar-se até um deles ser nocauteado e se há gente disposta a pagar para assistir isso, esse não é um problema que diga respeito ao Estado”, argumentou.
“Como observa Steven Pinker em seu mais recente livro, os filmes de Hollywood estão mais sangrentos do que nunca, pornografia ilimitada está a apenas um clique de distância e surgiu um novo e enorme mercado de games extremamente cruéis. Apesar de toda essa ‘decadência’, a violência na vida real diminui de forma consistente em todo o mundo”, complementou o articulista em seu editorial.
Enquete
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava foi às ruas saber a opinião dos ituveravenses sobre a polêmica. A população mostrou-se divida.
Para o estudante Felipe Augusto Menezes de Melo, as lutas deveriam ser proibidas. “Elas realmente podem interferir no comportamento das crianças e adolescentes que assistem, devido ao alto índice de violência”, disse.
Já para o professor de Inglês, Bruno Takahama Kitada não aprova a proibição. “Eu discordo da medida, pois o MMA é um esporte como outro qualquer e se possui telespectadores que o apreciam, não vejo qualquer necessidade de censura. Porém, é dever dos pais se responsabilizarem sobre qual programa os seus filhos assistem na televisão. Se fossemos censurar programas pela sua repercussão na vida cotidiana da sociedade, teríamos que repensar sobre as novelas, jornais e filmes”, destacou.
Confira as respostas na íntegra: