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23/04/2012
Gestantes recebem orientação sobre gravidez; no destaque, o pediatra Camilo LúpoliEntre os novos procedimentos, estão os que auxiliam a detectar a anemia falciforme e o controle da pressão
Durante a gravidez, a mulher deve ser devidamente assistida. Vários cuidados ela deve tomar durante a fase pré-natal: além de boa alimentação e hábitos saudáveis, é indispensável o acompanhamento médico e a realização de todos os exames indicados, diminuindo, assim, os riscos ligados à gestação.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de 24 exames pré-natais. Desses, 15 foram acrescidos à lista com a criação da Rede Cegonha, programa do Ministério da Saúde que qualifica a assistência à gestante no SUS. Em cerimônia de lançamento do programa em Belo Horizonte, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a Rede Cegonha contará com R$ 9,3 bilhões do orçamento do ministério para investimentos até 2014.
Entre as novidades, está um exame importante: a eletroforese de hemoglobina, que detecta a anemia falciforme, doença grave e comum na população negra. “Esperamos que esse exame ajude a reduzir os problemas relacionados à doença”, explicou a coordenadora nacional de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Maria Esther Vilela.
Implantação importante
O pediatra Camilo Lúpoli, que coordena o Pronto-Socorro da Santa Casa de Ituverava e médico do programa Estratégia de Saúde da Família (PSF), do Jardim Guanabara, fala sobre os novos procedimentos autorizados pelo SUS.
“A implantação de novos exames ao Pré-Natal do SUS está sendo importante, fazendo com que diminua o risco de mortalidade materna, fetal e do recém-nascido. O diagnóstico precoce favorece a prevenção de complicações. Ele facilita para o ginecologista, no momento da gestação, como para o pediatra que vai assistir o parto e acompanhar o desenvolvimento da criança”, afirmou
Diagnóstico
Ele ressalta que, ao diagnosticar uma anemia falciforme, por exemplo, faz com que os médicos responsáveis pelo nascimento – ginecologista e pediatra – possam atuar de melhor forma, evitando infecções e outras doenças importantes, onde há necessidade de transfusão sangüínea.
“Outra inovação que está caminho no SUS é o exames 3D, que ajuda na detecção de má formações em faces, troncos e membros. Podem ser detectados, através dele, fenda palatina, polidactilia, eviscerações e defeitos de membros”, exemplifica o pediatra.
Lúpoli também concorda que o número de mulheres grávidas a procura do pré-natal tem crescido. “O Pré-Natal cada vez mais planejado e rigoroso faz com que a mortalidade materna e de recém-nascidos diminua muito. O aumento desta procura se deu pelo crescimento da população e de sua capacidade financeira. Já em nossa cidade, a procura cresceu devido à qualidade da Saúde oferecida pelo município; o fato também se deve ao aumento da confiança em nossos obstetras, que fazem um trabalho excelente”, conclui.Anemia falciforme
A anemia falciforme é uma doença do sangue, hereditária e crônica, que, sem tratamento, pode levar à morte. Os sintomas incluem dores no corpo e úlceras na perna.
Segundo o ministério, 3 mil bebês nascem com a doença todos os anos no país. Das crianças doentes que não são tratadas desde o nascimento, 80% morrem antes dos 5 anos. O mal também pode ser descoberto pelo teste do pezinho, exame laboratorial simples que detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas ou infecciosas que podem causar lesões irreversíveis ao bebê.
Para ter acesso aos recursos do ministério para a realização dos novos exames pré-natais, inclusive o de anemia falciforme, estados e municípios podem fazer a adesão rápida ao Rede Cegonha. Até o momento, 23 estados e 1.685 municípios já aderiram.
Ajuda para transporte pode incentivar realização de pré-natal
As gestantes que fazem pré-natal no SUS podem receber até R$ 50, como auxílio para deslocamento até o hospital ou o posto de saúde. Para isso, os municípios devem se cadastrar na Rede Cegonha e implantar o Sistema de Acompanhamento do Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento, por meio do qual informarão mensalmente ao Ministério da Saúde o número de grávidas que receberão o benefício.
O ministério estima que, em 2012, 1 milhão de gestantes (mais de 40% das usuárias do SUS) devam receber o auxílio. Até 2013, a meta é alcançar 2,4 milhões de grávidas. A iniciativa foi elogiada pela senadora Ana Rita (PT-ES), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos. Na avaliação dela, o benefício vai incentivar as gestantes a fazerem os exames pré-natais no SUS.
Além dos exames pré-natais, a mulher deve adotar precauções antes de engravidar, como se vacinar contra algumas doenças. A rede pública oferece a vacina dupla viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba. A rubéola, por exemplo, é uma doença infecciosa, sem grandes consequências para crianças e adultos, mas potencialmente grave em gestantes, pois pode causar malformação no feto.
O Ministério da Saúde também recomenda que a mulher tome comprimidos de ácido fólico três meses antes de engravidar. A intenção é evitar malformação da medula óssea e da meninge, membrana que reveste e protege parte do cérebro.
Quem deseja engravidar também precisa alimentar-se de forma saudável, evitando gorduras, produtos industrializados, bebidas alcoólicas e fumo. Deve tomar cuidado, no entanto, com alimentos crus, pois oferecem risco de contaminação por toxoplasma, parasita que pode causar aborto ou malformação no feto. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda não comer carnes cruas ou malpassadas e deixar hortaliças de molho em água clorada.
O ministério alerta ainda para o uso de produtos cosméticos. Cremes com ácido retinoico e vitamina A, por exemplo, devem ser evitados por quem está tentando engravidar. Escova progressiva, alisamentos e tinturas também devem ser evitados, pois contêm produtos tóxicos nas fórmulas.