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ECONOMIA

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28/05/2012

PROFESSOR DA FFCL DE ITUVERAVA COMENTA NOVO PACOTE DO GOVERNO

Consumidor em concessionária de veículos: vendas do setor devem aumentar

O professor Willy Gentil de Góes, 37 anos, doa cursos de Administração e Contabilidade, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), que é bacharel em Ciências Contábeis e mestre em Economia, explica que as medidas têm o objetivo de dinamizar a atividade econômica (PIB) em 2012. “Em um cenário em que as previsões de crescimento estão sendo revistas para baixo, tanto pelo mercado quanto pelo governo, algumas ações podem e devem ser tomadas para evitar que uma crise se instale em nossa economia”, afirmou o professor, que ministra aulas nos cursos de Administração e Contabilidade da FFCL.

Entretanto, o professor afirma que vários outros aspectos deveriam ser levados em consideração. “Eles contribuíram para um desempenho fraco, abaixo do esperado, da economia brasileira. Sabemos da várias reformas que devem ser feitas e dos investimentos que devem ser realizados, principalmente em infra-estrutura. O que temos feito, basicamente, é agir sobre os sintomas e não sobre as causas do mal”, afirmou.

Willis adianta que as medidas podem gerar uma série de benefícios ao cidadão, principalmente no que diz respeito à redução das taxas de juros. “Caso a pessoa opte por colocar as contas em dia, a redução dos juros pode representar a possibilidade de ‘trocar uma dívida cara para uma mais barata’. Caso opte por consumir, ela pode aproveitar uma situação em que o financiamento mais acessível representa um aumento do poder de consumo. Sendo assim, o sonho do carro zero ou ainda a aquisição da casa própria ou outros bens torna-se mais viável”, explicou.

Pressão inflacionária
Porém, o professor da FFCL alerta. “É preciso levar em conta que há um certo temor de que a expansão do crédito possa gerar um aquecimento do consumo capaz de provocar, em alguns setores, uma certa pressão inflacionária. Além disso, a inadimplência também representa um motivo de preocupação. Num cenário em que o endividamento familiar já é preocupante, mais dívida significa a possibilidade concreta de mais problemas”, completou.

Redução do IPI
O professor Willis afirma que a redução do IPI deve alavancar as vendas no setor. “Já nos primeiros dias, foi observado um aumento na procura por veículos na maioria das concessionárias. Contudo, o objetivo imediato não é promover um estímulo às compras, para impulsionar a atividade econômica, mas sim ‘desovar’ os estoques da indústria automobilística, que encontram-se em níveis preocupantes (os maiores desde o final de 2008)”, explicou.

O professor ressalta ainda que, além da redução do IPI, o Banco Central tem promovido outras ações no sentido de “turbinar” o setor. Como exemplo, a liberação de R$ 18 bilhões em compulsórios bancários que deverão ser usados na concessão de Nov as operações de créditos para o setor automobilístico (o que equivale a 10% do crédito do setor).

Efeitos colaterais


Contudo, segundo Willis, apesar do impacto positivo destas medidas sobre o nível de atividade econômica, não se pode esquecer os efeitos colaterais. Entre eles, o que merece destaque é o aumento significativo da inadimplência que, embora ocorra em diversos segmentos de nossa economia, apresenta números impressionantes no setor automobilístico.

“Em apenas um ano, a inadimplência no financiamento de veículos mais do que dobrou (de 2,8% para 5,7%). Outro dado que assusta é o fato de que, neste ano, somente até o mês de março, bancos e financeiras já perderam aproximadamente R$ 10 bilhões com o calote do consumidor no pagamento de financiamento de veículos novos”, afirmou.

Essa situação evidencia a idéia de que é necessário que seja bom para o consumidor, mas também bom para o vendedor. Só assim, os efeitos positivos destas medidas terão o alcance esperado. “Neste jogo de perde e ganha, será preciso, literalmente, ‘pagar para ver’”, concluiu o professor da FFCL.

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