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28/05/2012
Pesquisadores da Universidade de Chicago (EUA) afirmam que existe uma relação direta e biológica entre a solidão e a queda da qualidade nos indicadores de saúdeLista de problemas inclui endurecimento das artérias, inflamações pelo corpo e até problemas cognitivos
Afalta de companhia humana pode fazer mal a uma pessoa, e isso vai além de um simples problema psicológico: pesquisadores da Universidade de Chicago (EUA) afirmam que existe uma relação direta e biológica entre a solidão e a queda da qualidade nos indicadores de saúde.
A lista de problemas que a solidão pode ocasionar, conforme explicam os cientistas americanos, é extensa, incluindo a calcificação das artérias (o que leva à pressão alta), inflamações pelo corpo e até problemas cognitivos, de memória e aprendizagem.
O estudo, feito em parceria com cientistas da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), mostrou que até o sistema imunológico muda com o tempo em pessoas que passam por grandes períodos de solidão.Alguns genes entram em super atividade em pessoas socialmente isoladas, e a maioria deles está ligada a respostas antivirais e à produção de anticorpos. Isso leva a uma disfunção destas tarefas do organismo, e o corpo perde boa parte de suas defesas naturais.
Isso acontece, segundo os cientistas, porque o corpo humano tem uma capacidade imunológica limitada: ele precisa escolher entre lutar contra ameaças virais ou proteger o corpo contra a invasão de bactérias. Como o solitário tende a ver o mundo como um lugar ameaçador, o corpo foca as atenções contra as invasões externas de bactérias, abrindo caminho para ação dos vírus.
Nesse momento, o problema fica ainda mais intenso. Com organismo desprotegido aumenta o risco de desenvolver tumores cancerígenos, infecções e doenças no coração. Em um estágio ainda mais elevado, os hormônios são afetados, e nasce o risco de complicações como um ataque cardíaco fulminante ou um derrame.O agravante, no caso da solidão, é um problema cíclico. Quanto maior a solidão de uma pessoa, mais cresce sua tendência a ter uma saúde ruim, e os efeitos dessa saúde tornam o paciente ainda mais isolado.
O motivo deste ciclo é uma consequência natural: a solidão não apenas faz o solitário infeliz, mas também mais inseguro, e o corpo sabe interpretar estes sinais.
Três questões sobre solidão
Com base em uma pesquisa prévia feita pela equipe de reportagem do jornal, em consultórios médicos da cidade, a Tribuna de Ituverava levantou algumas perguntas freqüentes sobre a solidão. As questões foram respondidas pela psicóloga ituveravense Geovana.
Veja, abaixo, as respostas:
Tribuna de Ituverava – Até que ponto uma companhia é importante para uma pessoa?
Geovana Pierin Gotardo – Somos seres sociáveis e fomos criados para estar na presença do outro. A companhia é importante, desde que possa vir a somar na vida do individuo. No caso das pessoas que vivem sozinhas, os animais de estimação – cachorro, gato, pássaro, peixe, tartaruga, etc – são como um membro da família, compensando as necessidades de afeto e atenção que só os animais nos sabem dar.
A médica veterinária e psicóloga Hannelore Fuchs é uma das precursoras no uso de animais para interagir com os indivíduos. Ela explica que “o animal funciona como um facilitador, um canal através do qual é possível um ser humano chegar em outro ser humano. [...] o objetivo, muitas vezes é necessário driblar o isolamento pessoal. E o animal distingue"
Tribuna de Ituverava – As pessoas conseguem viver sem se relacionarem? Por quê?
Geovana – Somos seres sociáveis, pois é da própria condição humana o individuo vincular-se com o outro dentro das suas necessidades emocionais, mas existem indivíduos que optam por não se relacionarem por determinado tempo, devido as suas priori-dades como: trabalho, estudo etc., ou por questões emocionais, como decepção amorosa, trauma da infância, violência, etc.
Tribuna de Ituverava – O que é recomendável para os solitários – especialmente, as pessoas que moram sozinhas?
Geovana – Os que moram sozinhos, devem procurar ter seus momentos de lazer com a família e amigos, e atividades ocupacionais, buscando se socializar e ficando sempre em alerta, para que no momento em que perceberem que a solidão e o isolamento estejam ficando muito freqüentes no seu dia-a-dia, possam buscar ajuda profissional.