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10/07/2012
O neurocirurgião Vitor Pinho
.À pedido da Tribuna de Ituverava, o neurocirurgião Vitor Pinho, elucida três relevantes questões sobre o problema. Segundo o médico – que é formado na USP-Ribeirão Preto, com residência no Hospital das Clínicas –, a lombalgia é um dos mais graves problemas de saúde pública na maioria dos países do mundo.
“Conseqüentemente, é responsável por gastos inestimáveis dos sistemas públicos e privados de saúde, além de ter grande impacto econômico devido a faltas ao serviço, afastamentos e aposentadorias”, explicou o médico.
Veja, abaixo, as respostas:
Tribuna de Ituverava – O que é lombalgia, quais suas implicações para a sociedade e para o paciente, e porque deve ser avaliada?
Vitor Pinho – Lombalgia é sinônimo de dor na região mais baixa da coluna vertebral. Pode ter inúmeras causas como infecção, osteoporose, fratura, deformidade estrutural, compressão de uma raiz nervosa, mas a principal delas é de origem osteomuscular.
Ela é um dos maiores problemas de saúde pública da maioria dos países do mundo. Conseqüentemente, é responsável por gastos inestimáveis dos sistemas públicos e privados de saúde, além de ter grande impacto econômico devido a faltas ao serviço, afastamentos e aposentadorias.
A maioria dos episódios de dor lombar aguda é autolimitada (tem início e fim rapidamente) e não está relacionada a nenhuma doença grave. É função do médico distinguir e identificar – entre a maioria dos pacientes que apresenta dor lombar de origem mecânica – aqueles com uma possível causa grave de dor lombar ou dor radicular (aquela causada por compressão de um nervo).
Para isso, existem alguns “sinais” de alerta da dor, também chamados de “red flags” ou bandeiras vermelhas, que indicam que há algo mais por trás da crise dolorosa. Caso o paciente apresente algum desses sinais, deve ser realizada a investigação adequada para o diagnóstico e tratamento correto.
- A Lombalgia, depois de devidamente diagnosticada, tem cura? Há esperanças para as pessoas que ela escravisa?
A maioria dos pacientes que apresenta uma crise de dor lombar melhora em curto período de tempo. Destes, apenas 10 a 15% desenvolverão sintomas crônicos, ou seja, dor lombar que se repete ou que persiste. O fator mais importante para o paciente é entender o que é a dor e porque ela acontece.
A partir daí, é possível realizar mudanças em seus hábitos de vida, como perder peso, realizar atividade física e evitar esforços intensos. Este tripé é a base para que o paciente não só melhore da dor, mas que diminua ao máximo a chance de uma nova crise.
- O que o sr. recomenda para amenizar as crises?
Ao contrário do que muitos imaginam, quando uma pessoa apresenta uma crise de dor lombar não é recomendado que permaneça em repouso absoluto. Ela deve permanecer ativa. O que deve evitar é o esforço físico, principalmente carregar peso. Se possível, deve continuar trabalhando. É comprovado que a pessoa que permanece em repouso absoluto apresenta maior intensidade de dor e demora mais tempo para retomar suas atividades diárias.
Outra arma importante no tratamento da dor é o conhecimento do problema. Entender porque as costas doem e o que fazer para evitar a dor é fundamental. O uso de analgésicos, antiinflamatórios e relaxantes musculares, quando prescritos pelo médico, ajuda a aliviar a dor. Em um curto período de tempo, a crise chega ao fim.