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09/08/2012
Homare Sawa (camisa 10) é a esperança do Japão na decisão
Um destruidor de hegemonias. Assim pode ser classificada a seleção de futebol feminino do Japão. Desde o ano passado, Homare Sawa & cia. vêm quebrando supremacias e popularizando o esporte em seu país. Em julho de 2011, as japonesas surpreenderam e derrotaram os EUA na final da Copa do Mundo, na Alemanha, sagrando-se campeãs mundiais. No início deste ano, outra surpresa. Sawa venceu o prêmio da Fifa de melhor jogadora do mundo, encerrando uma sequência de cinco anos da brasileira Marta.
Nesta quinta-feira, o Japão tem sua primeira oportunidade de subir ao lugar mais alto do pódio olímpico. Em Wembley, às 15h45m (de Brasília), as japonesas encaram novamente as americanas e buscam acabar com outra hegemonia. Atuais bicampeões, os EUA estiveram nas quatro decisões de Jogos Olímpicos desde que o futebol feminino passou a fazer parte das Olimpíadas. Conquistaram três medalhas de ouro e ficaram com a prata apenas em Sydney (2000), quando foram derrotados pela Noruega.
Curiosamente, a ascensão do futebol feminino no Japão coincidiu com o terremoto em Fukushima que abalou o país, em março do ano passado. As próprias jogadoras reconhecem que buscaram força na tragédia. O título mundial também mudou a rotina do esporte. Se antes da conquista mulheres jogando bola não tinham muito espaço, agora elas são sempre notícia e ganharam a simpatia da população.
- O êxito (título mundial) chegou poucos meses depois do terremoto. Muita gente sofreu muito. Apesar de ter sido apenas uma competição de futebol, muitas pessoas nos disseram que a nossa vitória lhes deu ânimo e coragem para seguirem adiante. Poder transmitir essa sensação aos meus compatriotas me fez muito feliz – disse Sawa, durante a entrega do prêmio de melhor jogadora do mundo, em janeiro.
Além das hegemonias, o Japão tentanrá nesta quinta-feira quebrar um tabu. Na história do futebol feminino, nunca nenhuma seleção conseguiu levar a medalha de ouro olímpica no ano seguinte à conquista da Copa do Mundo.
- Vamos à final para brigar pelo ouro. Nem sequer pensamos na prata. Já provamos neste torneio que podemos derrotar a qualquer uma – disse a atacante japonesa, Kozue Ando.
A tarefa das japonesas, porém, não será fácil. Pela frente, uma seleção experiente e acostumada a decisões. Nos últimos anos, os EUA dominaram o cenário mundial. Além das quatro medalhas de ouro olímpicas, as americanas são bicampeãs mundiais (1991 e 1999). No time americano, a principal diferença da equipe que foi derrotada na final da Copa do Mundo é a atacante Alex Morgan. De reserva, ela passou a principal destaque, ao lado da goleira-musa Hope Solo. Em excepcional fase, vem desfilando talento e beleza nos gramados da Grã-Bretanha.
Pronta para sua quarta final olímpica, a capitão americana, Christie Rampone, espera um grande jogo na final.
- É incrível poder jogar minha quarta final olímpica. Será muito emocionante enfrentar o Japão. É um torneio totalmente diferente, mas, desde que as japonesas venceram a Copa do Mundo, ganharam também muito mais respeito, são acompanhadas por mais meios de comunicação e recebem mais apoio... É fantástico ver como o futebol cresce por lá, porque é uma equipe impressionante e é provável que tenha melhorado desde a Copa. Mas nós também evoluímos – disse a zagueira, ao site da Fifa.
Uma motivação extra para as duas seleções será o público presente em Wembley. Quando entrarem em campo, Japão e EUA já estarão fazendo história. A decisão promete quebrar o recorde de público em uma partida de futebol feminino válida pelos Jogos Olímpicos.
Cerca de cinco mil ingressos foram vendidos para o duelo após as semifinais, garantindo assim um público de 83 mil. Desta forma, o número supera a antiga maior marca, de 76.489 pessoas que assistiram à final dos Jogos de Atlanta, entre Estados Unidos e China, em 1996.
França e Canadá disputam o bronze
Antes da decisão da medalha de ouro, França e Canadá disputaram o bronze, às 9h (de Brasília), em Coventry.