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13/08/2012

PROJETO QUE DESCRIMINALIZA MACONHA CAUSA POLÊMICA

O tenente Carlos Henrique Bozo, comandante da Polícia Militar de Ituverava

Para o comandante da PM de Ituverava, Carlos Henrique Boso, descriminalização causaria muitos problemas à sociedade

E mais uma vez, a descriminalização das drogas no Brasil volta a ser o centro das discussões. O Senado discute proposta que permite a usuários de maconha cultivarem a planta em suas casas.

A idéia parece ir na contramão da política de combate a entorpecentes, imposta pelo governo federal, que prevê uso das Forças Armadas, pacificação de comunidades carentes e intensificação das políticas públicas de prevenção.

E não é a primeira vez. Em maio deste ano, uma proposta aprovada por uma comissão de juristas responsável pela reforma do Código Penal também “deu o que falar”. No texto aprovado, pessoas que forem flagradas com pequenas quantidades de entorpecentes, para consumo próprio, não poderão ser presas. Muitos entendem que esse é o primeiro passo para descriminalizar (deixar de ser crime) as drogas no Brasil.

Ações
Em Ituverava, embora não exista um Conselho Municipal Antidrogas, algumas ações são realizadas com o intuito de prevenir o uso de drogas. Anualmente, ocorre no município a Semana de Combate ao uso de Drogas, promovida pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal do Bem-Estar e Integração Social. Durante o evento, são proferidas palestras, realizadas passeatas e esclarecidas dúvidas sobre esse tema.

Além disso, a Polícia Militar desenvolve o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), e os policiais explanam sobre os riscos e consequências do uso de entorpecentes em salas de aulas das escolas públicas, tentando alertar os adolescentes para os perigos da drogas, e o mal que elas causam ao ser humano, família e a sociedade.

A descriminalização
De acordo com o comandante da Polícia Militar de Ituverava, tenente Carlos Henrique Boso, a descriminalização causaria muitos problemas à sociedade. “As leis não devem ser afrouxadas. O que deve ser feito para combater o consumo de drogas é investir em Saúde. Os usuários devem ser tratados e as fronteiras do País devem ser melhor fiscalizadas, a fim de evitar que as drogas entrem no Brasil”, enfatizou o tenente Carlos Henrique.



"Com a descriminalização da maconha, toda a sociedade será afetada. Pois com maior facilidade para obter a droga, os usuários, com o intuito de obter dinheiro para sustentar o vício, praticarão mais furtos e roubos. Com isso, até o número de homicídios pode aumentar", destacou.

Engajamento
Para o tenente Carlos Henrique, a sociedade, o Poder Público também devem se engajar no combate as drogas. “A Segurança Pública é apenas um dos meios para combater o consumo de drogas. Esse setor deve trabalhar aliado a outros, como a Saúde e Assistência Social. Todos os órgãos políticos e sociais devem estar envolvidos no combate às drogas, cada um cumprindo a sua parte”, diz o comandante.

“Além disso, os pais devem dar mais atenção aos filhos, especialmente as crianças e os adolescentes. Devem ser presentes em sua educação e ficarem sempre atentos no comportamento dos filhos, pois mudanças podem significar o contato com entorpecentes", afirma o comandante.

Agravamento
Segundo o Tenente Carlos Henrique, desde o início de sua carreira na Polícia Militar, há 14 anos, o consumo de drogas tem aumentado. "A situação está se agravando cada vez mais. Mais pessoas estão usando mais drogas, sobretudo, crianças e adolescentes, mesmo com ações que são promovidas em todo o País, com o intuito de mudar essa preocupante realidade", ressalta.

"Em Ituverava, a situação ainda não é tão preocupante quanto cidades maiores. Porém, de acordo com estatísticas da Polícia Militar, a média é que a cada dia um usuário de droga é abordado e levado ao Distrito Policial", diz.

Autoridades criticam projeto que afrouxa as leis antidrogas
Nesta semana, a Tribuna de Ituverava ouviu a opinião de autoridades locais sobre o projeto de descriminalização ao uso de drogas. Questionadas, as autoridades ligadas às áreas de Educação, Saúde e Segurança, mostraram-se contrárias à proposta.







Confira a opinião dos entrevistados:








"Pessoalmente sou contra a descriminalização de qualquer tipo de entorpecente, pois gerará uma sensação de insegurança ainda maior do que a que a população vive hoje. Temos que agregar mais esforços para combater este mal".

Capitão Márcio Alves Cardoso, comandante da 3ª Companhia da Polícia Militar de Ituverava e Região







"Sou contra, pois acho que o Brasil já enfrenta grandes problemas com segurança pública. A caracterização de pequena quantidade eu acho complicada e trará mais problema a uma polícia sobrecarregada. Sem falar na possibilidade de aumento de consumo. Eu acho que um tema desta envergadura deve passar por um plebiscito, para que a população se manifeste contra ou a favor".

Antônio Luís de Oliveira (“Toca”), diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL)







"Sou totalmente contra a descriminalização das drogas, pois o consumo e porte de entorpecentes é a entrada para o cometimento de outros crimes como furtos, roubos, tráfico e homicídios. Portanto, isso alavancaria a criminalidade no Brasil".

Wilson dos Santos Pio, delegado do município











"Embora não resulte em prisão, o porte de drogas atualmente é crime. E não deve deixar de ser. Sou contra a descriminalização das drogas, pois facilitaria o acesso a entorpecentes, sobretudo, para os jovens".

Jucélio de Paula da Silva Rego, delegado do 1º Distrito Policial de Ituverava







Cerca de 1,5 milhão de brasileiros fumam maconha todos os dias
De acordo com um estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e divulgado no dia 1º de agosto, aproximadamente 1,5 milhão de brasileiros consomem maconha diariamente. Os dados também apontam que mais de 3 milhões de adultos já usaram a droga no último ano e 8 milhões experimentaram maconha uma vez na vida.

As entrevistas foram realizadas em 149 municípios brasileiros, com mais de 4 mil indivíduos a partir dos 14 anos de idade. Os resultados mostram que 600 mil adolescentes já usaram maconha e que ao menos 470 mil consumiram a droga no último ano. Mais de 60% dos usuários experimentaram pela primeira vez antes dos 18 anos de idade.

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