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28/08/2012
Criadores têm prejuízos devido a acidentes com animais peçonhentos no rebanhoNo Brasil, a jararaca, urutu, a cascavel, a coral verdadeira e surucucu são animais peçonhentos que mais causam acidentes no campo
Os acidentes com animais peçonhentos no campo podem ser uma causa importante de prejuízos para criadores de gado. Em muitas vezes, eles superam as mortes causadas por doenças infecciosas ou parasitárias.
No Brasil, as serpentes que mais causam acidentes peçonhentos são a jararaca, urutu, cascavel, a coral verdadeira e surucucu. Entretanto, a incidência varia, de acordo com a espécie. Cerca de 90% dos casos de acidentes com bovinos no país são provocados por jararacas e urutus. Com uma freqüência menor – mas não menos graves – estão os acidentes com cascavel (cerca de 9% dos casos); embora pique menos vezes, o veneno da cascavel apresenta maior risco de vida para o animal. A coral raramente cria caso com bovinos (apenas 1% dos casos). Mais raros ainda são os casos de picada de surucucu, ocorrendo principalmente na região Norte.
Diagnóstico
“É preciso saber distinguir”, explica o veterinário Edmilson Rodrigo Danese, que é aluno do curso de Aprimoramento do Hospital-Escola Veterinário, da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram). “Muitos casos de morte de animais no Brasil, principalmente bovinos e eqüinos, ainda são computados considerados culpa das serpentes. Entretanto, já se sabe que isso não é verdade. Muitas doenças matam rapidamente e com características de envenenamento ofídico, por isso é preciso saber o que realmente está acontecendo, diagnosticando as mortes através do atendimento de um veterinário, para serem tomadas as medidas corretas de prevenção”, afirma.
Em entrevista à Tribuna de Ituverava, Danese explica que, quando a serpente ataca o animal, os sinais são variáveis, indo desde os dois pontos hemorrágicos deixados pela presa até a uma simples arranhadura. Em alguns casos pode haver até mesmo ausência de sinal. “Acidentes com serpentes não peçonhentas, como as jibóias, sucuris, boipevas, caninanas, salamantas, cobras-verde e falsas corais ocorrem, mas são de pouca importância dependendo do porte do animal, devendo ser encarado como uma ferida contaminada que deve ser tratada com anti-sépticos”, completa o veterinário.
Cada tipo de serpente provoca um tipo de sintoma
No caso dos bovinos é raro presenciar o momento da picada. O principal sinal é um inchaço no ponto da picada, frequentemente nas patas. Marcas deixadas pelas presas da serpente nem sempre são visíveis.
“Dependendo da quantidade de veneno injetado, esse inchaço pode se espalhar e, com a evolução, causar necrose local do tecido e o aparecimento de grandes feridas. Quando as lesões são muito extensas, a dor forte deixa os animais abatidos e sem apetite”, observa o veterinário Danese.
As picadas de cascavel e coral, todavia, não provocam esse quadro. “Não há sinais no local da picada. Nota-se uma perturbação geral do animal, que se apresenta inicialmente agitado e, em seguida, abatido, podendo chegar até a inconsciência.
Hemorragias podem ocorrer em acidentes com cascavéis”, diz.
COMO TRATAR
Antes de pensar em qualquer tipo de tratamento, o veterinário recomenda que, o mais importante é lembrar de não amarrar o membro atingido, nem aplicar qualquer tipo de garrote. Essa prática é muito comum, porém agrava mais ainda as lesões da picada.
“Da mesma forma, não se deve cortar ou abrir a ferida e, muito menos, sugar ou aspirar no ponto de lesão. Os animais acometidos devem ser mantidos em um local isolado, em repouso. A única terapia efetiva é o soro antiofídico”, complementa Danese.
Existem vários tipos de soros antiofídicos, um para cada tipo de serpente. O soro antibotrópico é o mais importante para se ter em estoque, devido a sua alta incidência em bovinos (90%).
“Caso a ocorrência de picadas por cascavel seja freqüente, convém ter também o soro anticrotálico. Em caso de dúvida quanto ao tipo de serpente que picou o animal, pode-se aplicar Soro Polivalente. Tratamento de suporte ou sintomático também pode auxiliar, dependendo do caso”, recomenda o veterinário.
Solução é conviver com elas sendo prevenido
Não é possível pensar em diminuir a população de serpentes em uma fazenda, até porque elas participam de um delicado equilíbrio ecológico, mantendo sob controle as populações de ratos e outros roedores.
“É importante que toda fazenda tenha uma boa quantidade de soro antiofídico em estoque. Convém sempre checar a data de validade do soro e assegurar-se de que sejam mantidos sob refrigeração”, complementa o veterinário.
Danese também dá uma dica importante para os trabalhadores do campo. “No caso do homem, o uso de botas diminui significativamente a ocorrência de casos de picadas de serpentes. E, é claro, manter-se atento enquanto estiver na fazenda”, conclui.